de passagem
Deito sempre entre duas e três horas da madrugada.
É sempre o melhor momento. É quando a vida aparece.
É quando ela volta sozinha ao lugar onde nasceu.
Sonho com uma cidade indistinta até me tornar rua.
Tenho tanto de você em mim que acredito ser você.
Um acorde flutua, aperto o parapeito até converter-me
em música e execução. Vejo o asfalto num relance.
Assim mesmo, num relance.
*Este é um poema do livro “Cidade Desaparecida", que
Lalo Arias lançou neste final de semana durante o Festival Literário da Mantiqueira em São Francisco Xavier. Tive o privilégio de ler em primeira mão e confesso – pura emoção. Acompanhei os poemas conforme publicados no
blog do poeta, mas a leitura de um livro no papel é uma outra história.
Costumo dizer que a poesia de Lalo não se lê simplesmente - se assiste - tão claros os cenários, os tons, os sons dos poemas. Impossível ficar indiferente. A cada leitura - uma fisgada, um aperto no coração. “Poesia que não toca fundo, não vale”. E a do Lalo toca.
Deixo aqui um fragmento do prefácio escrito por Nilo Oliveira:
“O Lalo Arias está longe de ser um escritor de primeira viagem. Muito pelo contrário. Cada um dos seus poemas demonstra, nas entrelinhas, um vasto conhecimento não só dos cenários, mas também dos habitantes deste planetinha azulado e de suas órbitas tontas – este “porco-espinho a rolar sobre si mesmo”, como muito bem o definiu Gregório de Mattos Guerra – escritor que inaugurou, no Brasil, uma linhagem poética avessa ao “beletrismo”, aos panos quentes de retalho acadêmico – linhagem da qual, ouso inferir, o Lalo faz parte”.
Mais notícias e informações sobre o livro e o poeta, vocês encontram no blog
LALO ARIAS.