ser como um cão
adormecer
na rua
no asfalto quente
sob um céu
infinitamente
azul
cúpula perfeita
onde meu Deus
habita
31/08/2011
28/08/2011
24/08/2011
19/08/2011
18/08/2011
na trilha dos moinhos de vento
fecho as janelas do dia
tantas janelas
que as cortinas dos meus olhos gastos
perderam as contas
montanha
e pôr-do-sol
tatuados nas retinas
(que sóis nascentes vi tão poucos)
e a noite faz ruir janelas
cortinas
montanha e pôr-do-sol
meus olhos
a noite faz ruir o nada que restou
dos dias
tantas janelas
que as cortinas dos meus olhos gastos
perderam as contas
montanha
e pôr-do-sol
tatuados nas retinas
(que sóis nascentes vi tão poucos)
e a noite faz ruir janelas
cortinas
montanha e pôr-do-sol
meus olhos
a noite faz ruir o nada que restou
dos dias
16/08/2011
descompostas palavras
tipologia estranha
comuns
tipologia estranha
comuns
lugares
componentes singulares
paradoxos
paradoxos
híbridas como a arte
arame e papelão
laminadas telas
estuques
variedades cromáticas
transparências
variedades cromáticas
transparências
no espaço fragmentado
da minha poesia
flutuam
objetos
evidências
da minha desconstrução
sinais:
Kalahari
12/08/2011
ao deixar sua terra sabia
que era pra não voltar
todo exílio é afronta
e corte
que jamais cicatriza
pele que sangra herança
que trago nos olhos
ele voltou
quis morrer sozinho
numa terra
que já não era sua
(já não tinha mais terra)
e ficou por lá
virou pó sob pedra
a mesma
que o manteve e o matou:– flor
nenhuma
alguma prece
que era pra não voltar
todo exílio é afronta
e corte
que jamais cicatriza
pele que sangra herança
que trago nos olhos
ele voltou
quis morrer sozinho
numa terra
que já não era sua
(já não tinha mais terra)
e ficou por lá
virou pó sob pedra
a mesma
que o manteve e o matou:– flor
nenhuma
alguma prece
10/08/2011
09/08/2011
exercícios de abandono
hoje o desejo de silêncio é maior
do que qualquer palavra
e impede
toda e qualquer tentativa
de revolução ou resistência
se entrega
em resignada apatia
à tortura silenciosa
dos que se perdem no caminho
sem chance
de retorno ou recomeço
nenhuma força
para o próximo passo
abre-te chão me traga
faz de mim o nada - que sempre
fui
tenta gritar mas a voz
lhe falta
não há saída - a vida lhe nega
a vida
do que qualquer palavra
e impede
toda e qualquer tentativa
de revolução ou resistência
se entrega
em resignada apatia
à tortura silenciosa
dos que se perdem no caminho
sem chance
de retorno ou recomeço
nenhuma força
para o próximo passo
abre-te chão me traga
faz de mim o nada - que sempre
fui
tenta gritar mas a voz
lhe falta
não há saída - a vida lhe nega
a vida
sinais:
exercícios de abandono
04/08/2011
vaso verso
ratos rondam a última flor
do lago
(pelas bordas)
enquanto peixes
a devoram pelas raízes
com meus olhos muranos
resgato e replanto
a flor
nesse vaso verso tão
pequeno
do lago
(pelas bordas)
enquanto peixes
a devoram pelas raízes
com meus olhos muranos
resgato e replanto
a flor
nesse vaso verso tão
pequeno
02/08/2011
EUTOMIA
Amigos, acaba de sair a nova edição da Revista OnLine de Literatura e Linguística - EUTOMIA, onde alguns dos meus poemas foram publicados. Criada pelo Departamento de Letras da UFPE, visa o debate crítico, a reflexão teórico-crítica e a abertura de canais de articulação com a comunidade literária. Tem como Editora Chefe, Sueli Cavendish.
Online desde 2008, recebe artigos, ensaios, resenhas e traduções, em teoria literária, crítica literária e linguística; e está aberta também à produção ficcional – contos e poemas.
Maiores informações sobre a revista, AQUI. Realmente um belíssimo trabalho, sob o comando de Sueli Cavendish e de toda equipe, formada por professores da UFPE e também por professores e pesquisadores de outras universidades do Brasil e do exterior.
o velho tema
salgado mar
haverá tempo ainda?
deliram
naufragados navios
em seus túmulos
de silêncios e corais
sonhando
improváveis resgates
velas e ventos
cais
haverá tempo ainda?
deliram
naufragados navios
em seus túmulos
de silêncios e corais
sonhando
improváveis resgates
velas e ventos
cais
sinais:
comuns lugares
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