27/11/2010

sobre nossas cabeças

ágoras pós-modernas: há monges lá fora
cantando salmos, entoando mantras
não são espelhos - são poucos
destoam
dos muitos iguais
tenho medo
do homem que faz a bomba
duplica seres, conquista o espaço
mas não respeita
o espaço do outro
(seu igual pelo avesso?)
em cavernas ainda
nem descobrimos o fogo
que nos iguala
quando nos torna cinzas
[... e o fogo do espírito
o tempo todo sobre nossas cabeças
animais

12 comentários:

Márcio Ahimsa disse...

"sobre nossas cabeças, animais"
alguns mais iguais,
outros tais e tantos
que encanto algum
profere verdade
num mato descoberto
de segredos, e rimas,
e medos que machucam,
que assassinam
virtudes de concreto
e lida pelo espelho
comum dessa vida
sem tamanho...

Beijo Nydia, bom fim de semana.

Leonardo B. disse...

[o herdeiro do homem primitivo não consegue disfarçar o seu permanente mal-estar por tanto mundo demais... por mais que tente e não consiga sequer coçar o fundo das costas]

um imenso abraço, Nydia

LB

Cristiano Melo disse...

Igual a amebas que se multiplicam aos montes, o bicho homem nem sabe se defrontar consigo, e tenta organizar o caos, que não se organiza, perda de tempo e irracionalidade gritantes. Lembrou-me do livro de Reich "Escuta, Zé Ninguém" este poema poderia ser uma síntese de todo o livro.

beijos

[e que os poucos que entoam canções ancestrais, consigam permanecer na peleja, como escrever poemas assim

Marcantonio disse...

O constante dualismo. O Homem parece um eterno dividido.

beijo.

Nadine Granad disse...

Lindíssimo espaço!
Dica mais do que certeira da Lara ;)

Reflexivos... sem perder a sensibilidade!


Abraços carinhosos =)

betina moraes disse...

maravilhoso nydia!

completo! em conceito e lição.

um dos mais emocionados que já li aqui.

você tem toda a razão em seu verso.


um beijo, com admiração.

lolipop disse...

"...em cavernas ainda
nem descobrimos o fogo
que nos iguala
quando nos torna cinzas..."
Nydia...
Tenho vontade de sair para a rua e grafitar este excerto de seu poema em todas as paredes.
Carinhos

Pássaro disse...

Cara Nydia

belo
reflexivo
real

Obrigado

Úrsula Avner disse...

Belo Nydia ! Bj.

dade amorim disse...

Essa é uma questão que me persegue, essa dualidade, esse fogo do espírito sobre nossas cabeças animais, como você diz - uma sacada genial.

Beijo.

AC disse...

Os tempos parecem correr de feição à fera, que já não precisa de se esconder na sombra...

Beijo :)

Patrícia Gonçalves disse...

Há uma vaga promessa em nós, de ser o que nunca fomos, esperança...

beijos

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