
Ljubica Rapaic - textura de uma parede vizinha vista da cozinha
tijolo de barro cozido
reboco
cimento queimado
piso
forro de madeira
velhas telhas: a casa
na janela: flores
no fogão: bule de café
chá de maçã com canela
no pomar velhas árvores:
muitos frutos
roupas secando no varal:
quintal
no balaio bambu taboa vime:
muita fibra
algodão juta seda
linhas e fios: bordados
uma roca que não para de fiar
teares que não cessam de tecer
urdiduras tramas texturas:
tecido
nesta casa mora o verso
casa caiada: tecida poesia

Licença Creative Commons.




A obra 

15 comentários:
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PB
a poesia está onde está alguem que olha e a vê. assim.
aqui retratados retalhos da minha infância (gostei deveras!), naquela "casa" onde "mora o verso" e eu ainda não sabia...
Beijos meus
Thanks, PB!
TCA
A poesia mora na casa. E a casa mora em nós...
beijo.
Giulia
Os velhos casarões e as casas simples e rústicas, também me tocam fundo. Imagens do que fomos...
beijos
Na casa caiada mora a poesia.
Tem imagens muito bonitas o seu poema.
bjs
Sônia
A casa é mesmo muito emblemática, carregada de símbolos. Eu falo muito da casa na minha poesia. A que viví, a que não construí, a que mora dentro de mim. E faço muita poesia quando vou visitar nossas obras na beira das represas, nas montanhas, na periferia. É meu dia-dia.
Boa semana!
Beijos.
Maravilhosa poesia. Uma pintura zen.
Obrigada PO.
Volte sempre.
Abraços
bom exercício metalinguístico...
Henrique
Eu e a casa, sempre. (risos). Estou mais do que nunca no meu momento "casa".
abraços
Haute couture!
Magnífico, Nydia
Um dos melhores poemas sobre o fazer poético que já li
Obrigada, CD
A minha poesia é rústica, artesanal, primária, tecida em linho e algodão crú. Jamais terá a sofisticação e o acabamento da tua, esta sim haute couture - seda pura.
beijos
Nydia, talvez um dos poemas mais belos que li. E posso dizer-lhe que, escriba do urbano e do efêmero, fui posto ante as raízes que me moldaram, no oposto, como bicho-do-mato. Raro poder, rara poesia...
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