26 de ago de 2009

um poema de marina tsvétaïeva



Abro as veias: irreprimível,
Irrecuperável, a vida vaza.
Ponham embaixo vasos e vasilhas!
Todas as vasilhas serão rasas,
Parcos os vasos.

Pelas bordas - à margem -
Para os veios negros da terra vazia,
Nutriz da vida, irrecuperável,
Irreprimível, vasa a poesia.

(1934)
Tradução de Augusto de Campos
Nova Antologia Poesia Russa Moderna
Editora Brasiliense/1985

Esparsos em livrarias, acinzentados pela poeira e o tempo,
não vistos, não procurados, não abertos e não vendidos,
meus poemas serão saboreados como os vinhos mais raros -
quando eles envelhecerem.


De um poema escrito por Tsvétaïeva em 1913, que se tornaria uma profecia.
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