21/02/2012

a cidade cresceu
além dos limites da minha infância
subiu montanhas
engoliu pastos e bois
secou
pequenos lagos
calou
corujas e sapos
apagou vagalumes
derrubou árvores
arrancou
roseiras e pomares
bulêmica
a cidade vomita
saudade
do chão de terra que já não se vê

7 comentários:

dade amorim disse...

As cidades abandonam nossa infância.

Beijo, querida Nydia.

Fabrício Franco disse...

Nydia,

... A minha cidade também rompeu os limites da minha infância. Não mais a reconheço, ainda que vomite "saudade do chão que já não se vê".

Lindo o poema!

Abraço!

Samara Bassi disse...

minha cidade é um milenar
um secular compor de tesouros
restauráveis
em cada um dos meus dias
mas tão amarelados como
os ontens pendurados nos varais
daquelas estradas de paralelepípedos
e livros de contos de fadas.

Beijos, Nydia querida
Sam

carmen silvia presotto disse...

E que o canto poético possa regar um pouco ds infância perdida sempre... beijos Nydia.

Sempre carinho e bom retorno de carnaval.

Carmen.

Aureliano disse...

Nydia,

Verdade. As cidades vão ficando como fotografias do passado. Saudosas de coisas pueris, de simplicidades.

Abraço,

Aureliano.

MIRZE disse...

Não gosto desse crescimento desenfreado.

Lindo e realseu poema!

Beijos

Mirze

absentista disse...

Sua escrita é molesta; contudo, há algo alguma música nela, que nos faz reconsiderar.

Leia-nos.

José Caetano em nome dos poetas absentistas.

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