começamos a envelhecer
quando passamos a ver a vida
com os olhos dos nossos meninos
que até então, viam a vida com os nossos
I-
vias
a cidade é teia
estradas são veias
(vicinais)
sólidos concretos
pedras desiguais
trens subterrâneos
periféricos
suburbanos centrais
rodas sobre o asfalto
a vida em ciclo
vias
há quem caminhe
com seus próprios
pés
II-
o pássaro segue
(que aí ainda há)
na direção indicada
pelos sinais
telúricas correntes
vento luz calor
ancestrais instintos
paralelas linhas
via
duto sobre o rio
(Sena )
segue
a sina dos rios
fluir
na direção do mar
III-
enviesadas
tramas
retas
que se cruzam
perpendiculares
(labirintos)
luzes antigas
lampiões
secular memória
imóvel toda
via
observa
a vida passar
hoje
via teus olhos




A obra 

34 comentários:
Como diria Heráclito: "Tudo é Um"... todas as coisas estão interligadas...
"hoje
via teus olhos"
vi a trama entre concreto, espaço e tempo, Nydia, engenheira do ar. Este poema é de primeira, poeta. Formidável.
Elaboraste, poeta amiga,uma cronica poética do cotidiano das cidades.Poema bem construido, como todos de tua mente privilergiada.Abraço do tamanho do mar da minha querida Fortaleza.
a gente acaba se ligando as estradas e elas á nós..as veias são dentro de nós,estradas que preferiram não virar concreto,mas sentimento que liga,veias,viadutos,cidades,corações...
Uma simbiose perfeita entre o eu e o mundo.
Gostei muito!
Nydia,
Este é um poema muito interessante, com suas várias transposições pelas vias, verbos e conjunções...
Muito bom!
Um beijo.
Tudo flui. Estou sem palavras.
Te reverencio, poeta.
Brilhante!
É surpreendente! Quando olhamos do alto uma grande metrópole cheia de vias, avenidas, viadutos e pontes num entrelaçado labiríntico, ficamos assustados, dá "um frio na barriga"...Mas ao lermos essas "vias", tudo se torna derepentemente belo, harmonioso, porque é mostrado por uma POETA e engenheira, que foi moldada no barro da POESIA! Quando comecei a ler esse poema, não imaginei que seria teu. Fui lendo, passando o mouse,com uma expectativa pra saber de quem seria poque estou acostumada com teus poemas mais concisos, mais curtos...Para mim, esse é talvez, o mais belo de todos, se é que posso dizer isso. Mas é o que sentí.
Beijos
E teus olhos atentos de poeta a tudo contemplam para construir tão bem o poema.
bjs
estremamente interessante, fico ate sem palavras, descuple-me, esta uma maravilha!!!!!!! tudo conectado, a mesma coisa, da mesma materia, o que muda e o conteudo.. bjos.
via teus olhos, vi que havias... e o poema é belo!
besos
não é poesia
é música
via que flui
Olá Nydia,
Obrigada pelo Sempre B ELO...
..." VIA TEUS OLHOS "...
no desto das palavras... no som que faz a flor a crescer...
!nfinito beijinho
por entre todas as vias, veias, ruas, rios...muitas e muitas linhas e por elas passamos na direção de ver a vida passar.
Nydia, adorei a leitura de seu poema. Muito bom. Parabéns!
Beijos
Jefferson
O conjunto da postagem
me emocionou...
Vias
ao som
de cordas...
Vias sem tangentes. Criaste um cosmo em meio ao caos. Belíssimo poema.
Nydia, devo concordar, conseguiste dar contorno ao caos e, estabelecer relações inusitadas. Lindo poema. bjs
http://dcosmo.blogspot.com - Constantes reflexões, Rumo a novos pensamentos! "Andarilho"
http://dcosmo.blogspot.com - Constantes reflexões, Rumo a novos pensamentos! "Andarilho"
muito, muito, muito bom!
Adorei!
Nydia,
Passar pelo Longitudes é obrigatório. Sempre surpreendente. Há por aqui uma riqueza e de inspiração que nos deixam abismados!
A cidade é um labirinto. Teseus modernos que somos, andamos com nossos novelos, mas o Minotauro anda à espreita. É preciso estar atento e forte - não temos tempo de temer a morte!
Obrigado!!!
Delícia de poesia... Construções tão boas que eu não sei nem o que comentar.
Tocante. Poema de primeira.Tenho que escrever: parabéns!
Nydia!
Belo poema noir que interligam as vias da sensibilidade poética que existe em você!
Parabéns, amiga!
Beijos
Mirse
nydia,
uma pergunta, quem é renan bonetti?
o vídeo é bastante interessante, conceitual, concentrando nossa atenção no Tempo. foi bom parar e refletir antes de ler o verso, criou um clima muito próximo da questão do poema.
(ps: a música também é ótima!)
o poema em si ganha no jogo e nas imagens, as vias são tantas, as memórias sobre elas, sobre quem passa, sobre quem passou
e nossa vista é quem via...
dividi-lo em I, II, III me deu uma sensação de divisão de Tempo: passado, presente, futuro, não ordem em que estão os versos mas na possibilidade lúdica de uma via ser a passagem do tempo acontecendo simultaneamente por causa do passado presente no futuro.
parabéns, é um verso muito bem feito e bonito!
um beijo.
As vias são escolhidas por nós (quando não somos forçados a elas...), ao contrário dos pássaros e dos rios.
Podemos errar, é certo. Mas devemos aproveitar o caminho para observar e desfrutar da beleza que neles existe e, se necessário, semear algumas flores para o tornar mais agradável.
Excelente poema, querida amiga. A sua poesia é magnífica.
Um beijo.
Betina
Renan é meu sobrinho e dindo (risos) que faz arquitetura na França. Este video é uma parte do primeiro trabalho de urbanismo que ele fez por lá e eu gostei tanto que acabei fazendo um poema pra ele. :)
Beijo
Um poema para ler e reler sem pressa, porque perfeição é coisa rara. Vias da paz.
bem construído e significante. Gostei muito. Parabéns.
bj
Senti esse poema como uma ponte que liga vários universos. Muito bom. Beijo.
Nidia...
Belo poema com um fantástico jogo de palavras! Bem ao teu estilo!
Lindooooooo.....
Beijos
AL
nydia,
ah! sobrinho! dê os parabéns a ele pelo talento com imagens e construções estéticas.
um beijo, querida.
Nydia...quem é o Ronan... lindo vídeo, passa melancolia, não é fácil dizer algo assim, e forma estática.
Olha que graça, fui lendo os comentários e vi que a betina viu o vídeo e fez a mesma pergunta. Legal, já vi a resposta, da dinda. Muito bom o vídeo.
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