estranho
palavra alguma hoje
faz sentido
talvez pressintam
olhos nenhum
a procurar por elas
29/05/2010
28/05/2010
um poema de Beto Palaio*
O EQUILIBRISTA
Minha vida é um trapézio
Sem rede para segurar minha queda
Olho para o vazio abaixo
Mas não caio
Meu andaime é a corda bamba
Com um varapau como companheiro
Ao caminhar resoluto, bambeio
Mas não caio
O público ovaciona a travessia
Minha ex-mulher grita "tomara que caia"
Meu patrão rasga meu holerite
Mas não caio
A corda bamba é feita de arco-íris
Há um anjo em cada ponta, protetores
Pula na corda um deus menino
Mas não caio
Uma diáfana mãe vem me seguir
Com seu próprio varapau a se equilibrar
Ela passa com receio que eu caia
Mas não caio
Há nesta corda um grifo nebuloso
O próprio universo que vem se regozijar
Do tempo que ele empresta e toma
Nele eu caio
*"Beto Palaio é um brasileiro que com afinco mergulha na arte (eu acrescentaria - e na literatura) em toda sua dimensão" - Emprestei esta frase do Blog do Favre, para definir Beto Palaio. Seu blog, o Littera Tour e sua revista eletrônica - Around the World in 8 Seconds - são mesmo um deleite para nossos olhos e almas - e os seus haicais - encantados. Obrigada, Beto. Sei que seu habitat natural é a prosa mas são tão tênues estes contornos, que se você não era, agora é - poeta.
(Para Nydia Bonetti)
Minha vida é um trapézio
Sem rede para segurar minha queda
Olho para o vazio abaixo
Mas não caio
Meu andaime é a corda bamba
Com um varapau como companheiro
Ao caminhar resoluto, bambeio
Mas não caio
O público ovaciona a travessia
Minha ex-mulher grita "tomara que caia"
Meu patrão rasga meu holerite
Mas não caio
A corda bamba é feita de arco-íris
Há um anjo em cada ponta, protetores
Pula na corda um deus menino
Mas não caio
Uma diáfana mãe vem me seguir
Com seu próprio varapau a se equilibrar
Ela passa com receio que eu caia
Mas não caio
Há nesta corda um grifo nebuloso
O próprio universo que vem se regozijar
Do tempo que ele empresta e toma
Nele eu caio
*"Beto Palaio é um brasileiro que com afinco mergulha na arte (eu acrescentaria - e na literatura) em toda sua dimensão" - Emprestei esta frase do Blog do Favre, para definir Beto Palaio. Seu blog, o Littera Tour e sua revista eletrônica - Around the World in 8 Seconds - são mesmo um deleite para nossos olhos e almas - e os seus haicais - encantados. Obrigada, Beto. Sei que seu habitat natural é a prosa mas são tão tênues estes contornos, que se você não era, agora é - poeta.
26/05/2010
(XIII)
etérea
a ponte que atravesso
um passo
entre o papel em branco
e o verso
um risco
(na ponta do lápis)
a ponte que atravesso
um passo
entre o papel em branco
e o verso
um risco
(na ponta do lápis)
25/05/2010
dois poemas de Adriano Nunes*
"Depois de horas"
Ponte para o horizonte,
Ponte para estar longe,
Ponte pra mais além.
Agora me desperto
Para o verso - que medo!
Para o tempo - que tédio!
Para a vida - que dor!
Há silêncios revoltos
Em tudo: eis a minh'alma
A temer o papel
Em branco, mundos, lápis.
"vida-verso"
a vida é
nada, é tudo.
a vida é
todo o resto.
não me iludo.
nesta, o ver-
so. a vida é
tudo, é nada.
a vida é
o reverso.
que cilada!
Para Nydia Bonetti e Lou Vilela.
Agora me atravesso...Ponte para o horizonte,
Ponte para estar longe,
Ponte pra mais além.
Agora me desperto
Para o verso - que medo!
Para o tempo - que tédio!
Para a vida - que dor!
Há silêncios revoltos
Em tudo: eis a minh'alma
A temer o papel
Em branco, mundos, lápis.
"vida-verso"
Para Nydia Bonetti
resta o verso.a vida é
nada, é tudo.
a vida é
todo o resto.
não me iludo.
nesta, o ver-
so. a vida é
tudo, é nada.
a vida é
o reverso.
que cilada!
*Adriano Nunes, que matém o blog "quefaçooquenãofaço", é um super poeta, que em sua busca "pelo momento raro" nos tem brindado com poemas de alto nível, onde se percebe uma dor latente e uma angústia diante do tempo "que voa e fere feito bala perdida". Ter dois poemas a mim dedicados, um juntinho da Lou, poeta que admiro, foi uma alegria. Obrigada.
22/05/2010
21/05/2010
19/05/2010
(X)
vejo a montanha
e a mata
intocável
refúgio
de sagüis e bugios
entre nuvens e azuis
alheia
à cidade invasiva
difusa, resiste
uma águia
corta o silêncio
e dissipa a miragem
e a mata
intocável
refúgio
de sagüis e bugios
entre nuvens e azuis
alheia
à cidade invasiva
difusa, resiste
uma águia
corta o silêncio
e dissipa a miragem
17/05/2010
(IX)
árvores do quintal
da infância
revi vi
sumo nos olhos
saudade
é nódoa que não sai
(bananeiras mexeriqueiras)
da infância
revi vi
sumo nos olhos
saudade
é nódoa que não sai
(bananeiras mexeriqueiras)
14/05/2010
(VIII)
pirilampo é flor
que o vento soprou
estrela é bicho voador
posso ver bem claro
com meus olhos de inseto
fluorescências germinais
em seus azuis - o vento
espera
tempo de florescer
que o vento soprou
estrela é bicho voador
posso ver bem claro
com meus olhos de inseto
fluorescências germinais
em seus azuis - o vento
espera
tempo de florescer
10/05/2010
(VII)
preto no branco
os dias se repetem
no calendário
em frente
aos nossos olhos
vermelhos
domingos se destacam
festas
profanas e sacras
herege o tempo
ri de tudo
e passa
os dias se repetem
no calendário
em frente
aos nossos olhos
vermelhos
domingos se destacam
festas
profanas e sacras
herege o tempo
ri de tudo
e passa
09/05/2010
...
“O scrittore, con quali lettere scriverai tu con tal perfezione la intera figurazione qual fa qui il disegno(...) quanto più minutamente descriverai, tanto più confonderai la mente del lettore e più lo rimoverai dalla cognizione della cosa descritta. Dunque è necessario figurare e descrivere.”
Leonardo da Vinci

Leonardo_da_Vinci_Design_for_St_Anne
05/05/2010
03/05/2010
(IV)
01/05/2010
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