15 de jun. de 2016

Cuaderno Ático - Revista de Poesia

Um dos meus poemas aqui:

8 de ago. de 2015

Porque a literatura jamais se cala

Antologia Poética 29 de Abril O Verso da Violência



poesia
adelaide do julinho + ademir demarchi + adriane garcia + albertina laufer + ale safra + alex dias + alvaro posselt + amanda vital + angel cabeza + antônio lazzuli + assis de mello + beatriz bajo + camillo josé + carla diacov + carlos alberto muzille + carlos eduardo bonfá + carvalho junior + cel bentin + claudio daniel + donny correia + ellen maria + fabiana motta + felipe magnus + fernanda fatureto + gabriel felipe jacomel + geraldo witeze jr. + greta benitez + gustavo petter + helvio campos + homero gomes + ikaRo maxX + isabela romeiro vannucchi + ivan justen santana + izabella zanchi + josé aloise bahia + josé antônio cavalcanti + jovino machado + jr. bellé + leonardo chioda + líria porto + lisa alves + lívio oliveira + lubi prates + luciana cañete + luiz roberto guedes + maíra ferreira + marcelo adifa + marcelo ariel + marcelo de angelis + marcelo sandmann + marcelo vieira ribeiro + marco aurélio de souza + mariza lourenço + micheliny verunschk + miriam adelman + norma de souza lopes + nuno rau + nydia bonetti + pablo morenno + priscila merizzio + ricardo aleixo + ricardo escudeiro + ricardo silvestrin + robisson albuquerque-sete + ronald augusto + rosane carneiro + samantha abreu + sérgio fantini + silvana guimarães + stefanni marion + tarso de melo + tere tavares + thiago dominoni + thiago ponce de moraes + vasco cavalcante + waldo motta + wender montenegro + william zeytounlian + yuria santamaria pismel + ziul serip

apresentação/antologia
daniel faria

apresentação/depoimentos
célia musilli

depoimentos
alice ruiz + amabilis de jesus + caetano zaganini filho + christine vianna + claudio de assis da cunha + francis de lima aguiar + francisco soares neto + ícaro moura + josé melquíades ursi + rafael kenji kuriyama + sérgio daguano + thiago dominoni

fotografia
brunno covello + lina faria

diagramação/projeto gráfico
bruno palma e silva

colaboração
lubi prates

organização
domenico a. coiro + mar becker + priscila merizzio + silvana guimarães

4 de jul. de 2015

Exposição Poesia Agora, no Museu da Língua Portuguesa

Todos convidados para a exposição Poesia Agora, no Museu da Língua Portuguesa, aberta ao público até o final de setembro.

A exposição abarca diferentes aspectos da poesia de hoje. Meu poema estará na ala intitulada "Livros". Serão 8 sábados de apresentação que serão ótimas oportunidades de encontro.

Grata, Yassu Noguchi e Lucas Viriato. Uma alegria imensa fazer parte desse projeto.

Segue a programação abaixo.
- 11 de julho de 2015 > CEP 20.000 – Coordenação Ricardo Chacal (RJ)
- 25 de julho de 2015 > Sarau da Patuá – Coordenação Eduardo Lacerda (SP)
- 01 de agosto de 2015 > ECO – Performances Poéticas – Coordenação Laura Assis (MG)
- 15 de agosto de 2015 > Labirinto Poético — Éber Inácio (RJ) + Monique Nix (RJ)
- 29 de agosto de 2015 > Slam Poesia Agora — Coordenação de Yassu Noguchi (vários estados)
- 05 de setembro de 2015 > Sarau Casa das Rosas – Coordenação Frederico Barbosa (SP)
- 19 de setembro de 2015 > Guardanapos Poéticos — Daniel Viana (SP) + Poesia Biossonora — Wilmar Silva de Andrade (MG)
- 26 de setembro de 2015 > Espaço Plástico Bolha — Coordenação João Moura Fernandes (RJ)

11 de abr. de 2015

BANQUETE POÉTICO: Nydia Bonetti

BANQUETE POÉTICO: Nydia Bonetti: 1. era manhã bem cedo e se julgava pássaro quando caiu a tarde se viu pedra (e sua cota era apenas um dia) vida de pedra deveria ter vi...

Poemas Nydia Bonetti - Portal Vermelho

Poemas Nydia Bonetti - Portal Vermelho

22 de mar. de 2015

Llibre del Tigre

Um dos meus poemas na revista sèrieAlfa.art i literatura © 1999-2015 - |, a cura de Joan Navarro. Gracias, Joan!

Llibre del Tigre

27 de dez. de 2014

eternidade — o nome
que buscava

— encontra

na miséria do instante
que agoniza

28 de nov. de 2014

Um poema de Lalo Arias

CARAVANA

Dani ensina psicologia
e faz poesia
de arrepiar
Waly descobriu que é músico
está indo bem
Tata dança faz joias roupas
desfila e encanta
não me canso de falar a respeito
Zeca dirige comerciais
desde Lisboa
e continua amando os velhos amigos
Hugo foi jóquei
caiu
quebrou três costelas
e continuou a montar
Ucha ensina culinária
têm duas filhas e uma neta
Zá organiza festas
têm duas filhas e uma neta
nós três nos amamos
Vera cuida da saúde de muitos
Ana viveu e subiu aos céus orando
por nós
Edson faz velhinhos mais felizes
Demétrio restaura preciosidades
Ricardón esculpe
Lalo escreve de madrugada
e cozinha durante a tarde
Cris faz massagem
iluminando a todos
Deva é um xamã
discreto
Nydia é engenheira
mas poeta
Edu edita e escreve

e os cães ladram

(lalo arias/novembro, 2014)

13 de nov. de 2014

Um extenso Continente - Antologia em homenagem à Antònio Salvado



Os duzentos poetas do Extenso Continente:

Abdssalam Kharraz (Marruecos); Agripina Costa Marques (Portugal); Aída Acosta (España); Albano Martins (Portugal); Alejandro Romualdo (Perú); Alexandre Bonafim (Brasil); Alfredo Pérez de Alencart (Perú-España); Alice Macedo Campos (Portugal); Alice Spíndola (Brasil); Álvaro Alves de Faria (Brasil); Álvaro Cardoso Gomes (Brasil); Amadeu Baptista (Portugal); Américo Rodrigues (Portugal); Amosse Mucavelle (Mozambique); Ana Maria Puga (Portugal); Ana Patricia Santaella Pahlén (España); Ana Pinto (Portugal); Ángeles Lence (España); António Arnault (Portugal); António Candido Franco (Portugal); Antonio Colinas (España); António dos Santos Pereira (Portugal); António Fontinhas (Portugal); António Graça de Abreu (Portugal); António Jose Queiroz (Portugal); António Lourenço Marques (Portugal); António Miranda (Brasil); António Ramos Rosa (Portugal); António Ribeiro (Portugal); António Vieira Pires (Portugal); Araceli Sagüillo (España); Arriete Vilela (Brasil); Assumpció Forcada (España); Astrid Cabral (Brasil); Aurelino Costa (Portugal); Aurélio Porto (Portugal); Barroso da Fonte (Portugal); Boris Rozas (España); Cândido da Velha (Portugal); Carlos Aganzo (España); Carlos Felipe Moisés (Brasil); Carlos Guerreiro Gallego (España); Carlos Lopes Pires (Portugal); Carlos Vaz (Portugal); Clauder Arcanjo (Brasil); Cláudio Lima (Portugal); Cláudio Willer (Brasil); Cristino Cortes (Portugal); Cyro de Matos (Brasil); Daniel Abrunheiro (Portugal); David de Medeiros Leite (Brasil); Delmar António Goncalves (Mozambique); Domingo F. Failde (España); Dolors Alberola (España); Elena Díaz Santana (España); Enrique Villagrasa (España); Enrique Viloria Vera (Venezuela); Ernesto Rodrigues (Portugal); Ernesto Román Orozco (Venezuela); Eugénio Beirao (Portugal); Fátima Pitta Dionisio (Portugal); Fernando Botto Semedo (Portugal); Fernando de Castro Branco (Portugal); Fernando Esteves Pinto (Portugal); Fernando Gil Villa (España); Fernando Grade (Portugal); Fernando J. B. Martinho (Portugal); Fernando Sabido Sánchez (España); Fina Rodríguez Palau (España); Floriano Martins (Brasil); Frank Estévez Guerra (España); Fulgencio Martínez (España); Gabriel Impaglione (Argentina – Italia); Gabriel Jiménez Emán (Venezuela); Gabriela Rocha Martins (Portugal); Gisela Ramos Rosa (Portugal); Gloria Sánchez (España); Gonçalo Salvado (Portugal); Guillermo Juan Ibañez (Argentina); Helena Villar Janeiro (España); Inês Lourenço (Portugal); Isabel de Rueda (España); Isabel Leonor Forte Salvado (Portugal); Isabel Mendes Ferreira (Portugal); Isabel Miguel (España); Isabel Pavón (España); Ivan Ribeiro (Brasil); Ivo Machado (Portugal); Ivo Miguel Barroso (Portugal); Javier Alcains (España); Javier Burguillo (España); Jean-Paul Mestas (Francia); Jesús Fonseca Escartín (España); Jesús Losada (España); Joana Lapa (Portugal); João Camilo (Portugal); João-Maria Nabais (Portugal); João Mendes Rosa (Portugal); João Rasteiro (Portugal); João Rui de Sousa (Portugal); João de Sousa Teixeira (Portugal); Joaquim Cardoso Dias (Portugal); Jorge Cadavid (Colombia); Jorge Fragoso (Portugal); Jose Agostinho Baptista (Portugal); José Amador Martín Sánchez (España); José Antonio Valle Alonso (España); José Carlos González (Portugal); José d’Encarnacao (Portugal); José do Carmo Francisco (Portugal); José Dias Pires (Portugal); Jose-Emilio Nelson (Portugal); José Félix Duque (Portugal); José Jorge Letria (Portugal); José Ledesma Criado (España); José Manuel Capêlo (Portugal); José María Muñoz Quirós (España); José Miguel Santolaya Silva (Perú); José Pulido (Venezuela); José Ribeiro Marto (Portugal); Juan Carlos López (España); Juan Rosco (España); Juan Ángel Torres Rechy (México); Juliao Bernardes (Portugal); Julio Vaz de Carvalho (Portugal); Leocádia Regalo (Portugal); Leopoldo López Samprón (España); Luís-Cláudio Ribeiro (Portugal); Luís Filipe Castro Mendes (Portugal); Luís Filipe Macariço (Portugal); Luis Frayle Delgado (España); Luis Guillermo Alonso (España); Luís Quintais (Portugal); Luís Serguilha (Portugal); Luísa Freire (Portugal); Luisa Ribeiro (Portugal); Luis-Claudio Ribeiro (Portugal); Magela Colares (Brasil); Manuel Barata (Portugal); Manuel Silva Terra (Portugal); Manuela Azevedo (Portugal); Marcelo Gatica (Chile); Margarita Arroyo (España); Maria Augusta Silva (Portugal); Maria José Leal (Portugal); Maria de Lurdes Hortas (Brasil); Maria de Lurdes Gouveia Barata (Portugal); Maria do Sameiro Barroso (Portugal); Maria Lucília F. Meleiro (Portugal); Maria Teresa Dias Furtado (Portugal); Mariana Ianelli (Brasil); Mário Helio (Portugal); Marta López Vilar (España); Máximo Cayón Diéguez (España); Miguel Aguilar Carrillo (México); Miguel Serras Pereira (Portugal); Miguel Veyrat (Espanha); Nicolau Saião (Portugal); Nydia Bonetti (Brasil); Óscar Rodríguez (España); Patricio González (España); Paulo de Tarso Correia de Melo (Brasil); Paulo Jorge Britto e Abreu (Portugal); Paulo José Miranda (Portugal); Pedro Saborino (Portugal); Pedro Tarquis (España); Péricles Prade (Brasil); Raúl Vacas (España); Remo Ruiz (España); René Arrieta (Colombia); Ricardo Gil Soeiro (Portugal); Ricardo Marques (Portugal); Ricardo Paseyro (Uruguay); Rizolete Fernandes (Brasil); Rui Almeida (Portugal); Rui Miguel Duarte (Portugal); Ruy Ventura (Portugal); Santiago Aguaded Landero (España); Santiago Redondo Vega (España); Saturnino Alonso Requejo (España); Sidney Rocha (Brasil); Soledad Sánchez Mulas (España); Sonia Luz Carrillo (Perú); Stella Leonardos (Brasil); Stefania Di Leo (Italia); Sylvia Miranda (Perú); Teresa Rita Lopes (Portugal); Teresinka Pereira (Brasil); Tereza Tenório (Brasil); Tiago Nené (Portugal); Tomás Acosta Piriz (España); Vergílio Alberto Vieira (Portugal); Verónica Amat (España); Victor Oliveira Mateus (Portugal); Wagner Ribeiro (Brasil); Wender Montenegro (Brasil); Xenaro Ovín (España); Xesús Rábade Paredes (España); Zé das Bercas (Portugal) y Zeilton A. Feitosa (Brasil).

19 de out. de 2014

eu vi as luzes brotarem da montanha antes do grande incêndio
e um halo de sol mergulhado nas cinzas
em plena madrugada
a dança dos vestidos sobre as pedras do rio
quando havia um rio
que se podia ver
da janela
[e que cantava
a música dos rios, de fazer dançar vestidos]
um grande rastro [vermelho] cortar o céu antes do amanhecer
eu vi
pude ouvir os cavalos relincharem na noite
cascos sobre as pedras
na rua deserta [fantasmas]
o arrastar de correntes
o estalo nas portas que nunca se fechavam, eu vi
os gatos no porão, as aranhas no forro e as pulgas no colchão
de mola
mas ninguém me falou do grande cão faminto
que mora nos relógios
das salas [feroz feito um lobo]
eu vi faíscas dos seus olhos de fogo, a casa incendiada
e as fotografias
implorei pelas chuvas que não vieram
era tempo de estio e a grande sede prestes a se instalar
na garganta


22 de set. de 2014

Três poemas publicados no Jornal O Dia, Teresina (PI)



Três poemas de Nydia Bonetti com imagem de Júlio Vieira, publicados no Jornal O Dia, de Teresina (PI), na coluna de Thiago E.

1 de ago. de 2014

há sinais no sol — convulso além da conta
na lua
tão perigosamente próxima
alucinado mar em ondas
gigantes
terra que geme e se contorce
homem que pisa e mata a flor
pequena
e sete mil espinhos estão em nossas mãos

15 de jul. de 2014

existe quando canta
por isso canta
pra existir
e morre
quando cala
[cada vez mais difícil
ressuscitar]

Essas Águas - Alguns dos meus poemas aqui:

13 de jul. de 2014

ferida da beleza
da sombra dos bambus
na lua cheia

24 de jun. de 2014

19 de mai. de 2014

a chuva. bate. no vidro. do quarto
. . . . . . . . . . . . . . . .anunciada presença
feita de vento e ruído
vindos de um templo suspenso – reluz
nos raios. de um sol. que insiste
em flutuar. do outro. lado — adjacente? oposto. latente
bola vermelha em línguas
. . . . . . .. .de fogo
. . . . . . . . . . . . . . . . .  .  . . halo e um arco
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . .  . . .   . .  íris

30 de abr. de 2014

Um poema de Mar Becker

para Nydia Bonetti


um poema

mínimo, manhã

de inverno

quase

de ninguém, quem sabe? pelo inverso

da pronúncia

pássaro

en passant

12 de abr. de 2014

cai o silêncio sobre a língua - ávida liga de chumbo quente
matéria prima de Gutenberg
de se forjar letras palavras idéias
transformadas em balas-armas quentes de se calar bocas
mas o silêncio grita e sai pelos olhos
de cada poro, gotas, de se molhar a terra
[dormem sementes]
tempo haverá em que tudo será pleno - e o pão será farto
homens de pedra sobre a chuva ácida
esperam

31 de mar. de 2014

Resenha do SUMI-Ê por Léo Prudêncio, publicada hoje no literaturabr.com

O sumiê é uma técnica de pintura japonesa do sec. XIV. Essa técnica possui influência ideológica do budismo, em que a essência deve ser buscada através pelo interior do ser. Na introdução do livro de Nydia Bonetti, lemos:

No Sumi-ê, a expressão livre surge através da cor da tinta negra dos movimentos do pincel, sob a inspiração do momento e não admite retoques. Há sempre uma profunda ligação desta arte com a natureza.

A ligação poética do livro com os elementos da natureza, além de singela, é bastante presente. O traçado simples e rápido de Nydia Bonetti, em seu livro de estreia, faz jus ao título Sumi-ê, editado pela Editora Patuá (2013).

No livro, a transitoriedade da vida humana é constatada em vários poemas, em especial no poema abaixo, pois se nota que embora a vida seja curta, haverá sempre a persistência da contínua existência, como também de manter a esperança sempre:

tronco
retorcido em securas
restam
folhas miúdas
num cacho
único
flores rosas
pendem
e denunciam: - a vida
resiste

A poeta utiliza-se da natureza como metáfora em sua poética. Ela encadeia semelhanças de atos humanos com a natureza, percorrendo temas como a solidão, o envelhecimento, a compaixão e a esperança. Nydia extrai da contemplação da natureza os elementos temáticos de sua poética.

quero estar só – me deixem
como aquela temporã

no galho

mais alto

As imagens pinceladas por Nydia trazem reflexões, que lembram as pinturas sumiês. O título do livro foi bem escolhido, pois as temáticas dessa arte japonesa de pintura percorrem por toda a obra. Os poemas do livro não são longos, são suaves e breves. Mas a brevidade de seus poemas causa variados devaneios sobre o mundo que o cerca. Por isso a necessidade de seus poemas curtos dominarem a página em branco, daí a necessidade do silêncio e da contemplação para o aprofundamento da leitura. Os poemas não seguem pontuação e nem são nomeados. O ritmo da leitura quem o faz é o próprio leitor, que participa da obra ao dar-lhe ritmo poético. A atual poesia não deve seguir rigidamente os tratados poéticos para a versificação, o traçado do lápis de Nydia é o guia-motor da sequência versificada. O poema inicial nos dá a pista para entender mais um pouco o livro:

Onde a montanha encontra a água
Nasce a flor

A água, fonte da vida, é a fonte inspiradora da poeta. A flor, filha sensível da terra, nada mais é do que o poema em si. Trocando em miúdos: a vida é a inspiração para o poema. A essência da vida, ou a busca dessa essência é outro elemento importante para a construção poética de Nydia Bonetti. O cuidado ao trabalhar certos temas, como as reflexões sobre o tempo, são pertinentes em seus poemas. A autora faz essas reflexões com o mesmo cuidado e precisão de um pintor de telas:

Árvore velha – a tua solidão sem asas
Me comove

A mesma comoção com o passar do tempo ocorre no poema da página seguinte:

No velho troco
O que parece ser flor – é fungo triste

Lágrima antiga

O tempo não é apenas algo corrosivo, desgastante e destruidor. Ele é tematizado com elemento de aprendizado. É importante sempre voltarmos ao conceito da pintura sumiê, pois essa arte japonesa é ponto crucial para entender a obra. Nessa arte japonesa, a concisão, o simbólico e a expressão do instante, são fundamentais, como também em vários poemas do livro de Nydia, em especial os poemas apresentados acima que tematizam a efeito do tempo. O poema abaixo transcrito é outro exemplo de um recorte simbólico e conciso:

o vento
so
pra da minha mão
a folha de papel
o vento

veio me dizer
que ninguém está


Costumo dizer que os bons poetas são aqueles que conseguem construir perfeitas imagens na mente do leitor. Até porque as imagens descritas em poemas são essenciais para traduzir o indizível. E são essas construções imagéticas que Nydia “desenha” em seu livro, que transborda o Sumi-ê com belas pinturas poéticas. A escrita é simples, porém a simplicidade das imagens e das palavras colocam os poemas em uma elevação universal. A poeta nos lembra através de seus recortes poéticos, que poesia se faz com elementos simples e palpáveis. O palpável é descrito nas flores, nos galhos das árvores, nos pássaros e nos jardins. Este livro foi escrito por uma alma sensível e deve ser lido com esse mesmo olhar e perspectiva. O livro Sumi-ê é ainda mais, um convite para que se contemple a vida com outros olhos, com o olhar simples e singelo que ela nos exige:

A calma do lago, a calma da flor na brisa
A calma de olhar a vida

Sem pressa


* Léo Prudêncio * LiteraturaBR

20 de mar. de 2014

poderia ter sido salvo pela beleza. ou pela alegria
é tudo que salva

não foi possível — não lhe mostraram o caminho

e os olhos estavam cegos
do pó

do barro que era

10 de mar. de 2014

sonhei um rio barrento que corria às avessas
e invadia a casa

subitamente

tentava com minhas garras
salvar coisas e gente

não conseguia

um leite condensado, eu dizia, uma garrafa d'água
aquele livro azul

minha mãe

(são tantas as fomes)

7 de mar. de 2014

Resenha do SUMI-Ê por Vivian de Moraes

As vagas na poesia oriental de Nydia Bonetti

05/03/2014

"Sumi-ê", livro de inspiração japonesa de Nydia Bonetti, é um desses livros de poesia que encantam. Com recortes delicados, abordando ora uma flor, ora um regato, com muita simplicidade e beleza, o livro é como o mar: quando se apaga lentamente a flor, surge devagar uma nova imagem da natureza, como uma árvore velha, que logo também se apagará para dar lugar, novamente, à flor primeva. É o movimento das vagas no mar, embora, no livro, a água seja doce.
É uma obra completa, bem pensada, cativante, que, ao seu fim, dá a sensação, ao leitor, de ter recebido uma mensagem inteira: a mensagem de que, em cada detalhe do mundo natural, há uma infinidade de significações humanas que se lhes pode atribuir: força, graça, alegria, paz; enfim, infinitas verdades.
Nydia Bonetti se inscreve na literatura nacional como uma grande autora, e sua graça e beleza, a cada verso, tem a força de um mundo feminino, delicado, mas forte e sempiterno. Vale a pena fluir cada verso, cada palavra de "Sumi-ê".

Vivian de Moraes

5 de mar. de 2014

poesia.net



Uma mini antologia de poemas publicados aqui no longitudes, publicada agora no site poesia.net, de Carlos Machado. Ilustrações: Claudio Tozzi.

2 de mar. de 2014

Não sou de nenhuma tribo - embora acredite sermos todos índios. Não sigo nenhuma tese - a não ser a minha - imaginária linha. Meu lugar não é aqui – nem meu tempo é agora. Sigo em rota de espanto. Navego em Longitudes. Procuro a Latitude e não encontro. Em altitude instável: Ora flutuo, ora mergulho no abismo. Meu GPS enlouqueceu. O pássaro que passa me indicou o caminho. É preciso seguir. E eu vou.

20 de fev. de 2014

não haverá lugar. nunca houve

herdeiros

do não lugar

tomemos posse. é hora

agora ou nunca

nunca

bom tempo. pra não lugares

comuns

English French German Spain Italian Dutch Russian Japanese Korean Arabic Chinese Simplified