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4 de set de 2009

cavalos de terra

na parede branca do meu quarto, moram dois cavalos
há anos que me olham com seus olhos mansos e opacos

rédeas esticadas, empoeiradas , não os afetam
as folhas miúdas no alto relevo, não morrem

lembro das mão fortes do meu avô modelando o barro
sinto o cheiro da argila, dos panos molhados, da oficina

lembro dos arames, dos velhos cinzéis, das espátulas
vejo claramente o esboço desenhado no papel canson

relincham de saudades os cavalos de terra da minha infância
me agarro às suas crinas, deixo que me levem ao sabor do vento
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