29/06/2009

conceitual

- dispersos

os meus versos
tipologia estranha
comuns lugares
componentes singulares

- paradoxos

híbridos como a arte
arame e papelão
laminados, telas, estuques
variedades cromáticas

- transparências

no espaço fragmentado
da minha poesia, flutuam
objetos evidentes
da minha

- descontrução.

12 comentários:

João de Sousa Teixeira disse...

ARTE POÉTICA

Escrevo o que escrevo. Não faço fretes:
poesia é remover a nata duma alsaciana;
comer-lhe, sôfrego, a cereja freudiana,
sem receio da malvada diabetes.

Mas julgará bem quem por si julga
(tal e qual: sem ponto de interrogação):
prefiro mil vezes a inquietação
à baldada morte por coice de pulga.

Há, naturalmente, a congénita inspiração
que brota, torrencial, qual esguicho,
a que o poeta induz a douta orientação,
mais ou menos assim: aí, oh… bicho!

Mais não consta, salvo um amargo gosto
de boca. Em parte, por este início ser o fim
de algo que quase não se conhece o rosto
e podia muito bem não acabar assim.

Marco Sistinne disse...

As transparências se dispersam na construção dos paradoxos; maravilhoso poema.

Abraços
Marco

Victor Gil disse...

Querida amiga.
Ia começar a comentar o seu poema, quando dou com o comentário do João Teixeira. Este poeta é um grande amigo meu, filho da terra que também é minha e que passados alguns anos, fui descobri através da internet, a alguns quilómetros de distancia da terra que o viu nascer. Curioso como agora ele aparece a seguir teu blog.
No meio de isto tudo, o seu poema é lindo, mas a amizade que nos une é ainda mais bela.
Beijos Nydia.
Victor Gil

José Carlos Brandão disse...

Nós nos desconstruímos para nos construirmos. Somos compostos de paradoxos, que só se iluminam, só são transparências na nossa poesia. O poema é a forma visível da nossa angústia, da perplexidade diante da existência.

Beijo.

BAR DO BARDO disse...

nydia, vc fez uma instalação - adorei o seu diálogo com outras artes...

Nydia Bonetti disse...

João
A poesia deve ser mesmo assim: inquieta, sem máscaras, sem receios e com recheio, de cereja de preferência... :)). Se assim não for, não passa verdade, não emociona, não transforma, não é poesia...
Abraços!

Nydia Bonetti disse...

Marco
Entre transparências e paradoxos, que se edifique a poesia...
Abraços

Nydia Bonetti disse...

Victor
Encontrei por acaso o blog de João Teixeira e gostei muito. Incrível esta "teia" virtual que nos aproxima, não é? Sem dúvida, ter amigos é um presente, uma dádiva, um dom... que precisamos cultivar.
Abraços!

Nydia Bonetti disse...

José carlos
"Lido" o tempo todo com isto: construções, reformas, demolições... As casas são como nós: nascem, vivem, envelhecem, contam histórias, agonizam, renascem... Na poesia com certeza, nossas inquietações diante destes "processos construtivos/desconstrutivos"...
beijo.

Nydia Bonetti disse...

Henrique, que sintonia! Fiquei em dúvida entre dois títulos pra este poema: conceitual ou instalação.
Na verdade na instalação, o "conceito", a intenção do artista quando formula seu trabalho é a essência da própria obra. Muitos consideram a instalção como "poética artística". Das manifestações artísticas contemporâneas, com certeza a mais poética... beijo.

IVANCEZAR disse...

Oi Nydia:

Tem bastante da arquiteta nos versos ...
Fragmentos de vida , em cada insumo inerte
Tenho fascínio pela obra do arquiteto , mas sou advogado ...
Ainda bem que existem os versos, a lavra , a literatura, porta de entrada e de saída das muitas fugas...
Parabéns !

Nydia Bonetti disse...

Ivan
De certa forma, somos todos construtores. Os poetas especialmente. Ainda bem que existem os versos...
Abraços

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