
Abro as veias: irreprimível,
Irrecuperável, a vida vaza.
Ponham embaixo vasos e vasilhas!
Todas as vasilhas serão rasas,
Parcos os vasos.
Pelas bordas - à margem -
Para os veios negros da terra vazia,
Nutriz da vida, irrecuperável,
Irreprimível, vasa a poesia.
(1934)
Tradução de Augusto de Campos
Nova Antologia Poesia Russa Moderna
Editora Brasiliense/1985
Esparsos em livrarias, acinzentados pela poeira e o tempo,
não vistos, não procurados, não abertos e não vendidos,
meus poemas serão saboreados como os vinhos mais raros -
quando eles envelhecerem.
De um poema escrito por Tsvétaïeva em 1913, que se tornaria uma profecia.




A obra 

9 comentários:
Excelente escolha.
"irrecurável, a vida vaza." Excelente poesia. Nem precisa dizer: "irrecuperável, irreprimível, vaza a poesia." Isso é terpoesia no sangue.
Poemas feitos realmente para serem saboreados, degustados vagagoramente, silenciosamente, desde o seu bouquet!
Obrigada, Nydia, por mais uma jóia
primorosa da poesia, desconhecida de quase todos nós!
Bjs
Esses eslavos [os russos são eslavos?] são mesmo poetas!
E que gostoso pronunciar palavras e nomes e sobrenomes nessa língua...
Grato por me apresentar à Tsvétaïeva!
Abraços,
bons caminhos...
genial -
uma vodka à
Tsvétaïeva!
Oi Nydia, belo poema de uma poetisa que eu não conhecia. Fez-me lembrar um pouco de Florbela Espanca. Bj.
Nydia,
há um poema seu no Balaio de hoje.
Beijos.
Bom dia
DO SONHO
Sonhei que era sangue
apenas um lençol de sangue assim estagnado
sem veias mesmo retalhadas
ou um simples poro de gente
recordei o dia em que dei
trezentos centímetros cúbicos e senti vaidade
quando a enfermeira disse que o meu tipo
era universal
acordei preso a fios de sol e sobressalto
como se nesse instante
cortasse os pulsos ao poema
Alegria Incompleta, Vega, 1985
Beijinho
João
Não a conhecia!
Obrigada por apresentá-la!
Um beijo.
Li gostoso o seu blog.
vou seguir
http://sinceridadebrutal.blogspot.com/
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