na parede branca do meu quarto, moram dois cavalos
há anos que me olham com seus olhos mansos e opacos
rédeas esticadas, empoeiradas , não os afetam
as folhas miúdas no alto relevo, não morrem
lembro das mão fortes do meu avô modelando o barro
sinto o cheiro da argila, dos panos molhados, da oficina
lembro dos arames, dos velhos cinzéis, das espátulas
vejo claramente o esboço desenhado no papel canson
relincham de saudades os cavalos de terra da minha infância
me agarro às suas crinas, deixo que me levem ao sabor do vento
DA TERRA
Há 2 horas

A obra 