agora um pássaro voa sobre
a cidade
é noite
e as penas não devem ser
azuis
vasto o campo de morangos
e rosas
por onde
caminhei num tempo
longe
faminto - busca o pássaro
os caracóis do dia
simbiótica autofagia
bichos que se devoram
noites-dias
a vida sabe ser crua
mas se mantém – e os bichos
saciados a (se) suportam
14 de mar. de 2012
13 de mar. de 2012
que o sangue escoe
quente viscoso fosco no humano fosso
(indecifráveis delírios)
que fragmente a bomba e fira
olhos e bocas
e que se rasguem bandeiras — inúteis
tecidos fronteiras
tudo parece arder — então por que
poetas só ousam tocar
nos visgos dos corpos do fogo das suas
próprias peles
(devassa inocência)
e dormem — imersos em seus silêncios
quente viscoso fosco no humano fosso
(indecifráveis delírios)
que fragmente a bomba e fira
olhos e bocas
e que se rasguem bandeiras — inúteis
tecidos fronteiras
tudo parece arder — então por que
poetas só ousam tocar
nos visgos dos corpos do fogo das suas
próprias peles
(devassa inocência)
e dormem — imersos em seus silêncios
10 de mar. de 2012
Ferhad_ve_Shirin
cultivo tulipas em pleno abril — sei que não vingam
mas quem — vai me impedir de sonhar
com a improvável lágrima-flor
de Ferhad?
procurei no deserto a pérola — e quase pude vê-la
nos dromedários olhos úmidos das miragens
das tempestades de areia — vi surgir — o pássaro
que me contou os segredos da terra
da invertida negra flor — onde a pedra — é utopia
e a dor — fecunda
cultivo tulipas em pleno abril — sei que não vingam
mas quem — vai me impedir de sonhar
com a improvável lágrima-flor
de Ferhad?
procurei no deserto a pérola — e quase pude vê-la
nos dromedários olhos úmidos das miragens
das tempestades de areia — vi surgir — o pássaro
que me contou os segredos da terra
da invertida negra flor — onde a pedra — é utopia
e a dor — fecunda
o nome... já não me lembro do nome
da memória
os olhos
de que cor eram mesmo
os olhos
da memória?
tinha boca vermelha e cantava
não ouço mais a canção da memória
eram fortes e ternas
as mãos imensas da memória
me lembro agora – vagamente
tinha um corpo a memória
um rosto
tinha alma
restam os ossos / então / guardados
numa caixa de vidro
pequena
nas noites quentes
estalam
um dia / tudo / será / pó
e serei eu a soprar / pois não há vento
na casa da memória
da memória
os olhos
de que cor eram mesmo
os olhos
da memória?
tinha boca vermelha e cantava
não ouço mais a canção da memória
eram fortes e ternas
as mãos imensas da memória
me lembro agora – vagamente
tinha um corpo a memória
um rosto
tinha alma
restam os ossos / então / guardados
numa caixa de vidro
pequena
nas noites quentes
estalam
um dia / tudo / será / pó
e serei eu a soprar / pois não há vento
na casa da memória
9 de mar. de 2012
além da janela, um mundo - que não conheço
sei que existe pois
vejo a estrada – rasgo de concreto
áspero infecundo
que sob o sol transpira – como num deserto
há certa beleza em tudo
no acostamento um outro
mundo
homens suados em seus aros metálicos
pedais que movem rodas
e tudo gira
bugios atônitos vindos da mata revolvida
tentam
cruzar a linha morte/vida que desconhecem
e o campo / de rosas / vermelhas / parece / delírio
cavalos de silêncio galopam planícies
depois - tudo é montanha e é tudo que sei
além da curva rude há céu – vi
um pássaro desnorteado vindo de lá
olhos de água – rasos - asas em chamas sem
cantar
sei que existe pois
vejo a estrada – rasgo de concreto
áspero infecundo
que sob o sol transpira – como num deserto
há certa beleza em tudo
no acostamento um outro
mundo
homens suados em seus aros metálicos
pedais que movem rodas
e tudo gira
bugios atônitos vindos da mata revolvida
tentam
cruzar a linha morte/vida que desconhecem
e o campo / de rosas / vermelhas / parece / delírio
cavalos de silêncio galopam planícies
depois - tudo é montanha e é tudo que sei
além da curva rude há céu – vi
um pássaro desnorteado vindo de lá
olhos de água – rasos - asas em chamas sem
cantar
aperto folhas secas nas mãos e elas estalam
há em tudo um estado de florescer
até que o outono desfaça
línguas fumaça olhos de amêndoas doces
em tudo que nãocanto um certo
desengano flui
e as seriemas insistem em seus berros
de barro sobre
telhados
tudo podia ser não foi porque não sei
quem sabe?
a lua faz a noite padecer de claridades nuas
quintais cinzentos onde moram cães
sou feliz - colho goiabas gigantes
no muro regado à musgo e trilha
de caracóis
bichos de fogo incandescentes caminham
sobre
meus olhos
o mundo podia se chamar hospício lunar
cemitério de naves espaciais onde não
embarquei
objetos metálicos eternamente em chamas
nesse planeta supostamente azul
aquário de vidro
onde o destino de tudo parece ser – vermelho
arder
há em tudo um estado de florescer
até que o outono desfaça
línguas fumaça olhos de amêndoas doces
em tudo que nãocanto um certo
desengano flui
e as seriemas insistem em seus berros
de barro sobre
telhados
tudo podia ser não foi porque não sei
quem sabe?
a lua faz a noite padecer de claridades nuas
quintais cinzentos onde moram cães
sou feliz - colho goiabas gigantes
no muro regado à musgo e trilha
de caracóis
bichos de fogo incandescentes caminham
sobre
meus olhos
o mundo podia se chamar hospício lunar
cemitério de naves espaciais onde não
embarquei
objetos metálicos eternamente em chamas
nesse planeta supostamente azul
aquário de vidro
onde o destino de tudo parece ser – vermelho
arder
7 de mar. de 2012
sorriso de mil dentes que enverdeceriam
sem deixar de sorrir
a face delicada dos fortes
os pés pequenos
prontos a caminhar eternidades
em frente à velha casa
: a única que foi sua :
segue sonhando casas brancas de esquina
varandas e ventos
e o esquecimento - sol a quarar memórias
agora inda mais brancas
que as sonhadas paredes — e os cabelos
sem deixar de sorrir
a face delicada dos fortes
os pés pequenos
prontos a caminhar eternidades
em frente à velha casa
: a única que foi sua :
segue sonhando casas brancas de esquina
varandas e ventos
e o esquecimento - sol a quarar memórias
agora inda mais brancas
que as sonhadas paredes — e os cabelos
6 de mar. de 2012
5 de mar. de 2012
4 de mar. de 2012
2 de mar. de 2012
27 de fev. de 2012
21 de fev. de 2012
20 de fev. de 2012
17 de fev. de 2012
15 de fev. de 2012
14 de fev. de 2012
13 de fev. de 2012
9 de fev. de 2012
8 de fev. de 2012
7 de fev. de 2012
6 de fev. de 2012
Cantar a Pele de Lontra - alguns poemas
Alguns dos meus poemas publicados hoje no Cantar a Pele de Lontra, na série NOVOS POETAS BRASILEIROS. Grata Claudio!
