20 de jul de 2009

A poesia, transformadora do mundo - III

“Que é poesia? -dizes - enquanto cravas
em minha pupila tua pupila azul.
Que é poesia? E tu me perguntas?
Poesia és tu.” - Bécquer

Confúcio, em seu esforço em fazer uma pedagogia integral, um ensinamento que faça dos homens príncipes e cavaleiros, e das mulheres, damas e princesas, faz uma recompilação das melhores poesias da antiguidade clássica chinesa no chamado Livro dos Versos. Poesias de alto conteúdo moral destinadas a despertar nos seus discípulos a sensibilidade diante da natureza, amor e tudo o que é nobre, justo e bom.

Quando o homem sente Deus estalar dentro do peito, não fala, canta. Quando as emoções são tão intensas como inexprimíveis, somente a canção e a poesia (música e palavra) podem ser fiéis à exaltação.

Os ensinamentos do místico tibetano Milarepa são cantos, que sobressaltam as montanhas sempre cobertas de neve do Himalaia.

Shakespeare, quando quer se referir, nas suas obras, a mistérios demasiado profundos, faz com as seus personagens os formulem com poemas cantados.

Os exemplos são muito, mas a tese é a mesma: em todas as culturas em que se valorizam como tal, a poesia, o canto (na Antiguidade poesia e canto são praticamente sinônimos) é a que configura as consciências, a que desperta os homens para a sabedoria. Recordemos os belíssimos e tão eficazes ensinamentos de Confúcio: « Desperta-te com a poesia, te educa com a música e funda o teu caráter no Li». (Li é a Lei de Harmonia que une o Céu e a Terra. No plano moral é a Regra de Ouro de conduta, aquela pela qual o homem atua de acordo com a Natureza).

Mas se, efetivamente, a poesia tem um imenso poder educativo, como poderemos usá-la? A primeira coisa, indubitavelmente, é voltar às fontes da poesia. Não é por partir a prosa que encontramos o verso; não é pelo fato de «rimarmos» os parágrafos que damos nascimento ao canto e à magia das estrofes.

Platão explica que os verdadeiros poetas - e devido à disposição particular da sua alma - entram em ressonância com os Arquétipos da Natureza. Ele compara-os a um ímã que se impregna de força especial e a transmite, «magnetizando» todos aqueles que se aproximam a ele. Aquele que recita a poesia volta a dar-lhe vida, mas antes deve participar e sentir dentro de si essas mágicas ondulações que o seu criador cristalizou em versos.Todos os verdadeiros poetas são amados das Musas. Estas não são uma «imagem poética» antes, pelo contrário, são mais reais do que podemos imaginar. Conferem ao poeta o fluxo especial que vivifica as suas criações mentais através do ritmo. O ritmo ou encantamento vem, pois, da essência da Musa. O ritmo é a alma da poesia. Os filósofos antigos explicavam que as Musas estavam intimamente relacionadas com os distintos céus ou com as distintas órbitas planetárias, e com o reflexo destas na Alma do poeta.

José Carlos Fernández

continua

English French German Spain Italian Dutch Russian Japanese Korean Arabic Chinese Simplified