7 de nov de 2009

faz sol e ainda é cedo



abro meus olhos e as janelas do dia. abrirei portas.

café com pão sagrados. respiro fundo, pé na estrada. já de saída, três vira-latas na festa da rua. é muito azul e verde, a liberdade plena - há que celebrar. sinto pena do meu cão atrás das grades. sigo em frente.

um sapo - estatelado no asfalto, seco - vira pedra. um pássaro de peito amarelo e mudo - ainda é um pássaro. um bem-te-vi cinzento quase arrebenta garganta e arame farpado.

um guard-rail metálico, que violenta a mata, corre - ao lado da cicatriz de concreto. mais um passo. em pencas, a natureza - mãe - se vinga - flores vermelhas que se atiram suavizando cinzas e metais.

olho a montanha. quase encoberto por árvores imensas, velho chalé resiste. fumaça... chego ao imenso portal que dá no nada. chegadas e partidas são só pedaços. o mesmo trem, se houvesse. dou meia volta. feliz hoje retomo minha caminhada.

amanha já não sei. ninguém sabe amanhã. e a tarde quem sabe? lembro-me do sonhos da noite. apesar da lembrança que engoliu a saudade que engoliu a tristeza que quase me engoliu, a manhã está clara.

faz sol e ainda é cedo. eu, outra vez no caminho.
English French German Spain Italian Dutch Russian Japanese Korean Arabic Chinese Simplified