para Nydia Bonetti
Tinhas o coração de pedra e pétalas,
por trás do muro onde moravas só,
levando a cada canto uma indiscreta
timidez, convertida em sombra ao sol.
Teu silêncio, pesado, era a secreta
vida de tua máquina monstruosa
vibrando cada letra antiga e velha
até fazer do espírito teu pó.
Os óculos maduros, a armação
escura, o corpo de osso em carne branca,
a lágrima, tão seca e dura – pedra.
Tinhas o coração nalgum lugar
da casa, atrás do muro, onde pulsavam
bichos como lagartos. Como abelhas.

A obra 