21/02/2009

CASA CAIADA


Ljubica Rapaic - textura de uma parede vizinha vista da cozinha

tijolo de barro cozido
reboco
cimento queimado
piso
forro de madeira
velhas telhas: a casa
na janela: flores
no fogão: bule de café
chá de maçã com canela
no pomar velhas árvores:
muitos frutos
roupas secando no varal:
quintal
no balaio bambu taboa vime:
muita fibra
algodão juta seda
linhas e fios: bordados
uma roca que não para de fiar
teares que não cessam de tecer
urdiduras tramas texturas:
tecido
nesta casa mora o verso
casa caiada: tecida poesia

Creative Commons License
Licença Creative Commons.

15 comentários:

PB disse...

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PB

TCA disse...

a poesia está onde está alguem que olha e a vê. assim.

Giulia disse...

aqui retratados retalhos da minha infância (gostei deveras!), naquela "casa" onde "mora o verso" e eu ainda não sabia...
Beijos meus

nydia bonetti disse...

Thanks, PB!

nydia bonetti disse...

TCA
A poesia mora na casa. E a casa mora em nós...
beijo.

nydia bonetti disse...

Giulia
Os velhos casarões e as casas simples e rústicas, também me tocam fundo. Imagens do que fomos...
beijos

Sônia Brandão disse...

Na casa caiada mora a poesia.
Tem imagens muito bonitas o seu poema.
bjs

nydia bonetti disse...

Sônia
A casa é mesmo muito emblemática, carregada de símbolos. Eu falo muito da casa na minha poesia. A que viví, a que não construí, a que mora dentro de mim. E faço muita poesia quando vou visitar nossas obras na beira das represas, nas montanhas, na periferia. É meu dia-dia.
Boa semana!
Beijos.

Palavras de Osho disse...

Maravilhosa poesia. Uma pintura zen.

nydia bonetti disse...

Obrigada PO.
Volte sempre.
Abraços

BAR DO BARDO disse...

bom exercício metalinguístico...

nydia bonetti disse...

Henrique
Eu e a casa, sempre. (risos). Estou mais do que nunca no meu momento "casa".
abraços

Compulsão Diária disse...

Haute couture!
Magnífico, Nydia
Um dos melhores poemas sobre o fazer poético que já li

nydia bonetti disse...

Obrigada, CD
A minha poesia é rústica, artesanal, primária, tecida em linho e algodão crú. Jamais terá a sofisticação e o acabamento da tua, esta sim haute couture - seda pura.
beijos

Caio Martins. disse...

Nydia, talvez um dos poemas mais belos que li. E posso dizer-lhe que, escriba do urbano e do efêmero, fui posto ante as raízes que me moldaram, no oposto, como bicho-do-mato. Raro poder, rara poesia...

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