não ouso pedir
o maná dos céus
peço os frutos da terra
na lida
dos humanos quereres
cansaço e suor
grão
que se possa colher
pão
ainda que ázimo
mão
que se possa tocar
saciadas fomes
(II)
29/04/2010
26/04/2010
(I)
25/04/2010
ainda o deserto
o poeta não tem mesmo nenhum pudor
no corpo do poema
se desnuda e se expõe em praça pública
no corpo do poema
se desnuda e se expõe em praça pública
perdi a voz
nenhum som
gemido canto
sopro
p a l a v r a
estou muda
talvez
não tenha mesmo
nada
mais a dizer
22/04/2010
20/04/2010
16/04/2010
massacre
a luta pelo pão
massacrou a poesia
é tudo tão raso
tudo tão pouco
tudo tão
des_humano
verso nenhum resiste
a uni_verso tão
limitado
massacrou a poesia
é tudo tão raso
tudo tão pouco
tudo tão
des_humano
verso nenhum resiste
a uni_verso tão
limitado
12/04/2010
dos poetas, loucuras e vaidades
de perto ninguém é normal
às vezes segue em linha reta
a vida, que é meu bem, meu mal
caetano veloso
I-
no fino fio
que a lucidez
separa da loucura
o poeta se equilibra
ventos fortes soprando
II -
canto eu
cantamos nós
cantam vocês
sonoro verso
que nos faz poetas
III -
era um poema e tanto
era o melhor de todos
foi para o ralo
antes mesmo
de chegar ao rio
evaporou
que pena
não saberá dos abismos
nem do sal
IV -
solidão já não dói
vira poesia
ser poeta é ir além
do que se pode suportar
V -
chamam-me poeta
sou apenas uma tola
(uma louca de pedra)
que se desmancha em versos
VI -
todos
os poetas padecem
do mesmo mal (pecado?)
da vaidade dos poetas
livrai-nos Senhor
no fino fio
que a lucidez
separa da loucura
o poeta se equilibra
ventos fortes soprando
II -
canto eu
cantamos nós
cantam vocês
sonoro verso
que nos faz poetas
III -
era um poema e tanto
era o melhor de todos
foi para o ralo
antes mesmo
de chegar ao rio
evaporou
que pena
não saberá dos abismos
nem do sal
IV -
solidão já não dói
vira poesia
ser poeta é ir além
do que se pode suportar
V -
chamam-me poeta
sou apenas uma tola
(uma louca de pedra)
que se desmancha em versos
VI -
todos
os poetas padecem
do mesmo mal (pecado?)
da vaidade dos poetas
livrai-nos Senhor
09/04/2010
08/04/2010
incrédula
era preciso acreditar
que outonos viriam
e arrancariam folhas e ventos soprariam
mas não - insisti na utopia
do eterno verão
das flores que não morrem - do céu
sempre azul
tenho as mãos e as unhas
sujas de terra agora
fui procurar sob as folhas secas
meus olhos antigos
não encontrei
quis mergulhar no campo
em busca de estrelas que já não havia
a pedra me salvou a pedra
me impediu de seguir – a pedra
filha do fogo
onde queimam poetas e loucos
filha das horas
que sedimentam folhas e poeiras
estratos de tempo
sopro
a carne
se curvou à pedra
o sangue
fecundou a terra
era inverno já - e eu nem sabia
que outras flores viriam
vieram - ainda assim
não acreditei
que outonos viriam
e arrancariam folhas e ventos soprariam
mas não - insisti na utopia
do eterno verão
das flores que não morrem - do céu
sempre azul
tenho as mãos e as unhas
sujas de terra agora
fui procurar sob as folhas secas
meus olhos antigos
não encontrei
quis mergulhar no campo
em busca de estrelas que já não havia
a pedra me salvou a pedra
me impediu de seguir – a pedra
filha do fogo
onde queimam poetas e loucos
filha das horas
que sedimentam folhas e poeiras
estratos de tempo
sopro
a carne
se curvou à pedra
o sangue
fecundou a terra
era inverno já - e eu nem sabia
que outras flores viriam
vieram - ainda assim
não acreditei
05/04/2010
o infinito jaz z
paralelas linhas que se tocam
no infinito
perpendiculares que se cruzam ali
na esquina
(neon)
escolhi transitar
por aquelas que nunca se encontram
o infinito jaz z no caminho
(no mesmo tom)
no infinito
perpendiculares que se cruzam ali
na esquina
(neon)
escolhi transitar
por aquelas que nunca se encontram
o infinito jaz z no caminho
(no mesmo tom)
03/04/2010
dívidas
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