28/01/2009

LÁGRIMA DO CÉU

triste são os homens
que na poeira da estrada
lacrimejam terra
suam areias
destilam cansaço
— tentam
controlar seus caminhos
— ardem
faces e corações

um sentimento agudo
— ruge
feras aprisionadas
em armadilha injusta
holocausto diário
novilhos e carneiros
— sentem
corpos angustiados
imploram pelas chuvas

preces
(serão ouvidas?)
em uivos longos
vigilantes
— surgem os cães
homens, bichos, feras
empoeirados

coberta de outros pós
ao longe a cidade
— armadilha fatal
pingo de chuva
(lágrima do céu?)
transforma
a aridez em lama

renascem esperanças.

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4 comentários:

adelaide amorim disse...

Até que venha essa lágrima, a vida é um amálgama de dor e de esperança.
Beijo pra você.

nydia bonetti disse...

Que venham então as chuvas, Adelaide.
beijos

José Carlos Brandão disse...

é preciso transformar
a aridez
da alma
dos homens, nydia.
beijos

nydia bonetti disse...

José Carlos
E há tanto a ser transformado, tanto...
beijos

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