18 de nov. de 2010

Noturno - Tankas da Madrugada*

33.

Voz em que se basta
cata decifrar palavras,
mistérios dos sons.

Quanto a mim, subo montanhas
pra ouvir em meios tons.

42.

A desesperança
é fêmea que traz na boca
a palavra algema.

Quer vencer o sortilégio?
Vista o mundo de poema.

131.

A lágrima diz
a palavra de metal
com brilho no traço.

Corta fundo o sentimento
seja ouro, prata ou aço.

135.

Vou esvaziar
conceitos e preconceitos
para transcender

a chama das diferenças.
Concede-me um Saara.

*Poemas do livro 'Tankas da Madrugada' onde poeta Cloves Marques presta sua homenagem ao centenário da chegada da primeira leva de imigrantes japoneses ao Brasil(1908/2008).

"Cloves Marques conhece a katana do samurai, mas é como se empunhasse o punhal de Lampião que escreve seus tankas. A Forma é japonesa; a alma, nordestina."
Raimundo Gadelha
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