1.
amanhã
o dia vai ser bonito
o sol mais uma vez vai colorir
a multifacetada crosta
da terra
mesmo vazia - a casa
portas e janelas abertas
irão saudá-lo
2.
em algum lugar
um velho barco regressa
(velas feridas tanto sal)
olhos aflitos
braços abertos que se fecham
em
abraços
quantos faróis no caminho e o homem
do farol
como suporta
enquanto gira
o velho artefato a indicar por onde
ir
3.
de que lugar escuro a concha
que vai secar
de onde os pássaros que povoam
a ilha
o vento que sopra nuvens agora
e deixa
um pedaço de céu estrelado
(posso ver)
4.
quantos cabelos e varais mulheres
lavadeiras quantas
lençóis quarados sobre pedras quentes
quantos
amores sobre
lençóis
quantos nãos
camas vazias mãos
quantos olhos
homens e mulheres na sina
dos dias iguais
5.
ondas que se quebram areias quentes
o galo
prestes a cantar
um pio
é quase dia
(vai ser bonito)
pesam meus olhos na janela
renasce a vida
me entrego
à quase morte do sono
da lida
sem sonhar
6.
cheiro de café com pão
em algum lugar
dizem
que o homem do farol é feliz