26 de fev. de 2013

sonharíamos recomeços embora fosse tempo
de caminhar sozinhos rumo ao fatídico não
lugar

tragédia anunciada: todo começo tem seu fim
propósito

desfecho

extremidades

que nunca se tocam / ou sim
se os caminhos forem círculos – quem sabe?

intento / razão / ou aniquilamento
danada palavra que quando:ocaso:tinge o céu
de vermelho

3 de fev. de 2013

era preciso sofrer como sofrem ainda as mães de maio

metálicos degraus revestidos de concreto e poeira
de todos os séculos

sobre a mesma dor

haveria talvez, algum sentido na rosa sobre a mesa
da sala

perturbadora visão

as mãos da minha avó cruzada sobre o peito gastas
de sangrar

por dentro

os olhos opacos como os olhos dos peixes na pia
onde os peixes dormiam

e o estalar das escamas

sob a lâmina fina faca quase preta um dia prata
desprezadas

barbatanas

mundo que se arrasta enquanto gaivotas mergulham
no mesmo velho sonho

da imagem no espelho

criado mudo sapatos de salto de pelica e veludo
onde um dia os pés

de uma mulher feliz

teias de aranha e traças colchão de palha e pulgas
encardidos e ásperos

lençóis

onde a menina descobriu janelas que davam
para dentro e viu no céu caminho

mas não voou

seu corpo era a gaiola de ferro que aprisionava
a mente

carcereiro adormecido

agora quase morto da química das águas em que
mergulha

pra se manter

cheiro de pano queimado pilhas de roupas brancas
no varal

sopradas brasas

raposas no telhado e o grande nave mergulha cega
na montanha em frente

numa noite sem luz depois das chuvas

English French German Spain Italian Dutch Russian Japanese Korean Arabic Chinese Simplified