as águas do lago estão vermelhas (barrentas) como se alguma coisa removesse o fundo, sob um sol imenso hoje estranhamente azul, num céu que de repente enverdeceu.
apenas as nuvens (previsivelmente brancas e densas) guardam alguma lucidez e prepararam as chuvas (que hoje inevitavelmente virão) a remover as tintas do meu delírio vesperal.
um pássaro solitário mergulha e submerge. quando vierem as chuvas, o pássaro retorna. brilho nos olhos, asas vermelhas, na boca o sabor do abismo e o coração em chamas.
nunca mais a leveza das asas secas e a pureza das margens - pássaro da vertigem agora. um raio - enfim, a chuva: e o cenário se desfaz.