aperto folhas secas nas mãos e elas estalam
há em tudo um estado de florescer
até que o outono desfaça
línguas fumaça olhos de amêndoas doces
em tudo que nãocanto um certo
desengano flui
e as seriemas insistem em seus berros
de barro sobre
telhados
tudo podia ser não foi porque não sei
quem sabe?
a lua faz a noite padecer de claridades nuas
quintais cinzentos onde moram cães
sou feliz - colho goiabas gigantes
no muro regado à musgo e trilha
de caracóis
bichos de fogo incandescentes caminham
sobre
meus olhos
o mundo podia se chamar hospício lunar
cemitério de naves espaciais onde não
embarquei
objetos metálicos eternamente em chamas
nesse planeta supostamente azul
aquário de vidro
onde o destino de tudo parece ser – vermelho
arder