02/12/09

assim


Shoes - Matthew Darkins

menina levanta!
ordenou-me a poesia

(me segurando pela mão)

levantei-me
e me pus a caminhar

30/11/09

o pássaro

o pássaro
com seus olhos de céu
----.---.---.---..me olha
buscando em mim
as asas
-.-.---que já não tenho

28/11/09

o vento


Enjoy the Wind - Floriana Barbu

o vento

so
pra da minha mão
a folha de papel

o vento


veio me dizer
que ninguém está

27/11/09

palabares

dançam

em nossas mãos
palavras

desafiando

o frágil equilíbrio
do sentido

no limiar

entre silêncio
e som

entre música
e ruído

25/11/09

dois haicais de lírica


1.
papel de seda
palavras mágicas
música de passarinho

2.
em dia de verão
canta o canarinho
na varanda do sonho

*Hilton Valeriano publicou hoje alguns textos meus no Poesia Diversa, um blog de divulgação da poesia brasileira em sua diversidade, que com certeza vale a pena conhecer. Obrigada Hilton!

24/11/09

o sol



corujas piam

em breve
o galo canta e a terra cora

o sol

trata de apaziguar delírios
e desejos

que a noite incita

o sol
o sol o sol o sol...

amanheceu

22/11/09

das dores do poeta

--- ((para o poeta Julio Rodrigues Correia)

o poeta está triste

pesam-lhe sobre os ombros
as dores do seu povo

e a insensatez do seu tempo

na sua humanidade, o poeta
— que não crê

transcende e toca o céu

olhando a cidade

'Man with Guitar, Paris' by John Cuthbertson

19/11/09

eu e a cidade

---- (para o poeta da cidade que desaparece)

sempre
-------andei pela cidade
me sentindo invisível

agora
------que ela desaparece
encontrei meu lugar

finalmente-posso tocá-la

uma fresta



Andrei Baciu

18/11/09

clarão

pequeno - meu horizonte - tão limitado
- (uma fresta)
mas nele cabe - (imenso) - o mesmo sol
- que aquece
e tinge - (de vermelho) - a terra inteira

17/11/09

o mesmo céu



H. Armstrong Roberts - gettyimages

16/11/09

...

chuva e escuridão
o mesmo céu da infância
... sem lamparinas

14/11/09

dos sentires do tempo - III


Venus at Antique Mall in Powell, Ohio Matt McCaw

há um tempo na vida em que o melhor lugar
é o colo.
depressa vem o tempo da rua. intenso, breve
ele passa.
chega o tempo da casa. doce que parece ser
eterno.
— não é
chega enfim (cruel) o tempo em que nada
nos comporta.
— poesia
único refúgio (meu) neste tempo absurdo
sem lugar.

13/11/09

percussiva

tudo é preto tudo é branco
tudo é não sim

onde se esconderam as verdades
que moravam em mim?

tudo pode ser nada
nada pode não ser tudo assim

nada de poder tudo ou não
pode tudo nada tudo se danar

preta branca verdade
tudo se esconde

nada branco pode preto sim
tudo não haver danado ser onde?

sonora mentira

2.

as flores secas
os pássaros se foram

sequer há vento
a soprar as cortinas

12/11/09

1.



dança na janela
vermelha e branca – asa
pássaro é flor

11/11/09

ando assim

"ventos fortíssimos por dentro
e a calma da água no pote"

by Lalo Arias