30/09/2010

...


------------coisa mais bonita
------------gente ou passarinho
------------ver fazer ninho

28/09/2010

um poema de Roseana Murray

A solidão passa pontual todas as tardes
Bonde azul sem passageiros
Rumo a lugar nenhum
E deixa na pele o desejo de outra pele...

Roseana Murray

+ - * X / ² = ? ! . . .

22 05 + 06 08 – 19 25 X 20 06
+ - * X / ² = ? ! . . .
que conta é esta que soma e diminui

eleva
multiplica e divide depois termina
e o resto
é um número de bronze
colado numa pedra

poesia?!

mata o mato
com mata

mato

tudo parece ter
seu lado

mata dor

erva daninha
flor

27/09/2010

...

não força a vida, filho
absoluta
ela acontece
(ou não)
alheia aos nossos sonhos

angulares

no caminho de pedras
há muitas
pedras
nem todas são
roladas
angulares muitas
resistem
em arestas e pontas
[... meus pés descalços
as encontram

25/09/2010

cinco poemas de Geraldo Barros

I.

sinto um rio
se despreguiçando
em meu peito
quando os meus olhos
abrem a manhã
nos seus

II.

é em mãos gentis
que o vento repousa
depois de um longo temporal

a poesia
escorre nos dedos

III.

quanto mais
esfrego a língua
num poema

mais ele mancha
minha alma

IV.

ando cheio
de tantos vazios
que uma hora
esse nada explode
e tudo vai acontecer

V.

tudo o que tocava umidecia
não sabia ela que dentro dela
corria um rio


O poeta Geraldo Barros percorre um caminho na poesia que me agrada muito. São poemas minimalistas, intimistas, quase epigramáticos, que possuem o que considero mais importantante na poesia - identidade. Sim - é possível reconhecê-los. Eu gosto demais... Especialmente destes, a mim presenteados. :) Obrigada Geraldo. São mesmo lindos. Beijos!

OBS: Pode haver melhor presente do que um poema?! Ganhei mais um :) E ele é azul... aqui:
uns cantares - no blog A ti, poesia do poeta Danilo de Abreu Lima, que acompanho e admiro desde os tempos do Overmundo. Obrigada, Danilo. Tua poesia me comove. Beijos!

24/09/2010

na estrada

olho cada semblante
que encontro no caminho
sinto por todos
imensa compaixão
irmãos nas dores
companheiros de estrada
sonho comum:
a vida
[... e o fardo
da humana condição

.
.
.

os lírios brancos
sob a árvore imensa
apascentam-me

(n.t.) Revista Literária em Tradução



(n.t.) Revista Literária em Tradução nº 1

Belíssima estreia da (n.t.), Revista Literária em Tradução, um empreendimento de Gleiton Lentz (editor), Roger Sulis (coeditor), Aline Daka (curadora) e Fedra Hinosa (consultora). Brilhantes traduções de poemas de Marina Tsvetaeva, Halina Poświatowska, Nâzım Hikmet e muito, muito mais. Um ótimo programa para o final de semana, uma revista que veio para ficar. Parabéns Aline, a você e a todos que participam deste projeto. Sucesso!

22/09/2010

depois, o canto

a cada dia que amanhece (dizem)
partem pássaros
dos infinitos ninhos dentro de nós
hoje, ainda de madrugada
um pássaro vermelho
atravessou meus olhos e foi
rumo ao dia de sol
(depois
... o canto)

21/09/2010

um poema de Ledusha Spinardi

Cristal na Neblina

A mínima idéia da tua presença expõe minha alma às curvas,
como a desfrutar silenciosa o frescor de pérolas no pescoço.
Ouço um por um os pingos além dos pássaros
no rastro recente da chuva.
Tímidas ainda ontem,
as rosas no aparador ostentam contornos carnais e tudo pulsa - volúpia
- na lisa luz da folhagem.
A mínima idéia da tua presença afia a lâmina
dos meus sentidos, o faro para analogias.
Ouço risos no meu sonho,
recrio teus olhos no escuro, vejo cristais na neblina
quando secretamente tua alma me visita.
Os cheiros que a chuva desprende,
tua voz na minha nuca, alinham-me à beira da glória.
Esculpirei o verbo para o que procuras?
Às vezes arde um sol sombrio
no cerne desse ofício, amar.
Conto horas fora do tempo e outras que adivinho nesta, exatíssima.
Como uma vírgula tua presença me devolve o verso,
eco de pétala no precipício.

* Ledusha com Diamantes - by Celso Fonseca and Ronaldo Bastos.

Sem dúvida, Ledusha Spinardi é uma das mais talentosas poetas e intelectuais da atualidade, e saber de seu imenso carinho pelos animais e seu empenho em favor dos bichinhos, só fez crescer minha admiração por ela. Um pouco mais da poeta aqui e aqui. beijo, Ledusha!

20/09/2010

rompantes

[... e de repente
a paz - das águas do lago
mergulha em mim

[inteira]

19/09/2010

setembros

o tempo
corrói a vida pelas bordas
insaciável
já devorou
mais da metade do que sou
[...ou do que fui?
e nos setembros
ele arranca pedaços
inteiros

quando setembro vier será outono lá mas a primavera romperá aqui
as flores do renascer
a alegria tomará o espaço onde a vida nos ensinará a amar a beleza
que nos transcenderá
não
o insaciável tempo não nos sacia a sede da beleza que nos trará
setembro a cada ano que está por vir
Nydia
o teu setembro é poesia...

Obrigada, Flávio. Tua poesia me faz feliz - Uma beleza... Beijos!

Flavio Miragaia Perri

18/09/2010

nanquin


sumi-ê-Rita Böhm

procuro no escuro – a palavra nova
tateio espaços
risco rasgo
não posso vê-las
tento tintas outras tons
texturas
na minha pele escrita
caneta tinteiro
mata borrão borracha
papel de arroz tão fino
requer cuidado.

O poeta Fouad Talal me dedicou um poema lindo no seu blog Verso de Cor, um espaço incrivelmente criativo, de um poeta que além de ser "todo coração" é puro talento. Todos convidadíssimos para o próximo vôo ao tempus fugit: utere! - que o tempo urge... e é preciso aproveitar o dia de sol. Obrigada Fouad, beijo!

17/09/2010

...

que dia estranho
tudo parece pouco
distante e raso

improvável segundo sol

olhando a cidade
vislumbrando as trevas
Jane Jacobs


se acaso
a boreal aurora dos tempos
não chegar
tão improvável o segundo sol

[... ocaso dos tempos]

16/09/2010

poliverso

1.
vai longe o tempo
dos poemas longos
versos conclusivos
começo
meio
fim

2.
busco por epigramas
o peso em gramas
de jardim
minimetrias assim
metrias  sim
não metrias

3.
o verso r a s g a d o
mutilad
         o
                      torto
completamente
a
  b
     s
         o
      r
  t
o

4.
o verso demente
o que diz sem dizer
nada
e o que não diz
tudo e nunca
é o lugar
deste meu poliverso
que um dia foi uni
agora já não
(até) mais ver

15/09/2010

véspera

espero
ainda
ver
da tua
mão
brotar
a flor

14/09/2010

primeiro azul

mantenho ainda
pendurada na parede
a lamparina azul

onde acendi (menina)
minha primeira fantasia

mimo



Recebi este prêmio do poeta Assis de Mello, o que me deixou muito feliz, admiradora que sou da sua exuberante e refinada poesia. Fazendo uso de uma linguagem absolutamente própria - e rara, o poeta se destaca e se impõe como uma das vozes mais brilhantes no cenário poético atual. Obrigada Chico!

Tenho sempre muita dificuldade em escolher meus indicados, então ofereço este prêmio (que costumo chamar de "mimo") a todos os poetas blogueiros que caminham juntos por este território admirável da poesia. Beijos!

13/09/2010

congadas violas e estradas

som de viola
canto de pássaros
e o vento
[...o vento
espadas de madeira
que se tocam
no ar
o ritmo nos pés
e a cantoria
que ecoa
e faz sorrir
o São Benedito
na memória sonora
inteira
minha infância
diante
dos meus olhos
estrada de terra
[... batida e longa
se afunila
e muito além
das incontáveis
porteiras
quase
no infinito
tudo
desaparece

12/09/2010

cenário


Drue Kataoka

pedaço de céu
entre nuvens cinzas

derrama

c-h-u-v-a---d-e---l-u-z

holofote de sol

que branco
brinca de lua cheia

obsidiana

estilhaços de noite
penetram nos meus olhos
já tão escuros

houvesse ao menos lua
[...lascas de prata

10/09/2010

bando


mallard_moon

quem amordaça
o pássaro que canta
e aprisiona
o vôo?
o rubro tom
e o brilho dos rubis
quem pode ofuscar?
nossos vestígios
passos, cantos
pensamentos
haverá quem apague?
dispersará o bando
que de fênix a alma
do fogo herdou
a chama e o ímpeto
do eterno renascer?

09/09/2010

urbanas heras

caligráfica ilusão - grafite
urbanas heras

território de aventura

onde o muro é apenas suporte
não fronteira do absurdo

08/09/2010

palavra escrita

lembra
quando tudo
era começo
e o fim
palavra não dita
hoje
começo é lugar
distante
e o fim
palavra escrita
(tatuagem
catártica)
na pele
do instante

07/09/2010

criatura

mas de mil vezes
te criei
não te fizeste

insistes em não ser
já nem te sopro

06/09/2010

Coleção Orpheu


A coleção Orpheu da editora Multifoco é um selo voltado para a poesia brasileira, que se propõe através de um processo de pesquisa cuidadosa, buscar o poeta e sua poesia. Exatamente como Orpheu buscou Eurídice, sair à procura de poetas, inéditos ou não, que mereçam vir à luz, através do livro. E com esta multiplicidade de vozes, traçar uma linha harmônica audível, do panorama atual da nossa poesia. Aqui, os Lançamentos. Imperdíveis.

05/09/2010

olhos de esperar ventania

nos meus olhos miúdos
onde um dia brotaram flores
in_contidas

onde pousaram pássaros
i_nesperados

urge outra vez ventania
a soprar gravetos

que restituem ninhos
ao primitivo estado de graça

04/09/2010

do inevitável

na órbita
dos nossos sonhos
havia
um planeta vermelho

colisão inevitável

terra vazia
[...estrela cadente

chama azul

ausências são fogueiras
onde se atiram trapos
que se incendeiam

[... chama
azul
autocombustão

turbulenta e completa
solidão...]

02/09/2010

... de primavera quase

moram peixes azuis
no fundo dos meus olhos
quando miram o céu

[... de primavera quase

01/09/2010

movimento e não



garças brancas
sobre o lago

impassível

- movimento
e não

tudo

na natureza
se equilibra
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