ser como um cão
adormecer
na rua
no asfalto quente
sob um céu
infinitamente
azul
cúpula perfeita
onde meu Deus
habita
28 de ago. de 2011
24 de ago. de 2011
18 de ago. de 2011
na trilha dos moinhos de vento
fecho as janelas do dia
tantas janelas
que as cortinas dos meus olhos gastos
perderam as contas
montanha
e pôr-do-sol
tatuados nas retinas
(que sóis nascentes vi tão poucos)
e a noite faz ruir janelas
cortinas
montanha e pôr-do-sol
meus olhos
a noite faz ruir o nada que restou
dos dias
tantas janelas
que as cortinas dos meus olhos gastos
perderam as contas
montanha
e pôr-do-sol
tatuados nas retinas
(que sóis nascentes vi tão poucos)
e a noite faz ruir janelas
cortinas
montanha e pôr-do-sol
meus olhos
a noite faz ruir o nada que restou
dos dias
16 de ago. de 2011
descompostas palavras
tipologia estranha
comuns
tipologia estranha
comuns
lugares
componentes singulares
paradoxos
paradoxos
híbridas como a arte
arame e papelão
laminadas telas
estuques
variedades cromáticas
transparências
variedades cromáticas
transparências
no espaço fragmentado
da minha poesia
flutuam
objetos
evidências
da minha desconstrução
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Kalahari
12 de ago. de 2011
ao deixar sua terra sabia
que era pra não voltar
todo exílio é afronta
e corte
que jamais cicatriza
pele que sangra herança
que trago nos olhos
ele voltou
quis morrer sozinho
numa terra
que já não era sua
(já não tinha mais terra)
e ficou por lá
virou pó sob pedra
a mesma
que o manteve e o matou:– flor
nenhuma
alguma prece
que era pra não voltar
todo exílio é afronta
e corte
que jamais cicatriza
pele que sangra herança
que trago nos olhos
ele voltou
quis morrer sozinho
numa terra
que já não era sua
(já não tinha mais terra)
e ficou por lá
virou pó sob pedra
a mesma
que o manteve e o matou:– flor
nenhuma
alguma prece
9 de ago. de 2011
exercícios de abandono
hoje o desejo de silêncio é maior
do que qualquer palavra
e impede
toda e qualquer tentativa
de revolução ou resistência
se entrega
em resignada apatia
à tortura silenciosa
dos que se perdem no caminho
sem chance
de retorno ou recomeço
nenhuma força
para o próximo passo
abre-te chão me traga
faz de mim o nada - que sempre
fui
tenta gritar mas a voz
lhe falta
não há saída - a vida lhe nega
a vida
do que qualquer palavra
e impede
toda e qualquer tentativa
de revolução ou resistência
se entrega
em resignada apatia
à tortura silenciosa
dos que se perdem no caminho
sem chance
de retorno ou recomeço
nenhuma força
para o próximo passo
abre-te chão me traga
faz de mim o nada - que sempre
fui
tenta gritar mas a voz
lhe falta
não há saída - a vida lhe nega
a vida
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exercícios de abandono
4 de ago. de 2011
vaso verso
ratos rondam a última flor
do lago
(pelas bordas)
enquanto peixes
a devoram pelas raízes
com meus olhos muranos
resgato e replanto
a flor
nesse vaso verso tão
pequeno
do lago
(pelas bordas)
enquanto peixes
a devoram pelas raízes
com meus olhos muranos
resgato e replanto
a flor
nesse vaso verso tão
pequeno
2 de ago. de 2011
EUTOMIA
Amigos, acaba de sair a nova edição da Revista OnLine de Literatura e Linguística - EUTOMIA, onde alguns dos meus poemas foram publicados. Criada pelo Departamento de Letras da UFPE, visa o debate crítico, a reflexão teórico-crítica e a abertura de canais de articulação com a comunidade literária. Tem como Editora Chefe, Sueli Cavendish.
Online desde 2008, recebe artigos, ensaios, resenhas e traduções, em teoria literária, crítica literária e linguística; e está aberta também à produção ficcional – contos e poemas.
Maiores informações sobre a revista, AQUI. Realmente um belíssimo trabalho, sob o comando de Sueli Cavendish e de toda equipe, formada por professores da UFPE e também por professores e pesquisadores de outras universidades do Brasil e do exterior.
o velho tema
salgado mar
haverá tempo ainda?
deliram
naufragados navios
em seus túmulos
de silêncios e corais
sonhando
improváveis resgates
velas e ventos
cais
haverá tempo ainda?
deliram
naufragados navios
em seus túmulos
de silêncios e corais
sonhando
improváveis resgates
velas e ventos
cais
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