30/04/2009

SERTÃO


a pele trinca
árido sertão à espera
dos teus olhos de chuva


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29/04/2009

BRASA VIVA

arde
no poeta
a chama
do querer
ser imortal
porém
a brasa viva
da palavra
inflama
e queima
a folha branca
do papel
que em breve
será cinza.


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28/04/2009

O VIOLINO

O violino que vive
Na parede branca
Da minha sala
Às vezes toca
- Pode-se ouvi-lo
Nas noites quentes,
Em que a dama da noite
Rebenta em doçuras
E o céu
- Por ser a lua nova
Pipoca em estrelas
Muitas
- Luzes da Ribalta
É sempre a mesma
Música
Que toca.

Risadas
Da tia Margarida
Andando pela rua
Sonhando com Carlitos
- Pode-se ouvir
Violino na mão
Ainda flutua
Nas notas que entoou
A velha tia
- Amarga no retrato
Um dia foi feliz
e sorria
- Toda vez que tocava
No cinema mudo
Até que o violino
Emudeceu

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GALERIA ANAHATA KATKIN


Perception

27/04/2009

DA PERCEPÇÃO DO ESPAÇO - I


I - A AVENIDA

paralelas linhas que
de tão longas e retas
se afunilam

seja de fuga
seja de encontro:
um ponto.


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26/04/2009

DOS SENTIRES DO TEMPO - I



scary_pishu - Adina Paraschiv

I - O GATO


O gato assusta o tempo

o tempo assusta o gato.

Meus olhos nos olhos do gato

e os olhos do tempo em mim.



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24/04/2009

SINA

vê-se daqui a lua
olhos da cor de amar
- ela é mulher

há pouco se via o sol
olhos cor de queimar
- homem que é

nunca vão se encontrar
nunca vão se entender
nunca vão se tocar

- sina

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AMOR DE HIPOPÓTAMO

O bicho era feio
Gordo e mal educado
Ungulado vivia nos cascos
Um cavalo – do rio
Mas um cavalo

Pele grossa e nua
Cabeça truncada
Focinho enorme e achatado
Preguiçoso e gosmento
Patas e cauda curtas - coitado

Ainda assim ela morreu
De tristeza e saudade
Do bicho feio amado

E nós que inda buscamos
Um dia amar assim
Morremos de inveja:

Hiperamor de hipopótamo

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23/04/2009

PUNTO

.

No hay espacio más ancho que el dolor,
no hay universo como aquel que sangra.

Pablo Neruda - Estravagario

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22/04/2009

Arte y Pico



A poeta e amiga Mara Faturi, em seu blog, http://per-tempus.blogspot.com/ me concedeu este prêmio, que me deixou surpresa e muito feliz. Agradeço de coração, Mara. Obrigada!!! Devo explicar do que trata o prêmio e repassá-lo para mais 05 blogueiros especiais. Arte y Pico: http://arteypico.blogspot.com/

O prêmio Arte y Pico foi criado com o objetivo de premiar blogs pela criatividade, material interessante e por contribuir com a comunidade de blogs, em qualquer língua. Além disso, o blog que receber o prêmio deverá repassá-lo para outros cinco blogs, que deverão seguir as regras abaixo: 1. O vencedor deve escolher cinco blogs que considerar merecedores deste prêmio por sua criatividade, material interessante, e por contribuir com a comunidade de blogs em qualquer língua. 2. Cada um dos cinco blogs selecionados deve incluir o nome do autor e um link para o seu site a ser visitado pelos leitores. 3. O beneficiário deve mostrar o prêmio (copiando a imagem acima) e indicar o nome e o link para o blog que foi entregue. 4. Todos os beneficiários deste prêmio devem incluir um link para o blog Arte y Pico para informar os leitores sobre a origem deste prêmio. Indico, abaixo, os cinco blogs que considero merecedores desse prêmio:

1. De Claudio Daniel, http://cantarapeledelontra.blogspot.com/ pela força da sua poesia e pelo brilhante e incansável trabalho de divulgação de poesia e arte;
2. De Julio Rodrigues Correia, http://acroatico.blogspot.com/ pela beleza e intensidade da sua poesia, especialíssima. Grande poeta.
3. De Marcílio Medeiros, http://vidaliteraria.zip.net/ também um belíssimo espaço de divulgação de poesia e arte. Poeta brilhante;
4. De Adelaide Amorim, http://www.inscries.blogspot.com/ por sua poesia “clean”, precisa, certeira, emocionante;
5. De Sônia Brandão, http://passaroimpossivel.blogspot.com/ autora de poemas minimalistas e essenciais. Imagens encantadas.

E claro todos amigos queridos desta teia fantástica em que estamos todos enredados – em nome da arte, da poesia e do afeto. Obs: Se fosse possível, haveria muitos outros a serem indicados.

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21/04/2009

UM SOPRO

A roupa está puída
Sapatos gastos
Espelhos trincados

Há limo nos muros
Ferrugem nos portões
As portas rangem

O piso lascado
A prata enegrecida
Varais cortados

Goteiras...

O vendaval do tempo
Soprou
E destelhou a casa.

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GALERIA ANAHATA KATKIN - II


-Portrait

20/04/2009

Dos Exílios e das Borboletas

Já tive sonhos

Um por um
os matei

Exílio
a minha pena

Que pena

À pátria
não retornar

Papillon retornou

Não retornarei
(ab)sinto...

Dentro de mim
no entanto

Borboletas
resistem.

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Se houvesse sol

todos estão pálidos
as luzes são falhas
se houvesse sol
todos estariam suados

as cores são fortes
mas as luzes são fracas
se houvesse sol
todos estariam corados

todos estão sérios
as luzes são falsas
se houvesse sol
todos estariam sorrindo

as palavras são fortes
mas as frases são frágeis
se houvesse sol
todos estariam calados

que o dia é curto
e há que se aproveitar o sol.

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18/04/2009

O Nome



Gérard
Depar
_Dieu

O nome
É o poema

Por não haver
Melhor palavra
Que o defina

_Nem tema

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17/04/2009

Humanas Relações

tão frágeis
as relações humanas
filhos e pais
pessoas, seus Deuses
homens, suas Pátrias
infância
desconhecer as dores
e as diferenças
batalhas de pipas
de todas as cores

cortam-se os fios
elas se perdem

virá a náusea
o nojo
a covardia
o medo
invernos cruéis
infância distante
inda mais frágeis
as relações humanas
filhos, seus medos
pais, seus temores
homens, seus fardos
gente, suas dores

Deuses distantes
onde a Pátria?

desfeitas
as relações humanas
pais sem seus filhos
filhos sem paz
gente sem fé
Deus sem altares
homens sem Pátrias
desoladas nações
a náusea
o nojo
a covardia
o medo
humanas relações
tão frágeis

haverá primaveras?

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A arte encantada de Ro Bruhn









Ro Bruhn - desenhista gráfica australiana. Trabalha na criação de jóias, pintura, mosaicos, livros alterados e decoração de papéis e jornais com técnicas exclusivas desenvolvidas por ela. Seu trabalho com livros alterados é simplesmente fantástico. Acima, um pouco de sua arte.

16/04/2009

Prendedores em nós

há uma casa pendurada na montanha
há um varal pendurado na casa
- há roupas penduradas no varal

há um botão pendurado na roupa
há uma rosa pendurada no botão
- meus olhos pendurados na rosa

teus olhos pendurados nos meus
nós pendurados nos varais do tempo
- prendedores em nós: o sol e o vento

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15/04/2009

Lamparina

Acesa a alma:

Quem se lembra das horas escuras,
das imprecisões, dos assombros?

Desejamos calor, vizinhança,
proximidade, espaços macios.

Derrubar muros, eliminar fronteiras,
adentrar casas, varandas e quintais.

O amor pode ainda povoar o planeta
ou simplesmente fazer morada

no espaço ínfimo - infinito
dentro de nós:

Claridade.

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14/04/2009

Cosi, va la nave



Há uma nave em mim
Perdida
- Que já não sabe
Se voa se anda se navega
Há uma nave em mim
Vazia
- Pois que há muito não sabe
mais quem carrega
Há uma nave em mim
Desgovernada
- Por não haver vontade
Nem desejos
De partida ou chegada

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13/04/2009

A compreensão da poesia



Escrevi alguns poemas que eu mesmo não compreendo.
Carl Sandburg

Monossilábica

Ando tão só que...
Ando que só.
Ando?
Quê!
Tão...
Só.

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12/04/2009

Adimiráveis Seres Novos

bondoso é o Deus
que nos permite renascer
feito pessoas novas

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11/04/2009

Bula

Vide:
A vida vale o verso.
Visse?
E versa...

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Sumi-ê: Bambus



bambus no vento:
no tronco habita a força
no oco, a paz.

10/04/2009

Um Canto Uma Prece Um Mantra

"Eu quero um rio de águas claras.
Eu quero um sopro de esperança.
Minh’alma segue e não se cansa
de caminhar...”

09/04/2009

Velha Árvore

tronco
retorcido em securas
restam
folhas mirradas

num cacho único
flores rosas pendem
e denunciam:
a vida resiste.

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07/04/2009

Face de Sol

sobre trilha de estrelas
caminhar
ao longe a terra
esfera
índigo azul
sob meus pés o mar
e as nuvens brancas

eu quero
eu vou
um dia
ser viajante
da branca via
na luz incandescente
queimar meus olhos

rubis
antigos de chorar
translúcidos
topázios de esperar
do que foi solidão
corar
face de sol brilhar

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06/04/2009

Uma Pintura


Leccion de Musica - Jose Royo

Cores

Arco íris no céu
Sedas vermelhas
Heliocêntricos seres
- Dionisíacos sons

Holísticos enredos
Inflamadas taças
Pálidos corais
— Voam flores azuis

Matizes delatam
A trama a culpa o beijo
Cores desbotam
- Até que se desfaçam

Da forja dos instantes
Incandescentes
Funde-se o tempo
- Noites de chumbo.

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05/04/2009

Certa Poesia



Ave, rima, dá-me a flor
Para o amor,
Como para o ódio a seta.

Giosuè Carducci,_À Rima

03/04/2009

in_defesos

porque ninguém
escolhe
ser poeta

também
não escolhi

a poesia
nos encontra

mira no alvo
e num tiro certeiro
nos atinge no peito

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02/04/2009

Olhos de Ver Vasos

O velho vaso de flor sobre a mesa
- porque o vejo
é belo.

O belo vaso de flor sobre a mesa
- se não houver quem o veja
é nada.

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Agora Ainda Nem Sei

I –
Andei solitária
Por um caminho imenso
O tempo que andei – nem sei
Foi infinito

II-
Andei – andei - andei
Mas não cheguei
Pois que sozinho não se chega
E eu fiquei.

III–
Loucura - bem sei
Porém, espero - ainda
Como sempre esperei

IV -
Na estrada - agora
Espero - ainda
Sou pedra - agora
À espera – ainda

V –
Mais uma vez
Ouço passos
Não posso ir
Sou pedra – agora

VI –
Chegaste cansado
És pedra também
Na estrada - agora
Duas pedras que rolam

VII -
Duas pedras que cantam
Ainda.

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01/04/2009

Outros Tons


Adina Paraschiv - Janela sem sol com maçãs

Outono.

Maçãs repousam
dentro de nós.

E o rubro tom,
na vidraça.

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