- dispersos
os meus versos
tipologia estranha
comuns lugares
componentes singulares
- paradoxos
híbridos como a arte
arame e papelão
laminados, telas, estuques
variedades cromáticas
- transparências
no espaço fragmentado
da minha poesia, flutuam
objetos evidentes
da minha
- descontrução.
875 - porque eu descanso acerbo e frágil
5 minutos atrás




A obra 

12 comentários:
ARTE POÉTICA
Escrevo o que escrevo. Não faço fretes:
poesia é remover a nata duma alsaciana;
comer-lhe, sôfrego, a cereja freudiana,
sem receio da malvada diabetes.
Mas julgará bem quem por si julga
(tal e qual: sem ponto de interrogação):
prefiro mil vezes a inquietação
à baldada morte por coice de pulga.
Há, naturalmente, a congénita inspiração
que brota, torrencial, qual esguicho,
a que o poeta induz a douta orientação,
mais ou menos assim: aí, oh… bicho!
Mais não consta, salvo um amargo gosto
de boca. Em parte, por este início ser o fim
de algo que quase não se conhece o rosto
e podia muito bem não acabar assim.
As transparências se dispersam na construção dos paradoxos; maravilhoso poema.
Abraços
Marco
Querida amiga.
Ia começar a comentar o seu poema, quando dou com o comentário do João Teixeira. Este poeta é um grande amigo meu, filho da terra que também é minha e que passados alguns anos, fui descobri através da internet, a alguns quilómetros de distancia da terra que o viu nascer. Curioso como agora ele aparece a seguir teu blog.
No meio de isto tudo, o seu poema é lindo, mas a amizade que nos une é ainda mais bela.
Beijos Nydia.
Victor Gil
Nós nos desconstruímos para nos construirmos. Somos compostos de paradoxos, que só se iluminam, só são transparências na nossa poesia. O poema é a forma visível da nossa angústia, da perplexidade diante da existência.
Beijo.
nydia, vc fez uma instalação - adorei o seu diálogo com outras artes...
João
A poesia deve ser mesmo assim: inquieta, sem máscaras, sem receios e com recheio, de cereja de preferência... :)). Se assim não for, não passa verdade, não emociona, não transforma, não é poesia...
Abraços!
Marco
Entre transparências e paradoxos, que se edifique a poesia...
Abraços
Victor
Encontrei por acaso o blog de João Teixeira e gostei muito. Incrível esta "teia" virtual que nos aproxima, não é? Sem dúvida, ter amigos é um presente, uma dádiva, um dom... que precisamos cultivar.
Abraços!
José carlos
"Lido" o tempo todo com isto: construções, reformas, demolições... As casas são como nós: nascem, vivem, envelhecem, contam histórias, agonizam, renascem... Na poesia com certeza, nossas inquietações diante destes "processos construtivos/desconstrutivos"...
beijo.
Henrique, que sintonia! Fiquei em dúvida entre dois títulos pra este poema: conceitual ou instalação.
Na verdade na instalação, o "conceito", a intenção do artista quando formula seu trabalho é a essência da própria obra. Muitos consideram a instalção como "poética artística". Das manifestações artísticas contemporâneas, com certeza a mais poética... beijo.
Oi Nydia:
Tem bastante da arquiteta nos versos ...
Fragmentos de vida , em cada insumo inerte
Tenho fascínio pela obra do arquiteto , mas sou advogado ...
Ainda bem que existem os versos, a lavra , a literatura, porta de entrada e de saída das muitas fugas...
Parabéns !
Ivan
De certa forma, somos todos construtores. Os poetas especialmente. Ainda bem que existem os versos...
Abraços
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