28 de nov. de 2013

os mimos rosa, gigantes
acordam meus olhos
as mudas que vi plantar
quase tocam o céu
os cães da rua dormem
o sono dos cães
do abandono
o fungo
que parecia ser - flor
secou
completamente
o tronco
segue à espera de outro
milagre
lágrima/seiva
transmutada em ternura
improvável

26 de nov. de 2013

alguns poemas em outros cantos


LLIBRE DEL TIGRE


e


POEMA DIÁRIO



Grata, Joan Navarro e Daniel Russell Ribas

2 de nov. de 2013

que dizer dessa tarde
em que os mortos retornam
à velha casa
sem dizer nada
a ninguém
(anjos de pedra dizem
amém)
e o cipreste secular parece
tocar o céu
noite outra vez
e um círculo de fogo
que faz arder os olhos
de onde não se pode fugir

1 de nov. de 2013

Um poema de Henrique Wagner

Orides Fontela

para Nydia Bonetti


Tinhas o coração de pedra e pétalas,
por trás do muro onde moravas só,
levando a cada canto uma indiscreta
timidez, convertida em sombra ao sol.

Teu silêncio, pesado, era a secreta
vida de tua máquina monstruosa
vibrando cada letra antiga e velha
até fazer do espírito teu pó.

Os óculos maduros, a armação
escura, o corpo de osso em carne branca,
a lágrima, tão seca e dura – pedra.

Tinhas o coração nalgum lugar
da casa, atrás do muro, onde pulsavam
bichos como lagartos. Como abelhas.
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