mas para onde foi a menina que fui?
tenho dela apenas um retrato
desbotado
um sorriso não decifrado
e os olhos longe
que ainda não se sabiam
míopes
31/05/2011
28/05/2011
rio breve de não chegar:- olhos que marejam
de não amor
(amargo rio)
que ainda cisma:- mar
de não amor
(amargo rio)
que ainda cisma:- mar
sinais:
releitura
27/05/2011
25/05/2011
21/05/2011
19/05/2011
18/05/2011
15/05/2011
13/05/2011
09/05/2011
08/05/2011
um poema de GIANNIS RITSOS (I)
GRECIDADE
I
Estas árvores não sossegam com menos céu,
estas pedras não sossegam sob passos estrangeiros,
estas faces não sossegam a não ser sob o sol,
estes corações não sossegam a não ser com a justiça.
Εsta paisagem é dura como o silêncio,
cerra no seu seio suas rochas incandescentes,
cerra na luz suas oliveiras órfãs e suas vinhas,
cerra os dentes. Não existe água. Somente luz.
O caminho perde-se na luz e a sombra do curral é ferro.
Marmorizaram as árvores, os rios e as vozes calcinados pelo sol.
A raiz tropeça no mármore. Os lentiscos empoeirados.
A mula e a rocha. Ofegam. Não existe água.
Todos têm sede. Há muito tempo. Todos mascam um bocado de céu sobre sua amargura.
Seus olhos estão vermelhos da vigília,
um vinco fundo acunhado entre suas sobrancelhas
como um cipreste entre duas montanhas no pôr-do-sol.
Suas mãos estão coladas no rifle,
o rifle é uma extensão das suas mãos,
Suas mãos são uma extensão das suas almas -
têm sobre seus lábios a ira
e no fundo dos seus olhos a mágoa
como uma estrela em uma fossa de sal.
Quando apertam as mãos o sol surge para o mundo,
quando sorriem uma pequena andorinha foge-lhes das barbas selvagens,
quando dormem doze astros caem dos seus bolsos vazios,
quando se matam a vida segue adiante com bandeiras e tambores.
Há tantos anos todos têm fome, todos têm sede, todos se matam
sitiados por terra e mar;
O calor devorou seus campos e a salinidade regou suas casas,
o vento derrubou suas portas e as poucas primaveras da praça,
pelos buracos dos seus sobretudos entra e sai a morte,
suas línguas são acres como o fruto do cipreste;
seus cães morreram abraçados nas suas sombras;
a chuva bate nos seus ossos.
Em cima das guaritas petrificados fumam o estrume e a noite
mantendo um olho no mar enfurecido onde afundou
o mastro quebrado da lua.
O pão acabou, as balas acabaram,
agora carregam seus canhões somente com seus corações.
Há tantos anos sitiados por terra e mar,
todos têm fome, todos se matam e ninguém morreu -
Em cima das guaritas brilham seus olhos,
uma grande bandeira, um grande incêndio rubro
e cada alvorada milhares de pombas fogem das suas mãos
para as quatro portas do horizonte.
07/05/2011
06/05/2011
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03/05/2011
02/05/2011
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