30 de jun. de 2013

saltam do meu corpo pássaros negros
silenciosos:- minhas misérias
dormentes despertam
criam asas e tentam
se livrar dos escombros em que habitam
o clarão palpitante e o vento forte
ferem olhos
habituados à escuridão
breve retornam ao antigo claustro/ninho
de outros pássaros
ainda mais negros / e mudos

29 de jun. de 2013

POETICA DE SAL - por Santiago Aguaded Landero*

POETICA DE SAL

La poesía se hace de palabras que generan preguntas.
La poesía se hace de palabras que generan diálogo.
La poesía se hace de palabras que procrean el silencio.

Jack Landes


El poema no pretende más que preguntar, interpelar al lector. Y una vez se ha establecido la Pregunta el poeta debe escribir para cambiar las Preguntas. El poema no ansía respuestas pues es más importante la Pregunta que cualquier respuesta provisional, como la ciencia. Hay que escribir científicamente el corazón de los pájaros mudos, los pájaros negros de Nydia, las hermanas de Mar, el corazón de las aves asesinadas que ahora son árboles que no pueden levantar el vuelo. Hay que escribir para changer la vie, pues escribir ya cambia la vida y nos enseña nuevas ventanas por la que el poeta (y el lector) se hacen videntes (aunque no suelan coincidir sus visiones). Escribo porque no puedo dejar de escribir las aguamalas de la infancia y las alfarrecas de Portugal. Escribo para que los conjuros de Circe me devuelvan a su isla. Escribo para que el poema se incendie e ilumine su mirada (esquiva). Escribo para enamorarla ante mi propio espejo. Escribo para curarme la herida del fármaco, para sanar las quemaduras de las flores del fuego. Escribo para parecerme a Gerardo de Nerval y sus filles du feu. Escribo bebiendo la luna lisérgica de Sabines. Escribo la luna que se puede tomar como una cápsula cada ocho horas. Nunca falla y siempre es buena como hipnótico, sedante y emenagogo (para Circe). Escribir las ausencias para que se conviertan en presencias. Escribir el Mar y sus lunaciones. Escribir la SAL, la flor de SAL. Escribir las mujeres y los hombres proscritos. Escribir el mal, pues el bien, otros lo han escrito, y no pasado nada excepto el engorde de sus cuentas bancarias. Hay que escribir para encontrar el amor que no existe, para alejar a los médicos fedatarios de Glaxo y Monsanto. Escribir para obtener dividendos crecientes de la luna almaria. Recuerda, miuda lúa, menina lúa, unas gotas de luna en los ojos de los amantes ayudan a bien follecer.


*Santiago Aguaded Landero / el alquimista impaciente Blog de poesía y otras literaturas

avalanche
é o nome do tempo
quando passa
legião
é o nome
do que ele carrega

24 de jun. de 2013

a poesia fez de mim uma ilha
onde pássaros pousam
queimam os pés — e partem

20 de jun. de 2013

os contornos do dia se desmancham
uma cortina [garoa
e pesam
os olhos da mulher no espelho
[vidraças
— onde ela esteve enquanto tudo
ruía?
lentamente desaparece a cidade
sob os panos [opacos
da chuva fina
que precede a chegada
do grande
frio
finge que é moça ainda e ensaia
uma canção e acende
o fogo
da lamparina azul / num rito
. . . . . . . . . . . . . . . .. de passagem

15 de jun. de 2013

há tanto tempo a fome / a sede / o incêndio nos olhos
e a cidade sitiada
os meninos perdidos
e a praça
que deveria ser do povo:- entregue ao abandono
ágoras pós-modernas serão os novos campos de guerra
santa / que é pela liberdade
arme-se de palavra e coragem
as pedras gritam
e as árvore se curvam reverentes à passagem dos pés
que as asas são escudos / e queimam
flamejantes / ensaiam voos
uma canção que faz arder
almas e corações
que sonham / campos de trigo e flores / a boa terra
em boas mãos /que não sossegam enquanto
a grande estrela não brilhar para todos
no mesmo grande céu

10 de jun. de 2013

razão nenhuma deve haver neste silêncio agudo
de grilos mortos e vagalumes inertes
num canto qualquer
cantou / não percebeu a imensidão das águas
azuis / de azulejos perfeitos
verde quase folha que flutua onde não
mergulhou
puro acaso
brilhou / enquanto eu dormia / agora é vagonada
mais um
que a morte (n)os iguala / iguanas
que o digam (somos)
línguas vermelhas dentro de corposverdes quase
vegetais / vegetam
que tudo termina
sobre a mesma terra / ou sob
barro que nos formou e espera
carne da nossa carne
gritam
as suas entranhas / onde um dia mergulharemos
afinal

8 de jun. de 2013

onde estão os anjos que não se pode ouvi-los?
foram prantear os inocentes mortos
da cidade em ruínas
choram pelos cães
abatidos por mãos que julgavam humanas
choram pelos homens / feras embrutecidas
pela ausência de compaixão
choram por seu Deus exilado dos homens
atônitos, observam as trevas
que se aproximam
/ é tarde / rapidamente / o sol / declina /
choram pelo fim da esperança
. . . . . . . . . . . . . e já não sabem mais cantar

1 de jun. de 2013

outono

maçãs repousam dentro de nós

e o rubro tom, na vidraça

Galeria Framboisine Berry (2)

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