22/07/2010

um poema de Else Lasker-Schüler



Cansaço

Todos os brancos sonos
Da minha calma
Caíram na fímbia escura do firmamento.

Ora a dúvida cobre minha alma
E meus sonhos são produtos do tormento.

Ah, queria dormir de anseios livre
Saber de um rio fundo, como o que em mim vive.

E fluir com suas águas...

21 comentários:

Edson Bueno de Camargo disse...

Esta poetiza é formidável, trabalha com imagens muito profundas, são cortes de navalha na pele, a escarificar a poesia.


Muito agradecido o agrado de te-la publicado, tem tão pucas coisas dela em português.

Lídia Borges disse...

Os "brancos sonos" em oposição ao escuro firmamento salpicam o poema de um mesclado de dúvida e desassossego.
Um exemplo de como se pode dizer muito, com poucas palavras.

Gostei muito!

Luiza Maciel Nogueira disse...

que lindo Nydia, fluir poesia també é deixar-se levar por um rio de águas cristalinas.

Beijos!

f@ disse...

Nydia !menso beijinho


carinho imenso e admiração sem fim pelo que escreves e pelas escolhas tão especiais....

ler.....te sempre é paz....

adorei

beijinhos gigante

Marcantonio disse...

Muito bonito. E perfeito para descrever um estado de espírito, para alguns, recorrente, para outros permanente.

Abraço.

nydia bonetti disse...

Edson, Else ainda não é celebrada como deveria - como tantos outros. Também ando em busca da sua trilha poética - maravilhosa - mas realmente existe muito pouca informação publicada em português. Tenho mais 3 poemas belíssimos dela - vou publicá-los aos poucos. Abraço grande.

nydia bonetti disse...

Lidia

Imagens incríveis, não é? Também gosto demais. Beijos.

nydia bonetti disse...

Luiza

Gosto muito da imagem do rio - que flui. Beijoos.

nydia bonetti disse...

fa

ler-te também me faz mais leve.

beijo!

nydia bonetti disse...

Marcantonio

Gosto muito dos poemas que falam por mim. Este "cansaço" tocou fundo - "como o rio que em mim vive". Abraço.

Adriana Karnal disse...

Nydia,
você escolhe poemas como quem recolhe flores...lindo. Acabo de ler tua entrevista com o Marcelo Novaes, gostei demais, vc é uma poeta milimétrica (pra usar metáfora da engenharia :)

nydia bonetti disse...

Adriana, acho que são os poemas que nos encontram, não são? :)

Quanto a poesia milimétrica - que nada... costumo dizer sempre: não me cobrem exatidão, coerência e perfeição - na poesia não! (risos)

beijos.

Marcio Nicolau disse...

versos fluentes.

Voltarei e convido:

www.espacointertextual.blogspot.com

Jorge Pimenta disse...

é este o jogo a que somos sujeitos a toda a hora: o gato dos sonhos e o rato das decepções. pior que tudo isto: o mundo passa a concentrar-se em duas cores, apenas: o branco... e o negro. oh, para quando o arco-íris?
um beijinho!

Ana Tapadas disse...

Podia ser um poema meu. Ando assim mesmo, por isso um pouco ausente.
Beijos

nydia bonetti disse...

Bem-vindo Márcio! Abraço.

nydia bonetti disse...

Jorge,

que fim levaram todas as cores?

Na poesia a vida cora. :) beijo!

nydia bonetti disse...

Ah... Ana, também tenho me esforçado para me manter presente.
beijo, querida.

José Carlos Brandão disse...

Gosto da Elke Lasker-Schüler. Tem imagens fortes, de corte, mas também equilíbrio.

aline daka disse...

Ela é maravilhosa, sim! Obrigada Nydia, faremos uma parceria sim qualquer dia desses! Bjos!

Cynthia Lopes disse...

Vou procurar a história desta mulher incrível, de alma tão sensível e líquida!

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