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24 de jun. de 2014
19 de mai. de 2014
a chuva. bate. no vidro. do quarto
. . . . . . . . . . . . . . . .anunciada presença
feita de vento e ruído
vindos de um templo suspenso – reluz
nos raios. de um sol. que insiste
em flutuar. do outro. lado — adjacente? oposto. latente
bola vermelha em línguas
. . . . . . .. .de fogo
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . halo e um arco
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . íris
. . . . . . . . . . . . . . . .anunciada presença
feita de vento e ruído
vindos de um templo suspenso – reluz
nos raios. de um sol. que insiste
em flutuar. do outro. lado — adjacente? oposto. latente
bola vermelha em línguas
. . . . . . .. .de fogo
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . halo e um arco
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . íris
30 de abr. de 2014
Um poema de Mar Becker
para Nydia Bonetti
um poema
mínimo, manhã
de inverno
quase
de ninguém, quem sabe? pelo inverso
da pronúncia
pássaro
en passant
12 de abr. de 2014
cai o silêncio sobre a língua - ávida liga de chumbo quente
matéria prima de Gutenberg
de se forjar letras palavras idéias
transformadas em balas-armas quentes de se calar bocas
mas o silêncio grita e sai pelos olhos
de cada poro, gotas, de se molhar a terra
[dormem sementes]
tempo haverá em que tudo será pleno - e o pão será farto
homens de pedra sobre a chuva ácida
esperam
matéria prima de Gutenberg
de se forjar letras palavras idéias
transformadas em balas-armas quentes de se calar bocas
mas o silêncio grita e sai pelos olhos
de cada poro, gotas, de se molhar a terra
[dormem sementes]
tempo haverá em que tudo será pleno - e o pão será farto
homens de pedra sobre a chuva ácida
esperam
31 de mar. de 2014
Resenha do SUMI-Ê por Léo Prudêncio, publicada hoje no literaturabr.com
O sumiê é uma técnica de pintura japonesa do sec. XIV. Essa técnica possui influência ideológica do budismo, em que a essência deve ser buscada através pelo interior do ser. Na introdução do livro de Nydia Bonetti, lemos:
No Sumi-ê, a expressão livre surge através da cor da tinta negra dos movimentos do pincel, sob a inspiração do momento e não admite retoques. Há sempre uma profunda ligação desta arte com a natureza.
A ligação poética do livro com os elementos da natureza, além de singela, é bastante presente. O traçado simples e rápido de Nydia Bonetti, em seu livro de estreia, faz jus ao título Sumi-ê, editado pela Editora Patuá (2013).
No livro, a transitoriedade da vida humana é constatada em vários poemas, em especial no poema abaixo, pois se nota que embora a vida seja curta, haverá sempre a persistência da contínua existência, como também de manter a esperança sempre:
tronco
retorcido em securas
restam
folhas miúdas
num cacho
único
flores rosas
pendem
e denunciam: - a vida
resiste
A poeta utiliza-se da natureza como metáfora em sua poética. Ela encadeia semelhanças de atos humanos com a natureza, percorrendo temas como a solidão, o envelhecimento, a compaixão e a esperança. Nydia extrai da contemplação da natureza os elementos temáticos de sua poética.
quero estar só – me deixem
como aquela temporã
no galho
mais alto
As imagens pinceladas por Nydia trazem reflexões, que lembram as pinturas sumiês. O título do livro foi bem escolhido, pois as temáticas dessa arte japonesa de pintura percorrem por toda a obra. Os poemas do livro não são longos, são suaves e breves. Mas a brevidade de seus poemas causa variados devaneios sobre o mundo que o cerca. Por isso a necessidade de seus poemas curtos dominarem a página em branco, daí a necessidade do silêncio e da contemplação para o aprofundamento da leitura. Os poemas não seguem pontuação e nem são nomeados. O ritmo da leitura quem o faz é o próprio leitor, que participa da obra ao dar-lhe ritmo poético. A atual poesia não deve seguir rigidamente os tratados poéticos para a versificação, o traçado do lápis de Nydia é o guia-motor da sequência versificada. O poema inicial nos dá a pista para entender mais um pouco o livro:
Onde a montanha encontra a água
Nasce a flor
A água, fonte da vida, é a fonte inspiradora da poeta. A flor, filha sensível da terra, nada mais é do que o poema em si. Trocando em miúdos: a vida é a inspiração para o poema. A essência da vida, ou a busca dessa essência é outro elemento importante para a construção poética de Nydia Bonetti. O cuidado ao trabalhar certos temas, como as reflexões sobre o tempo, são pertinentes em seus poemas. A autora faz essas reflexões com o mesmo cuidado e precisão de um pintor de telas:
Árvore velha – a tua solidão sem asas
Me comove
A mesma comoção com o passar do tempo ocorre no poema da página seguinte:
No velho troco
O que parece ser flor – é fungo triste
Lágrima antiga
O tempo não é apenas algo corrosivo, desgastante e destruidor. Ele é tematizado com elemento de aprendizado. É importante sempre voltarmos ao conceito da pintura sumiê, pois essa arte japonesa é ponto crucial para entender a obra. Nessa arte japonesa, a concisão, o simbólico e a expressão do instante, são fundamentais, como também em vários poemas do livro de Nydia, em especial os poemas apresentados acima que tematizam a efeito do tempo. O poema abaixo transcrito é outro exemplo de um recorte simbólico e conciso:
o vento
so
pra da minha mão
a folha de papel
o vento
só
veio me dizer
que ninguém está
só
Costumo dizer que os bons poetas são aqueles que conseguem construir perfeitas imagens na mente do leitor. Até porque as imagens descritas em poemas são essenciais para traduzir o indizível. E são essas construções imagéticas que Nydia “desenha” em seu livro, que transborda o Sumi-ê com belas pinturas poéticas. A escrita é simples, porém a simplicidade das imagens e das palavras colocam os poemas em uma elevação universal. A poeta nos lembra através de seus recortes poéticos, que poesia se faz com elementos simples e palpáveis. O palpável é descrito nas flores, nos galhos das árvores, nos pássaros e nos jardins. Este livro foi escrito por uma alma sensível e deve ser lido com esse mesmo olhar e perspectiva. O livro Sumi-ê é ainda mais, um convite para que se contemple a vida com outros olhos, com o olhar simples e singelo que ela nos exige:
A calma do lago, a calma da flor na brisa
A calma de olhar a vida
Sem pressa
* Léo Prudêncio * LiteraturaBR
28 de mar. de 2014
20 de mar. de 2014
10 de mar. de 2014
9 de mar. de 2014
7 de mar. de 2014
Resenha do SUMI-Ê por Vivian de Moraes
As vagas na poesia oriental de Nydia Bonetti
05/03/2014
Vivian de Moraes
05/03/2014
"Sumi-ê", livro de inspiração japonesa de Nydia Bonetti, é um desses livros de poesia que encantam. Com recortes delicados, abordando ora uma flor, ora um regato, com muita simplicidade e beleza, o livro é como o mar: quando se apaga lentamente a flor, surge devagar uma nova imagem da natureza, como uma árvore velha, que logo também se apagará para dar lugar, novamente, à flor primeva. É o movimento das vagas no mar, embora, no livro, a água seja doce.
É uma obra completa, bem pensada, cativante, que, ao seu fim, dá a sensação, ao leitor, de ter recebido uma mensagem inteira: a mensagem de que, em cada detalhe do mundo natural, há uma infinidade de significações humanas que se lhes pode atribuir: força, graça, alegria, paz; enfim, infinitas verdades.
Nydia Bonetti se inscreve na literatura nacional como uma grande autora, e sua graça e beleza, a cada verso, tem a força de um mundo feminino, delicado, mas forte e sempiterno. Vale a pena fluir cada verso, cada palavra de "Sumi-ê".
Vivian de Moraes
5 de mar. de 2014
poesia.net

Uma mini antologia de poemas publicados aqui no longitudes, publicada agora no site poesia.net, de Carlos Machado. Ilustrações: Claudio Tozzi.
2 de mar. de 2014
Não sou de nenhuma tribo - embora acredite sermos todos índios. Não sigo nenhuma tese - a não ser a minha - imaginária linha. Meu lugar não é aqui – nem meu tempo é agora. Sigo em rota de espanto. Navego em Longitudes. Procuro a Latitude e não encontro. Em altitude instável: Ora flutuo, ora mergulho no abismo. Meu GPS enlouqueceu. O pássaro que passa me indicou o caminho. É preciso seguir. E eu vou.
1 de mar. de 2014
20 de fev. de 2014
14 de fev. de 2014
9 de fev. de 2014
30 de jan. de 2014
27 de jan. de 2014
26 de jan. de 2014
15 de jan. de 2014
extremos — é preciso tocá-los
depois do deserto
é onde mora
o vento
— ouve!
fronteiras — invisíveis arames
farpados
sentinelas em prontidão
[e a guerra finda há séculos]
há um cavalo solto, alado
em cada ponte
que não se atravessa
e flores agonizam
antiga sede
de alguns olhos de água
e terra
trazida nos sapatos
de outros cantos extremos — vê!
que tudo é terra
e canta
depois do deserto
é onde mora
o vento
— ouve!
fronteiras — invisíveis arames
farpados
sentinelas em prontidão
[e a guerra finda há séculos]
há um cavalo solto, alado
em cada ponte
que não se atravessa
e flores agonizam
antiga sede
de alguns olhos de água
e terra
trazida nos sapatos
de outros cantos extremos — vê!
que tudo é terra
e canta
30 de dez. de 2013
A complexidade do simples*
*Ensaio de Eliane Ferreira C. Lima
Solares
outra vez
me ronda a poesia
agora é assim
quase uma sombra
colada em mim
não
ela é o sol
eu,
a sombra
Expiação
Nydia Bonetti
I.
serpentes de barro
rios
de silêncio
rouca
a voz das águas
silencia
II.
ouve-se da vida
um uivo
lobos se esquivam
abutres sobrevoam
enquanto
cordeiros expiam
Mas vamos aos textos – preciso confessar que foi uma enorme dificuldade a escolha:
e se eu dissesse apenas
do que sei
e sinto
calava
Nydia Bonetti
a tarde dourada no campo de centeio
não diz das chuvas que virão
diz do sol
embora quase noite
diz do pão
embora as mãos vazias
diz de nós
na janela de outro dia
que já passou
Nydia Bonetti
a alma do mundo grita
no mormaço dos dias rasos
na escuridão
das noites infinitas
no abandono
das dores terminais
no corpo
do homem que habita
desolada
depois de gerações ainda
aprisionada
que da eternidade
a que almeja sabe
tão pouco quase
nada
Nydia Bonetti
árvore do cerrado- cresceu comigo
rude e exótica
mas era minha
eu fui embora - ela não quis
ela não tinha pés
eu não tinha raiz
Nydia Bonetti
árvores do quintal da infância
revi vi
sumo nos olhos:
saudade é nódoa que não sai
Nydia Bonetti
Nydia Bonetti (Piracaia SP/1958) é engenheira civil e poeta e se dedica, atualmente, ao projeto do seu primeiro livro. Tem textos publicados na “Revista ZUNÁI” (link), “Germina Literatura” (link), “Cronópios” (link) e outras mídias eletrônicas, segundo suas próprias palavras. Bloga no Longitudes, espaço através do qual entrou como seguidora de meu blogue Poema Vivo. Fui até lá para conhecer minha visitante e tive uma das mais gratas surpresas: encontrei uma poeta que eu, imperdoavelmente, ainda não conhecia. Tenho tido, frequentemente, essas surpresas agradáveis nessa Internet. Nesse mundo pós-moderno e louco, felizmente, porém, uma especialista em literatura, como sou, tem a oportunidade de se reciclar quase em tempo real.
Comprovei, mais uma vez, que ser poeta não é profissão, não é atividade, não é passatempo: é destino. O poeta nasce, assim, assinalado. E, mesmo que escolha qualquer profissão outra, não se livra desse sinal, que o seguirá até o fim. O poema abaixo já começa comprovando o que digo.
outra vez
me ronda a poesia
agora é assim
quase uma sombra
colada em mim
não
ela é o sol
eu,
a sombra
O material que Nydia Bonetti utiliza, em um primeiro momento, em seu olhar indagativo sobre o mundo, são as coisas comuns e simples que a envolvem externamente. Mas como, internamente, nada é simples e comum, a manufatura que se apresenta aos olhos do leitor é outra, abençoada pela subjetividade e emoção, que se simula equilíbrio e contenção – observar o último verso do poema "Risco". Identifico até um certo tom blasé, o que é conseguido pelo manusear de uma linguagem bastante cotidiana. Engano do leitor se não for bastante observador: no poema que se segue, jogando com a homofonia de “expiar/espiar” – ouso dizer que a maioria das pessoas toma um termo pelo outro, sem diferenciação –, no derradeiro verso, vários significados e atributos podem ser agregados ao termo “cordeiro”:
1.Seres sem ação e defesa, passivos, o que seria conseguido por “espiam” (observar, olhar, esperar, aguardar) – verificar que abutres e lobos percebem algo e se mantém longe -, que, embora não escrito, é trazido para o texto por sua homonímia com o termo presente.
2.Seres que são sempre utilizados para remir a culpa de outrem diante do assustador uivo da vida, o que se depreende do “expiam”, realmente explícito no texto.
3.Mas aquele mesmo “espiam” do item 1 poderia, trazer, paradoxalmente, a ideia de “procurar descobrir, com o fim de fazer danos” (Dicionário Aurélio, versão digital), o que marcaria “cordeiros” com uma malícia insuspeitada e inverteria a dinâmica do que se supõe à primeira vista, ou os tornaria cúmplices latentes daquele perigo ameaçador da vida. Dada a sutileza da grafia do verbo “expiam” – o termo tem uma entrada muito menos frequente na língua popular –, provavelmente os itens 1 e 3 têm uma garantia maior de entendimento, ainda que não fosse essa a intenção verdadeira da escritora ou que ela não suspeitasse do alcance do que disse. A Teoria da Recepção tem batido nessa tecla e, neste mesmo blogue, já fiz alusão a esse aspecto.
Expiação
Nydia Bonetti
I.
serpentes de barro
rios
de silêncio
rouca
a voz das águas
silencia
II.
ouve-se da vida
um uivo
lobos se esquivam
abutres sobrevoam
enquanto
cordeiros expiam
Mas vamos aos textos – preciso confessar que foi uma enorme dificuldade a escolha:
e se eu dissesse apenas
do que sei
e sinto
calava
Nydia Bonetti
a tarde dourada no campo de centeio
não diz das chuvas que virão
diz do sol
embora quase noite
diz do pão
embora as mãos vazias
diz de nós
na janela de outro dia
que já passou
Nydia Bonetti
a alma do mundo grita
no mormaço dos dias rasos
na escuridão
das noites infinitas
no abandono
das dores terminais
no corpo
do homem que habita
desolada
depois de gerações ainda
aprisionada
que da eternidade
a que almeja sabe
tão pouco quase
nada
Nydia Bonetti
árvore do cerrado- cresceu comigo
rude e exótica
mas era minha
eu fui embora - ela não quis
ela não tinha pés
eu não tinha raiz
Nydia Bonetti
árvores do quintal da infância
revi vi
sumo nos olhos:
saudade é nódoa que não sai
Nydia Bonetti
14 de dez. de 2013
SUMI-Ê
Meu livro de poemas.
Já disponível para pré-venda no catálogo da Editora Patuá.
A ilustração de capa e o projeto gráfico são de Leonardo Mathias e a edição de Eduardo Lacerda.
Mais sobre a autora e o livro em: Editora Patuá.
Já disponível para pré-venda no catálogo da Editora Patuá.
A ilustração de capa e o projeto gráfico são de Leonardo Mathias e a edição de Eduardo Lacerda.
Mais sobre a autora e o livro em: Editora Patuá.
28 de nov. de 2013
26 de nov. de 2013
2 de nov. de 2013
1 de nov. de 2013
Um poema de Henrique Wagner
Orides Fontela
Tinhas o coração de pedra e pétalas,
por trás do muro onde moravas só,
levando a cada canto uma indiscreta
timidez, convertida em sombra ao sol.
Teu silêncio, pesado, era a secreta
vida de tua máquina monstruosa
vibrando cada letra antiga e velha
até fazer do espírito teu pó.
Os óculos maduros, a armação
escura, o corpo de osso em carne branca,
a lágrima, tão seca e dura – pedra.
Tinhas o coração nalgum lugar
da casa, atrás do muro, onde pulsavam
bichos como lagartos. Como abelhas.
para Nydia Bonetti
Tinhas o coração de pedra e pétalas,
por trás do muro onde moravas só,
levando a cada canto uma indiscreta
timidez, convertida em sombra ao sol.
Teu silêncio, pesado, era a secreta
vida de tua máquina monstruosa
vibrando cada letra antiga e velha
até fazer do espírito teu pó.
Os óculos maduros, a armação
escura, o corpo de osso em carne branca,
a lágrima, tão seca e dura – pedra.
Tinhas o coração nalgum lugar
da casa, atrás do muro, onde pulsavam
bichos como lagartos. Como abelhas.
29 de out. de 2013
Um poema de Daniela Delias
CALIGRAFIA
é preciso tão pouco
a água da chuva
a sutileza do rio
a quietude da pedra
ser o silêncio
antes do jorro
um sumi-ê de peixes
ou pássaros
poema publicado em Sombra, silêncio ou espuma
para Nydia Bonetti
é preciso tão pouco
a água da chuva
a sutileza do rio
a quietude da pedra
ser o silêncio
antes do jorro
um sumi-ê de peixes
ou pássaros
poema publicado em Sombra, silêncio ou espuma
27 de ago. de 2013
26 de ago. de 2013
Relevo + mallarmargens - Um dos meus poemas aqui
Edição especial de um ano do coletivo literário mallarmargens - revista de poesia & arte contemporânea.
http://issuu.com/jornalrelevo/docs/relevo___mallarmargens/1?e=2234477/4597479
http://issuu.com/jornalrelevo/docs/relevo___mallarmargens/1?e=2234477/4597479
17 de ago. de 2013
elefantes azuis
o tempo não pára mesmo. ele não tem mais jeito. desandou a correr, ultimamente. desembestou. estouro de boiada. manada
__ de elefantes azuis
lava que escoa. corredeira. maremoto. cachoeira. avalanche. batedeira
__desertos
nós, surfistas sobre ondas instáveis. cabelo parafina, pele dourada
__sob o sol que agoniza
nós, turistas num safári no Quênia. sobrevoando baixo, sobre a boca vermelha
__de algum vulcão
escalando Everests, enfrentando Saaras, tempestades de areia
__insolação
ao longe a vida: miragem. oásis
__onde?
__ de elefantes azuis
lava que escoa. corredeira. maremoto. cachoeira. avalanche. batedeira
__desertos
nós, surfistas sobre ondas instáveis. cabelo parafina, pele dourada
__sob o sol que agoniza
nós, turistas num safári no Quênia. sobrevoando baixo, sobre a boca vermelha
__de algum vulcão
escalando Everests, enfrentando Saaras, tempestades de areia
__insolação
ao longe a vida: miragem. oásis
__onde?
12 de ago. de 2013
8 de ago. de 2013
8 de jul. de 2013
2 de jul. de 2013
"O poema" para mim - de Adriano Nunes
"O poema" - Para Nydia Bonetti
Traço a traço, o retrato
Gráfico do edifício
Vai surgindo. Do ofício,
Outro cálculo exato
Dos limites, dos lados,
Arquiteta o infinito.
- Todo o verso é subscrito,
Seus vãos articulados -
Do corredor ao quarto
Antigo, que artifício
Desse interstício é farto
De sumo? Sub-reptício,
Alarga-se o lagarto
De sonhos de silício.
Traço a traço, o retrato
Gráfico do edifício
Vai surgindo. Do ofício,
Outro cálculo exato
Dos limites, dos lados,
Arquiteta o infinito.
- Todo o verso é subscrito,
Seus vãos articulados -
Do corredor ao quarto
Antigo, que artifício
Desse interstício é farto
De sumo? Sub-reptício,
Alarga-se o lagarto
De sonhos de silício.






