
hoje eu não tinha mesmo nada a dizer
busco palavras - onde as encontro? todas tão gastas, puídas, todas
tão - sinônimas
manifesto verbal ou escrito. fonemas sem nexo, vocábulos. busco
articulado som. onde?
o silêncio se impõe. o silêncio é estado de quem se cala. a ausência
é estado de não presença
o estado é modo de estar ou ser. unidade dividida. falada língua. mãe
nação. onde?
soberania - extensão considerável. lagos, rios, solos – o chão. baias
geografias
geo - metrias, centrias, fasias – engulo terra. vomito palavras. tantas
jogo sujo. onde?
salvos pelo verbo, campo minado – território sitiado: minha pátria
língua. derrotado silêncio
quando não se tem o que calar, melhor falar. fica assim então o dito
pelo não. ou quase - mal ou bem. dito




A obra 

8 comentários:
Nydia,
Que texto!!!
O onde da tua pergunta fica tão bem dito nos teus parágrafos.
Sempre que não encontres as palavras, que as inventes assim!
Bravo!
[o mundo cruza-se com a palavra, a letra em novelo de lã, descobre o caminho; vigilante, guarda o melhor de cada dia]
um imenso abraço
Leonardo B.
Nydia, estou por aqui meio engasgada, "intalada", como dizemos por aqui,com esse teu poema! Chega um tempo em que nos faltam palavras para expressarmos o que sentimos diante de certas situações, principalmente quando se trata de nossa pátria, nossa língua, nossa soberania de cidadãos, nossa Mãe!Às vezes o silêncio fala mais alto...,mas como boa poeta que és, até do silêncio consegues extrair as bem ditas palavras!
Beijos
lindo e profundo Nydia ! Há silêncio nas palavras e palavras no silêncio... BJ.
"Lutar com palavras
é a luta mais vã.
Entanto lutamos
mal rompe a manhã."
A vitória - vã? - muitas vezes não está no dito, mas no silêncio.
Há um silêncio cantando no final do seu poema.
Um canto tão efêmero - a beleza, absurda, é efêmera e eterna.
Beijo.
Dito,
simplesmente:
milagre vital.
Um primor!
Bjo.
Nydia,
Revire-se, no silêncio, a fala. Ou vice-versa.
Beijos,
Marcelo.
... continue calando fundo nossas almas...
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