30/11/2011

no espaço fragmentado da minha lucidez
cabem verdades
poucas
e um espanto do tamanho do mundo
cabem também silêncios
muitos
e algumas palavras
pequenas
que ousam
enfrentar os espantos
guerrilhas
brilho nos olhos são reflexos - e o verso

28/11/2011

pessoas passam por mim
caminhando lento
todas
carregam mundos
nas costas
vergam
por que pesa
o mundo
nas costas
só os pequenos
caminham leve
segurando
pelas mãos
o barbante esgarçado
do mundo balão

24/11/2011

estranha tarde
sem rumo sem meta
sinal ou seta
sequer estrada
e um desejo absurdo
de caminhar

20/11/2011

do trigo não plantado
fez-se o pão
das misérias

do pão não repartido
fez-se o gueto

do gueto ignorado
fez-se o ódio

do ódio incontido
a violência

da violência bruta
 fez-se o medo

do medo escancarado
fizeram-se
as prisões

tijolo por tijolo
 muros trágicos

18/11/2011

Meus poemas n'O BULE










Um prazer estar n'O BULE. E em tão boa companhia. Grata Geraldo. Abraço!

Nessa mesma edição, poemas de Claudio Daniel e Paulo Kauim.

16/11/2011

caminho queimando meus pés no tempo
que se fez pedra

arestas que se encaixam precisas

nenhum vão

daninha
a erva não vai nascer

nem a flor

15/11/2011

éramos jovens
havia uma maçã – vermelha
era um tempo
em que as maçãs eram todas
vermelhas
pequeno sóis sem
sementes
ardiam
era tempo de sol – vermelho
éramos sóis
maçãs
e o tempo não havia
mas isso já faz tanto - tempo

14/11/2011

como se o tempo fosse um bicho
uma fera do pântano
agarro-o pelas crinas
ele se vira e me olha
com seus olhos de lava e cinzas
dragão
ressurgido dos escombros
(ancestral
das aves que renascem
para morrer todos os dias
ao por do sol)
autofágica criatura
ruminante de asas
tritura gente e flor e pedra e bicho
que encontra no caminho
bulêmico — regurgita pedaços
acende a pira
onde tudo arde e finalmente
num gran finale trágico
previsível e recorrente — se atira
e então — tudo é noite

11/11/2011

tudo que quero é caminhar em paz
embora
já não existam ruas
e a cidade
apenas
uma miragem que se dilui
ao cair
das tardes

10/11/2011

de tudo que a vida oferece
pra saciar as sedes
sorvi
tão
pouco
mas tenho
os pés
fincados no riacho - acho
que virei árvore

08/11/2011

rumores
ecoam as águas
no pé da montanha
sonhando
vertigens

05/11/2011

asas
que te quero
céu

04/11/2011

As Mulheres Poetas na Literatura Brasileira

O poeta Rubens Jardim, tem publicado em seu site uma série interessantíssima, intitulada "AS MULHERES POETAS NA LITERATURA BRASILEIRA", e foi com grata surpresa e alegria que vi meu nome citado ali, entre essas mulheres poetas que admiro, no espaço deste que considero um grande poeta. Super obrigada, caro Rubens. Foi mesmo uma emoção. Abraços fraternos!

02/11/2011

a solidão é fera
já não domesticável

: resta contê-la

eu, com meus versos
a cerco

01/11/2011

milenar  cansaço
sete mil sóis sobre sua cabeça
a r d e m - sente sede
pesam mundos nas costas
m u t a n t e - rumina o capim seco
remoído há séculos
dromedária sina - m o r m a ç o
vento nenhum
d .e. s. e. r. t. o
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