Quando vierem os pássaros do silêncio
pedirei que cantem e que se alojem
entre os gravetos.
Somos frutos da mesma dor.
Tememos o esquecimento. Na minha blusa falta
um botão. Tecido em que tear a trama que nos
faz sangrar? Sobre a cadeira jazem feridas
cordas de um violino.
Tripas.
Convulsas entranhas. Vou abrir as janelas.
Por quê? Não ouço mais os pássaros do silêncio
asas de cambraia. Feito as cortinas.
As paredes estão mortas.
Caiadas.
Um Paganini solitário descansa, distante
pendurado num prego enferrujado. Alto relevo.
Há uma conspiração lá fora. Fecho as janelas
e ouço. O piar de corujas.

A obra 