23 de jul. de 2012

céus
ávidos olhos
voam

21 de jul. de 2012

o poema retrata
do poeta

a face

tudo mais
são máscaras

falácias

18 de jul. de 2012

revérberos

vozes vindas da alma

invenções e memórias
fugas e delírios

revérberos
de outras vozes bem

mais antigas

repercute o poema
quando

bate

na pedra dos olhos
alguns

17 de jul. de 2012

Versais

laquear a madeira velha das gelosias
onde a moça se põe
ao entardecer

(ouço folhas de flandres
no tecer das horas
metálicas)

versar sobre o pôr do sol de uma vida

Versais

a escrita é mesmo desigual e o ser
é único

e a palavra

reata o ser à sua alma
ainda que

não sinta

um sustenido. um breviário. um verso

o capitão-do-mato me procura
a minha alma escura
na noite

se confunde

e só se encontra
no seu próprio quilombo

sem Zumbis

ouço tambores, cantos de guerra
uma dança

ao redor do fogo

um negreiro navio atravessa meu peito
e retorna

África

tenho saudades dos lugares
que não verei

um olho ciclope ainda me olha
o único

talvez

há uma pequena chance de amanhecer

16 de jul. de 2012

planto sicômoros

sempre-verdes folhas
em forma

de coração

beira de estrada
sombra

e cachos

de frutos bem
doces

15 de jul. de 2012

álamos, pópulos, choupos
importa serem belos
e amarelos

verticais estigmas
contra o azul absurdo

13 de jul. de 2012

na minha alma há
sim
um piano
(qualquer toque será
música)
re percutida sina
soar
à mata de onde veio

4 de jul. de 2012

um anjo sem asas
olhos que vertem pedras

de sal

estático
seu canto em pedaços

no chão

indecifráveis signos
um poema

talvez

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