30 de mai. de 2013
15 de mai. de 2013
10 de mai. de 2013
14 de abr. de 2013
a dor do homem a dor dos bichos
a dor das pedras a dor
vegetal
vale de lágrimas/desterro
a dor da terra quando
trinca
a dor das águas quando
secam
a dor do ar
quando falta e sufoca
carregado de chumbo e fuligem
metálica dor/e tudo grita
e se dissolve
no grande nada
indiferente e frio universo sem
ouvidos
a dor das pedras a dor
vegetal
vale de lágrimas/desterro
a dor da terra quando
trinca
a dor das águas quando
secam
a dor do ar
quando falta e sufoca
carregado de chumbo e fuligem
metálica dor/e tudo grita
e se dissolve
no grande nada
indiferente e frio universo sem
ouvidos
10 de abr. de 2013
7 de abr. de 2013
21 de mar. de 2013
Um poema dedicado a Raul Macedo
nenhuma morte cala o poeta
seus versos ecoam
até o fim
dos tempos
que conhecemos
ainda que ardam os papéis
nas imensas fogueiras
dos erros humanos
ou o dilúvio os dissolva
mero acaso
travestido
de castigo divino
ainda que todos emudeçam
e a cegueira se alastre
feito erva daninha
sobre a flor
segue a palavra sobre tudo
que apodrece
ou evapora
o verbo que paira
desde sempre e para sempre
amém.
seus versos ecoam
até o fim
dos tempos
que conhecemos
ainda que ardam os papéis
nas imensas fogueiras
dos erros humanos
ou o dilúvio os dissolva
mero acaso
travestido
de castigo divino
ainda que todos emudeçam
e a cegueira se alastre
feito erva daninha
sobre a flor
segue a palavra sobre tudo
que apodrece
ou evapora
o verbo que paira
desde sempre e para sempre
amém.
12 de mar. de 2013
26 de fev. de 2013
sonharíamos recomeços embora fosse tempo
de caminhar sozinhos rumo ao fatídico não
lugar
tragédia anunciada: todo começo tem seu fim
propósito
desfecho
extremidades
que nunca se tocam / ou sim
se os caminhos forem círculos – quem sabe?
intento / razão / ou aniquilamento
danada palavra que quando:ocaso:tinge o céu
de vermelho
de caminhar sozinhos rumo ao fatídico não
lugar
tragédia anunciada: todo começo tem seu fim
propósito
desfecho
extremidades
que nunca se tocam / ou sim
se os caminhos forem círculos – quem sabe?
intento / razão / ou aniquilamento
danada palavra que quando:ocaso:tinge o céu
de vermelho
3 de fev. de 2013
era preciso sofrer como sofrem ainda as mães de maio
metálicos degraus revestidos de concreto e poeira
de todos os séculos
sobre a mesma dor
haveria talvez, algum sentido na rosa sobre a mesa
da sala
perturbadora visão
as mãos da minha avó cruzada sobre o peito gastas
de sangrar
por dentro
os olhos opacos como os olhos dos peixes na pia
onde os peixes dormiam
e o estalar das escamas
sob a lâmina fina faca quase preta um dia prata
desprezadas
barbatanas
mundo que se arrasta enquanto gaivotas mergulham
no mesmo velho sonho
da imagem no espelho
criado mudo sapatos de salto de pelica e veludo
onde um dia os pés
de uma mulher feliz
teias de aranha e traças colchão de palha e pulgas
encardidos e ásperos
lençóis
onde a menina descobriu janelas que davam
para dentro e viu no céu caminho
mas não voou
seu corpo era a gaiola de ferro que aprisionava
a mente
carcereiro adormecido
agora quase morto da química das águas em que
mergulha
pra se manter
cheiro de pano queimado pilhas de roupas brancas
no varal
sopradas brasas
raposas no telhado e o grande nave mergulha cega
na montanha em frente
numa noite sem luz depois das chuvas
metálicos degraus revestidos de concreto e poeira
de todos os séculos
sobre a mesma dor
haveria talvez, algum sentido na rosa sobre a mesa
da sala
perturbadora visão
as mãos da minha avó cruzada sobre o peito gastas
de sangrar
por dentro
os olhos opacos como os olhos dos peixes na pia
onde os peixes dormiam
e o estalar das escamas
sob a lâmina fina faca quase preta um dia prata
desprezadas
barbatanas
mundo que se arrasta enquanto gaivotas mergulham
no mesmo velho sonho
da imagem no espelho
criado mudo sapatos de salto de pelica e veludo
onde um dia os pés
de uma mulher feliz
teias de aranha e traças colchão de palha e pulgas
encardidos e ásperos
lençóis
onde a menina descobriu janelas que davam
para dentro e viu no céu caminho
mas não voou
seu corpo era a gaiola de ferro que aprisionava
a mente
carcereiro adormecido
agora quase morto da química das águas em que
mergulha
pra se manter
cheiro de pano queimado pilhas de roupas brancas
no varal
sopradas brasas
raposas no telhado e o grande nave mergulha cega
na montanha em frente
numa noite sem luz depois das chuvas
28 de jan. de 2013
26 de jan. de 2013
a ilha dos pássaros
azuis
bem que eu preciso
voar
dormem os brotos
que vão se abrir
de manhã
ao chamado
do sol
saltam distantes
os olhos
que é para não
chorar
algodão doce
trompete
momento café
língua profana
professa
que não estamos
sós
milícias miram
em mim
subtrair-me
pra quê?
se tudo canta
enquanto caem
romãs
e espelhos trincam
imagens reais
azuis
bem que eu preciso
voar
dormem os brotos
que vão se abrir
de manhã
ao chamado
do sol
saltam distantes
os olhos
que é para não
chorar
algodão doce
trompete
momento café
língua profana
professa
que não estamos
sós
milícias miram
em mim
subtrair-me
pra quê?
se tudo canta
enquanto caem
romãs
e espelhos trincam
imagens reais
19 de jan. de 2013
descobre enfim
não existir a tal grande cidade
que imaginava
elas são muitas
pequenas
cidades
dentro de um mesmo indefinido
território
homens perdidos
sem história
ou memória comum
que os aproximem. ou
os irmanem. nada
além
da invisível fronteira
de asco
isolamento e medo
a cúpula cinzenta
que tudo encobre
e a noite/trator inexorável
que tudo aplaina
hoje
cai feito um véu sobre o nada
(...lentamente)

não existir a tal grande cidade
que imaginava
elas são muitas
pequenas
cidades
dentro de um mesmo indefinido
território
homens perdidos
sem história
ou memória comum
que os aproximem. ou
os irmanem. nada
além
da invisível fronteira
de asco
isolamento e medo
a cúpula cinzenta
que tudo encobre
e a noite/trator inexorável
que tudo aplaina
hoje
cai feito um véu sobre o nada
(...lentamente)

18 de jan. de 2013
16 de jan. de 2013
7 de jan. de 2013
tendo nada a dizer, busca lá fora
por imagens
que por si só componham um poema
gerânios adormecidos
enfim despertos
pelas águas gentis de algumas chuvas - e mãos
generosas
tábuas apodrecidas que sorriem
por se saberem vivas
(embora estejam mortas)
estalam
. . . . . . como as árvores de semente que voam
em busca
da terra improvável
(ainda possível) nesta cidade infértil
impermeável
de flores de vidro e aquários
de papel
por imagens
que por si só componham um poema
gerânios adormecidos
enfim despertos
pelas águas gentis de algumas chuvas - e mãos
generosas
tábuas apodrecidas que sorriem
por se saberem vivas
(embora estejam mortas)
estalam
. . . . . . como as árvores de semente que voam
em busca
da terra improvável
(ainda possível) nesta cidade infértil
impermeável
de flores de vidro e aquários
de papel
4 de jan. de 2013
a mulher desce por uma escada estreita e fria
em caracol
imensa
parece não ter fim
há limo nas paredes laterais
por onde as mãostentáculos nervos e unhas
tentam se agarrar
infrutífero esforço
os pés descalços sobre o concreto áspero
latejam
vertiginosa queda
agora se arrasta e se contorce
mormaço – calor insuportável - será
o centro da terra? o magma milenar - o hades
o fim do sacrifício?
tudo serena e outra mulher
antiga e negra
turbante de algodão
branco
imenso caldeirão – Nhá Dita
mexendo a sopa de feijão me olha - e sorri
e não há chão. formigas. o chão formiga
o fogo. as labaredas são
formigas
sou eu essa mulher
e acordo. suando em bicas
o telefone toca – é minha mãe
fala de coisas banais, da chuva que não cessa
do tempo quente
do bolo de fubá cremoso
receita nova
ah... você não sabe quem morreu:
Nhá Dita. acabei de saber. descansou a pobre
vinte anos numa cama de asilo
imóvel. falava com os olhos
lavou tanta roupa
fritou tanta batata. fez tanta sopa de feijão...
em caracol
imensa
parece não ter fim
há limo nas paredes laterais
por onde as mãostentáculos nervos e unhas
tentam se agarrar
infrutífero esforço
os pés descalços sobre o concreto áspero
latejam
vertiginosa queda
agora se arrasta e se contorce
mormaço – calor insuportável - será
o centro da terra? o magma milenar - o hades
o fim do sacrifício?
tudo serena e outra mulher
antiga e negra
turbante de algodão
branco
imenso caldeirão – Nhá Dita
mexendo a sopa de feijão me olha - e sorri
e não há chão. formigas. o chão formiga
o fogo. as labaredas são
formigas
sou eu essa mulher
e acordo. suando em bicas
o telefone toca – é minha mãe
fala de coisas banais, da chuva que não cessa
do tempo quente
do bolo de fubá cremoso
receita nova
ah... você não sabe quem morreu:
Nhá Dita. acabei de saber. descansou a pobre
vinte anos numa cama de asilo
imóvel. falava com os olhos
lavou tanta roupa
fritou tanta batata. fez tanta sopa de feijão...
2 de jan. de 2013
trajando negro, chegaram as mulheres
vindas do fim do túnel
que desemboca num rio
de lama
vermes e areia
movediça
agarraram-se em árvores
de cipós e leite
de flores
mãos queimadas
elevadores
de edifícios gigantes
de banheiros sem portas e sem
janelas
louças amarelas
uma cidade vertical antiga
puro concreto
escuro e desgastado
rombos de granadas e demônios
que espreitam
nos jardins extramuros
nos portões que se trancam por dentro
que só se abrem ao amanhecer
(se amanhecer)
vindas do fim do túnel
que desemboca num rio
de lama
vermes e areia
movediça
agarraram-se em árvores
de cipós e leite
de flores
mãos queimadas
elevadores
de edifícios gigantes
de banheiros sem portas e sem
janelas
louças amarelas
uma cidade vertical antiga
puro concreto
escuro e desgastado
rombos de granadas e demônios
que espreitam
nos jardins extramuros
nos portões que se trancam por dentro
que só se abrem ao amanhecer
(se amanhecer)
28 de dez. de 2012
o homem carrega nas costas o fardo de uma era
das tribos, tambores
escotilhas dos vapores
dos barcos, as velas
das velas as bolhas nas mãos
ladainhas das procissões
de tudo que vive ou que sonha carrega pedaços
fiapos de sol nos dentes - de leite
na boca sem dentes, o amargo do café – ralo e frio
o homem se curva na beira do rio
para se ver inteiro, mas não se reconhece
espécie de mostro - remendos mal costurados
nos olhos dos peixes reflexos dos seus
abismos - mergulha
das tribos, tambores
escotilhas dos vapores
dos barcos, as velas
das velas as bolhas nas mãos
ladainhas das procissões
de tudo que vive ou que sonha carrega pedaços
fiapos de sol nos dentes - de leite
na boca sem dentes, o amargo do café – ralo e frio
o homem se curva na beira do rio
para se ver inteiro, mas não se reconhece
espécie de mostro - remendos mal costurados
nos olhos dos peixes reflexos dos seus
abismos - mergulha
19 de dez. de 2012
E quanto mais conheço os poetas, menos poeta me sinto.
Emilys, Teresas, Orides
que me redimam
em seus claustros, estranhezas e noites
mais
que escuras.
Contraditoriamente, lumes a me indicar
pegadas
por onde tento seguir
embora a venda
nos olhos. Embora a mata
fechada. Embora as chuvas. Intermináveis — e frias.
Emilys, Teresas, Orides
que me redimam
em seus claustros, estranhezas e noites
mais
que escuras.
Contraditoriamente, lumes a me indicar
pegadas
por onde tento seguir
embora a venda
nos olhos. Embora a mata
fechada. Embora as chuvas. Intermináveis — e frias.
5 de dez. de 2012
o homem sonhava casas que se erguiam por si
e ninguém ao relento
(algumas giravam na rota do sol)
sonhava - águas azuis e campos
magnéticos
também sonhava simular o tempo
submetendo a matéria à exaustão calculada
viveu na rua – foi sombra
águas mornas em velhas garrafas sobre
enferrujados imãs
então
submetido pelo tempo – exausto – sucumbiu
matéria que era - num risco
mal calculado
e ninguém ao relento
(algumas giravam na rota do sol)
sonhava - águas azuis e campos
magnéticos
também sonhava simular o tempo
submetendo a matéria à exaustão calculada
viveu na rua – foi sombra
águas mornas em velhas garrafas sobre
enferrujados imãs
então
submetido pelo tempo – exausto – sucumbiu
matéria que era - num risco
mal calculado
26 de nov. de 2012
17 de nov. de 2012
10 de nov. de 2012
Conspiração
Vou construir um ninho, dentro do meu quarto.
Quando vierem os pássaros do silêncio
pedirei que cantem e que se alojem
entre os gravetos.
Somos frutos da mesma dor.
Tememos o esquecimento. Na minha blusa falta
um botão. Tecido em que tear a trama que nos
faz sangrar? Sobre a cadeira jazem feridas
cordas de um violino.
Tripas.
Convulsas entranhas. Vou abrir as janelas.
Por que? Não ouço mais os pássaros do silêncio
asas de cambraia. Feito as cortinas.
As paredes estão mortas.
Caiadas.
Um Paganini solitário descansa, distante
pendurado num prego enferrujado. Alto relevo.
Há uma conspiração lá fora. Fecho as janelas
e ouço. O piar de corujas.
Quando vierem os pássaros do silêncio
pedirei que cantem e que se alojem
entre os gravetos.
Somos frutos da mesma dor.
Tememos o esquecimento. Na minha blusa falta
um botão. Tecido em que tear a trama que nos
faz sangrar? Sobre a cadeira jazem feridas
cordas de um violino.
Tripas.
Convulsas entranhas. Vou abrir as janelas.
Por que? Não ouço mais os pássaros do silêncio
asas de cambraia. Feito as cortinas.
As paredes estão mortas.
Caiadas.
Um Paganini solitário descansa, distante
pendurado num prego enferrujado. Alto relevo.
Há uma conspiração lá fora. Fecho as janelas
e ouço. O piar de corujas.
5 de nov. de 2012
do que diria
como seria o último poema?
talvez falasse da fé na vida que segue
de um imenso cansaço
que já não se suporta
talvez dissesse do mistério da dor
e do estar / e ser / sozinho
há uma névoa densa que tudo encobre
e os olhos pesam
mil girassóis explodem lá fora
e o rio canta
uma canção antiga e sonolenta
(incerta tristeza nos olhos do meu cão)
e o som da máquina que tritura os dias
vai se calando lentamente
talvez falasse da fé na vida que segue
de um imenso cansaço
que já não se suporta
talvez dissesse do mistério da dor
e do estar / e ser / sozinho
há uma névoa densa que tudo encobre
e os olhos pesam
mil girassóis explodem lá fora
e o rio canta
uma canção antiga e sonolenta
(incerta tristeza nos olhos do meu cão)
e o som da máquina que tritura os dias
vai se calando lentamente
1 de nov. de 2012
PROJETO INSTANTE ESTANTE NA 58ª FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE

Na intervenção urbana INSTANTE ESTANTE, na Tenda de Pasárgada, distribuição de livros grátis aos visitantes da feira: Uma estante foi montada, com livros de Alice Ruiz, Sandra Santos, E.M. de Melo e Castro, Alexandre Brito, Leonardo Lobos Lago, Ricardo Portugal, Ricardo Silvestrin, Laís Chafe, Lau Siqueira, Cesar Pereira, Antonio Arroyo Silva, Wilmar Silva, Mario Pirata, Juliana Meira, Gilberto Wallace, Fred Maia e Nydia Bonetti.
*Projeto Instante Estante de Incentivo à leitura:
curadoria e produção: Sandra Santos
Coleção INSTANTE ESTANTE - Castelinho Edições
editores em Língua Portuguesa: Sandra Santos e Alexandre Brito
editor em Língua Castelhana: Leo Lobos
A Coleção Instante Estante é um projeto de incentivo à leitura da Castelinho Edições. O INSTANTE ESTANTE distribui livros novos, editados especialmente para o projeto. Os Livros chegam ao leitor gratuitamente, seja através da "Intervenção Urbana nas Capitais", seja pela distribuição em pontos de leitura e bibliotecas comunitárias.
As intervenções Urbanas do Instante Estante já distribuiram livros em Porto Alegre: 120 livros durante a 56ª Feira do Livro, em 2010; em Brasília: 120 livros no Verão Literatura Brasília, em 2011; em João Pessoa: 80 livros no Agosto das Letras, em 2011; em Belo Horizonte: 120 livros na Intervenção Urbana da Praça Sete, em 2011; em Porto Alegre: 120 livros no estande da Câmara Municipal, 57ª Feira do Livro, 2011; no Forum Social Mundial 2012: 120 livros no Acampamento da Juventude, 2012.São editados de 300 a 450 livros por título.
A Coleção lançará 18 Títulos na 58ª Feira do Livro de Porto Alegre, em 2012. Estarão na praça de autógrafos os poetas Alexandre Brito, Alice Ruiz, César Pereira, Fred Maia, Gilberto Wallace Battilana, Juliana Meira, Laís Chaffe, Lau Siqueira, Mario Pirata, Nydia Bonetti, Ricardo Portugal, Ricardo Silvestrin, Sandra Santos e Wilmar Silva (Brasil). Antonio Arroyo Silva ( Ilhas Canárias), E. M. de Melo e Castro (Portugal) e Leo Lobos (Chile).
* Via Sandra Santos
27 de out. de 2012
25 de out. de 2012
22 de out. de 2012
20 de out. de 2012
ah... que falta me fazes pai
com teus olhos de cinzas
verdes um dia (eu vi?)
lembro-me de deles assim
fumaça na ventania
mãos calejadas
com ponteiras de aço
herança do fogo
do fole, da forja
lascas de pedra que voavam
poeira branca
que corroeu teus dias
translúcidas membranas
e o ar tão farto - te faltou
no fim
[lembra das flores
de dente-de-leão no vento?
da roda d’água que cantava
eternidades?
dos sapos
na imensa cratera
com seus olhos de terra
e presságios de nunca mais?
com teus olhos de cinzas
verdes um dia (eu vi?)
lembro-me de deles assim
fumaça na ventania
mãos calejadas
com ponteiras de aço
herança do fogo
do fole, da forja
lascas de pedra que voavam
poeira branca
que corroeu teus dias
translúcidas membranas
e o ar tão farto - te faltou
no fim
[lembra das flores
de dente-de-leão no vento?
da roda d’água que cantava
eternidades?
dos sapos
na imensa cratera
com seus olhos de terra
e presságios de nunca mais?



A obra 