Caminho pela ruas da cidade
mas não estou aqui.
Meus pés estão.
Eu não.
Meus olhos não estão.
Estão olhando a terra quando
a terra ainda era azul.
Olhando os lírios brancos que
pendiam ternos para as águas
que ainda eram claras
e já não são.
E havia peixes muitos
mundos tantos que já não há.
As amoras vermelhas
que caiam sobre o rio
tingiam de vermelho as águas
que eram doces doces de algodão.
Porque haviam painas que voavam
sopradas pelo vento que era puro
puro sopro de vida.
Que já não é.
Meus pés seguem em frente
pois há muito que caminhar.
Os meus olhos encontram
um pequeno barco de papel.
Que atirei na enxurrada
quando as chuvas inda eram
águas do céu.
O céu que era azul
e as nuvens que eram brancas.
Depois havia um sol.
Uma réstia de sol que me desperta
e me faz retornar.
Caminho pelas ruas da cidade
e agora estou aqui.
Os meus olhos vermelhos
de saudade ou de fuligem
já não importa mais.
Que importa ter os olhos claros
quando a vida já não é.