cães
poeira
céu de sol
se pôr
in termináveis
dias
hoje
[... dor de dente
*rodrigo de souza leão
31/08/2010
30/08/2010
29/08/2010
textura de vento e flor
ando em busca
dos véus
que nos desnudam
e dos vestidos
que nos despojam
ando em busca
dos panos etéreos
que nos revelam
textura de vento
e flor
dos véus
que nos desnudam
e dos vestidos
que nos despojam
ando em busca
dos panos etéreos
que nos revelam
textura de vento
e flor
28/08/2010
sibilos e tramas nos olhos da noite
27/08/2010
geografias
no território imperfeito
em que habitamos
a pele é fronteira
afetos são águas que fluem
em fios
ou caudalosos rios...]
ausências
[...profundezas abissais
memórias são trilhas
que a mata densa e invasiva
da vida cotidiana
encobre lentamente
em que habitamos
a pele é fronteira
afetos são águas que fluem
em fios
ou caudalosos rios...]
ausências
[...profundezas abissais
memórias são trilhas
que a mata densa e invasiva
da vida cotidiana
encobre lentamente
26/08/2010
poema*

Drummond
poema
mais do que rito
é ato
de coragem
e profissão de fé
*Depois de ouvir depoimento de Augusto de Campos a Edson Cruz, aqui, na TV Cronópios.
25/08/2010
dois poemas de Jorge Elias Neto*
A poesia começa assim
Emprenhar-se de miudezas;
deixando as mãos rendidas aos gestos costumeiros.
E, quando a luz se aperceber, desmembrada
pelo estalo da palavra,
---------jogar-se nos trilhos
-----------------para salvar a flor.
Pastora
Filha, não te embriagues com teu nome.
Passa tardes tosquiando nuvens;
sê cortesã do Sol.
Destila histórias.
Besunta, cada mão, com momentos
e molda tua vida com simplicidade.
Emprenhar-se de miudezas;
deixando as mãos rendidas aos gestos costumeiros.
E, quando a luz se aperceber, desmembrada
pelo estalo da palavra,
---------jogar-se nos trilhos
-----------------para salvar a flor.
Pastora
Filha, não te embriagues com teu nome.
Passa tardes tosquiando nuvens;
sê cortesã do Sol.
Destila histórias.
Besunta, cada mão, com momentos
e molda tua vida com simplicidade.
*do livro Rascunhos do Absurdo - em que "o poeta sente o absurdo do tempo humano", tem consciência plena dos "gestos costumeiros", ainda assim "se lança ao chão para salvar a flor". Em Rascunhos do Absurdo, a poesia parece vir num crescendo, da suavidade do Livro de Notas até explodir em Gaza e depois, a redenção, na belíssima homengem a Marvilla - puro encantamento. Mais do poeta, aqui, no estalo da palavra.
24/08/2010
overdose de lua
23/08/2010
22/08/2010
callas
21/08/2010
das inconclusões
de onde o quebranto que transforma
o sentir em palavras
e a alquimia antiga que transmuta
a palavra em outro sentir
olhos ou coração
decodificam o verso e o traduzem
pedra filosofal é o verbo
ao mesmo tempo criador e criatura
a fonte a sede a água e a boca seca
mais do que susto o poema é loucura
nos meus olhos vermelhos reflexos
ardem fogueiras
(e a grande obra ainda por se fazer)
o sentir em palavras
e a alquimia antiga que transmuta
a palavra em outro sentir
olhos ou coração
decodificam o verso e o traduzem
pedra filosofal é o verbo
ao mesmo tempo criador e criatura
a fonte a sede a água e a boca seca
mais do que susto o poema é loucura
nos meus olhos vermelhos reflexos
ardem fogueiras
(e a grande obra ainda por se fazer)
18/08/2010
vida que não

arte de leila pugnaloni
sopro
que se insinua
disfarce
traço intocável
insípido
ondas
que não vão dar
no mar
mira
que não se almeja
alvo
que não se atira
vida
que não fulgor
17/08/2010
teatro da vida
Recebi uma homenagem linda no Teatro da Vida, de Lara Amaral, poeta brilhante, que com sua poesia que oscila entre o azul e o laranja, em suas infinitas nuances, que vão do azul celeste ao marinho abissal, do laranja amargo à lima doce da pérsia, nos encanta a todos. Obrigada, Lara. E como eu sempre digo: olhares atentos como estes é que fazem valer a pena seguir em frente neste "território de aventura" da poesia. Beijo grande!
16/08/2010
15/08/2010
recorrente
não quero mais falar do verso
não quero
mas vou falar do que?
se o verso é tudo que me resta
hoje
é tudo que me basta
é tudo
embora seja nada – ou quase
nada
não quero
mas vou falar do que?
se o verso é tudo que me resta
hoje
é tudo que me basta
é tudo
embora seja nada – ou quase
nada
14/08/2010
é verso só
do que não se contém
olhos de mar
os olhos do poema
nem sempre calmos
quando convulsos
bramem
o verso puro
(tsunami)
os olhos do poema
nem sempre calmos
quando convulsos
bramem
o verso puro
(tsunami)
13/08/2010
um "poema de cercania e longitude"
O poeta Assis Freitas - cujas palavras têm o dom de fazer clarear o dia, antecipar as flores e o canto dos pássaros - me dedicou um poema - aqui.
Obrigada, Assis! Que bom saber, que dentre estes teus 1001 poemas - todos belos - um deles foi pra mim. Abraço grande, com a minha admiração incondicional.
Obrigada, Assis! Que bom saber, que dentre estes teus 1001 poemas - todos belos - um deles foi pra mim. Abraço grande, com a minha admiração incondicional.
12/08/2010
que vale o verso
11/08/2010
que sei do verso
que gosto tem o verso
e que textura?
só sei da cor: vermelha
do coração na boca
da alma na palma da mão
e que textura?
só sei da cor: vermelha
do coração na boca
da alma na palma da mão
10/08/2010
uma entrevista e um poema
Caros, o poeta Hilton Valeriano publicou uma conversa nossa sobre poesia aqui, no Poesia Diversa e o poeta Julio Rodrigues Correia me dedicou um poema aqui, no Acroatico. Dois grandes amigos, dois belos poetas, dois blogs que pela qualidade se tornaram para mim leituras diárias essenciais. Obrigada Hilton, obrigada, Julio. Abraços!
09/08/2010
dezespelhos

Arte: YinXin
imenso o lago e eu
i(n) ma(r)gem plácida
o espelho d’água
desreflete meu rosto
nas águas profundas
há outros dezespelhos
onde talvez eu esteja
Obs: Amigos, inventei de fazer um blog rascunho e me perdi. Vou postar os poemas todos aqui e desativar o rascunho. Talvez alguns poemas se repitam, pois perdi mesmo o controle do que já foi postado. Aproveito para agradecer as leituras e comentários e mais uma vez repito: tê-los aqui é o que vale. Tenho lido vocês sempre, mas ainda sem condições de estar mais presente. Abraços!
08/08/2010
sereno
de onde me vem esta paz incomum que chega
assim
sem ser anunciada
nesta noite sem luz e fria
de onde, este perfume doce misto de lírio branco
e jasmim
e o som atávico do relógio da sala que antes rugia
hoje me embala
feito cantiga de ninar
tudo mais é silêncio e tudo é pleno
posso tocar a vida agora posso tocar
com as pontas dos meus dedos desenho na vidraça
um coração - sereno
onde mergulho e enfim
adormeço
assim
sem ser anunciada
nesta noite sem luz e fria
de onde, este perfume doce misto de lírio branco
e jasmim
e o som atávico do relógio da sala que antes rugia
hoje me embala
feito cantiga de ninar
tudo mais é silêncio e tudo é pleno
posso tocar a vida agora posso tocar
com as pontas dos meus dedos desenho na vidraça
um coração - sereno
onde mergulho e enfim
adormeço
07/08/2010
mais um poema de Else Lasker-Schüler
Reconciliação
Há-de uma grande estrela cair no meu colo…
A noite será de vigília,
E rezaremos em línguas
Entalhadas como harpas.
Será noite de reconciliação -
Há tanto Deus a derramar-se em nós.
Crianças são os nossos corações,
Anseiam pela paz, doces-cansados.
E nossos lábios desejam beijar-se -
Por que hesitas?
Não faz meu coração fronteira com o teu?
O teu sangue não pára de dar cor às minhas faces.
Será noite de reconciliação,
Se nos dermos, a morte não virá.
Há-de uma grande estrela cair no meu colo.
in Baladas Hebraicas, trad. de João Barrento, Assírio e Alvim
Há-de uma grande estrela cair no meu colo…
A noite será de vigília,
E rezaremos em línguas
Entalhadas como harpas.
Será noite de reconciliação -
Há tanto Deus a derramar-se em nós.
Crianças são os nossos corações,
Anseiam pela paz, doces-cansados.
E nossos lábios desejam beijar-se -
Por que hesitas?
Não faz meu coração fronteira com o teu?
O teu sangue não pára de dar cor às minhas faces.
Será noite de reconciliação,
Se nos dermos, a morte não virá.
Há-de uma grande estrela cair no meu colo.
in Baladas Hebraicas, trad. de João Barrento, Assírio e Alvim
06/08/2010
ópio

opium - YinXin
trago meu ópio pelos olhos - que nem mais vermelhos ficam
então flutuo no mar branco de entrelaçadas fibras
papyrus papel
onde navios são letras negras que me levam
depois retorno de mãos vazias e olhos vagos
onde flutuam peixes metafísicos metafóricos - que agonizam
nas águas barrentas do infinito cansaço
dos que navegam sem chegar
trago meu ópio pelos olhos - que nem mais vermelhos ficam
então flutuo no mar branco de entrelaçadas fibras
papyrus papel
onde navios são letras negras que me levam
depois retorno de mãos vazias e olhos vagos
onde flutuam peixes metafísicos metafóricos - que agonizam
nas águas barrentas do infinito cansaço
dos que navegam sem chegar
05/08/2010
sal da terra luz do mundo
Caros, quero convidá-los hoje a conhecer a revista Sal da Terra Luz do Mundo, de Ana Lucia Vasconcelos, jornalista, atriz, cientista política e uma super escritora, que mantém este "espaço de cobertura de eventos de arte- musica, erudita, jazz, teatro, dança, cinema, artes plásticas e literatura que acontecem na cidade; além entrevistas e perfis com escritores, diretores de teatro, cineastas, artistas plásticos, dramaturgos, músicos, dançarinos, e ainda reflexão sobre temas de cultura, todas as áreas do conhecimento humano, saúde integral, e espiritualidade". Um espaço realmente interessantíssimo, que vale a pena conhecer. Ana reproduziu lá minha entrevista a Marcelo Novaes (Bloco de Notas) e publicou alguns de meus poemas inéditos.
Detalhe que preciso compartilhar com vocês: Ana Lucia foi amiga íntima de Hilda Hilst e está concluindo um livro fantástico sobre a vida e obra desta que é, sem dúvida, uma das maiores escritoras brasileiras. Uma "não tão mínima" amostra está publicada neste ensaio no Cronópios e também no site de Ana. “um mergulho nos fascinantes mundos de Hilda”. Estão todos convidadíssimos.
Enquanto faço o verso, tu decerto vives.
(um dos versos de Hilda que mais gosto)
(um dos versos de Hilda que mais gosto)
obrigada, Ana! beijo.
03/08/2010
. . .
inventei teus olhos
e mergulhei
agora me afogo
não encontro a saída
não encontro
dos olhos que inventei
e mergulhei
agora me afogo
não encontro a saída
não encontro
dos olhos que inventei
01/08/2010
flor de marrakech
há um jardim qualquer
em qualquer canto
onde uma flor qualquer
brotou
de qualquer cor
de qualquer forma é flor
e eu a oferto
a quem souber cuidar
ou qualquer coisa
assim
(qualquer coisa)
em qualquer canto
onde uma flor qualquer
brotou
de qualquer cor
de qualquer forma é flor
e eu a oferto
a quem souber cuidar
ou qualquer coisa
assim
(qualquer coisa)
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