faço versos porque já morri
tanto e tantas vezes
mas não encontro o caminho de casa
onde era mesmo que eu morava?
no acaso me lanço
no espaço em branco longe dos apegos
flutuo
há uma curva no rio – havia mesmo um rio?
tinha botas de sol – ainda tenho pés?
há um lugar onde as almas se encontram
os corpos são frascos
de vidro - não eram potes
de barro?
há janelas que nunca se abriram
cortinas transparências
o vento - havia mesmo o vento?
podia ouvir seu sopro
ao menos uma carta eu poderia ter escrito
na próxima esquina quem sabe
no próximo verso