30/09/2011

volta a mergulhar no vazio
ainda mais fundo
suporta
cada vez mais
tempo
submerso
um dia vira peixe
e não
retorna
à superfície
na noite abissal
seu habitat natural, talvez
se encontre

29/09/2011

torto, pende para a rua
(num grau absurdo)
o pé de goiaba
que ninguém plantou
parece seguir
desafiando a lógica
de existir

28/09/2011

triste feito um pato
quero não caminhar no pasto
quero sim
mergulhar no lago
o prado
não é pra mim
tenho asas mas amo as águas
mergulho

24/09/2011

a voz do homem grita — pedra
a rocha ecoa — sal

no coral dos aflitos — estratos
minerais

silícios cristalinos
octaedros azuis

lâmina

e

corte

areias incontidas
por incontáveis mãos

espuma

e

vento forte

23/09/2011

acordou tarde demais
quase noite
e era este o último sol

20/09/2011

canto:-
a palavra que se desprende
do céu da boca

19/09/2011

e finalmente Minas
estava lá

nossos velhos todos
nomes de rua

nos olhavam passar

15/09/2011

Um Poema Visual de Constança Lucas


























Postal com um Poema Visual da Constança Lucas. Acabei de receber. Lindíssimo. Grata Constança. Teu trabalho é mesmo fascinante. E esse frasco de "coisas" faz pensar... Abraços!

14/09/2011

pássaros em fuga
rumo ao pôr do sol:- os dias
voam
no deserto hodierno
linguagem é esfinge
autofágica
que a si mesma
se decifra
e se devora

11/09/2011

o planeta apodrece
passou do verde à decrepitude
sem conhecer o gosto doce
da alegria madura
talvez sejam apenas
meus olhos
secos
deturpada visão
no deserto cotidiano
o que impeça o vislumbre
da imensa
e generosa árvore
da vida possível
ouço pássaros, não posso vê-los
serão necrófagos ou sabiás
laranjeira?
sinto cheiro de mel

09/09/2011

o mundo atônito - fogo no céu
no arranha-céu
arranha céu
e terra
não mais o mesmo
céu
a mesma terra
os mesmos homens - não mais

*

o medo
é a bomba que corrói
sufoca – paralisa – cala
implode

o ódio
é a bomba que destrói
devasta - dilacera – grita
explode

*

o ódio cega - o medo seca
o ódio inflama - o medo murcha
o ódio queima - o medo é cinza

*

o ódio
é mais forte do que o medo

porque mata e depois
mata de medo

*

na terra desolada, passeiam juntos
até que morram

pois que um dia - medo e ódio
terão fim
lonjuras distâncias longitudes:- espaço
entre dois nadas ... se afasta
já nem se lembra do que um dia:- cais
o mar
o sal
o mar
o sol
o mar
e nenhuma vontade de retornar
adormecidas mãos que se desprendem
da tábua em que flutua

07/09/2011

rebelados bichos de dentro de mim
me arranham
nenhum deles sou eu
hospedeiro
animal estranho
engolidor de luas
auroras
e campos de flores
predador de sóis poentes
seres que voam
— onde? os outros da minha espécie

05/09/2011

onde mora a palavra não dita
e não escrita
(nenhuma luz)
lugar
de onde não se retorna
super massiva estrela
que agoniza
não silenciar
pois que canto jamais
English French German Spain Italian Dutch Russian Japanese Korean Arabic Chinese Simplified