31 de mai. de 2013

o pássaro
caminha sobre o muro esquecido das asas
e pia
embora saiba todos os mistérios do canto
sou eu
o pássaro cinzento sobre este muro branco

15 de mai. de 2013

os abutres vigiam
há em tudo um estado de quase/morte
num estágio
de sub-humana indiferença
mortes/vidas são apenas feridas
que não cicatrizam
cães sarnentos que perderam as asas
se arrastam
e as escamas dos olhos caem
lágrimas/pérolas que o tempo petrifica
depois tritura/e sopra

10 de mai. de 2013

noite
acolhe o meu silêncio
ainda maior que a tua
escuridão
curvam-se
os ombros do mundo
ante tua sentença
irrevogável
será noite enquanto
tu quiseres
longa feito um fio
de destecer memórias
rasa feito um rio
onde flutuam lírios
rituais
e velas
em busca do corpo
em paz
[finalmente

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