Naum Gabo, escultor russo pioneiro do Construtivismo, que junto com seu irmão Antoine Pevsner publicou em 1920 este Manifesto, é conhecido por suas esculturas cinéticas e construções geométricas, em metal, plástico e náilon. O Construtivismo inicialmente influenciado pelo Cubismo e pelo Futurismo se relacionava aos novos materiais e tecnologia, tendo influenciado artistas na Europa, especialmente na Alemanha, na escola Bauhaus de Arquitetura e Arte Aplicada, que valorizava a arte de projetar – edifícios, móveis, produtos, etc. – valorizando a simplificação e a unidade entre forma e função.
O “Manifesto Realista” era dirigido a artistas, escultores, pintores, músicos, enfim a todos que tinham na arte sua fonte de exaltação e razão de suas palavras e ações. Gabo sentiu que vivia uma época de profundas transformações na cultura e na civilização e se perguntava o que a arte traria para aquela nova era que se iniciava. Ele sabia que os Cubistas e os Futuristas tentaram tirar as Artes Visuais do passado, mas não conseguiram realizar os ideais de reconstrução e reedificação que a Revolução desejava. Os Cubistas apenas simplificaram a técnicas representativas, enquanto que os Futuristas fizeram alarde, belos discursos, mas usavam rótulos já gastos, como “patriotismo”, “militarismo”, etc. e não se constrói um sistema de arte só com a fase revolucionária. Além destas duas Escolas, nada mais havia de importante naquele momento da história.
A vida, porém passa e se percebe que viver bem é mais importante que a beleza estética e outras verdades abstratas, miragens, ficções das artes que não sobreviveriam diante da realidade. O autor acredita que o tempo e o espaço são as únicas verdades sobre as quais a vida é construída e que a arte também deveria ser assim construída. A realização da percepção do mundo deve ser o único objetivo das artes plásticas e da pintura. As obras de arte deveriam ser construídas como o engenheiro constrói pontes e o matemático suas fórmulas: com olhar preciso e espírito correto.
Naum Gabo define então os princípios básicos da nova técnica construtiva: renuncia a cor como elemento essencial da pintura, renuncia o valor descritivo das linhas, renuncia o volume e afirma a profundidade, renuncia a massa e afirma o espaço e principalmente renuncia a arte estática, imóvel e afirma um novo elemento, os ritmos cinéticos. Para ele a arte deve estar onde quer que a vida esteja atuando e fluindo: no trabalho, no banco, no laser, nas férias, em casa ou fora dela, em todo lugar, para que a chama da vida na se apague na humanidade. Não questiona nem analisa o passado nem o futuro, que são vistos como um sonho romântico. É preciso viver o Hoje. O dia presente deve ser o objetivo e o objeto da arte.