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16 de jul. de 2009

humana

cobicei montanhas
caminhei lento
cheguei ao topo

- olhei de longe a vida

me descobri distante
das aflições mundanas
das insanas paixões

- quase toquei o céu

anjos cantando
de seus brancos voares
eu pude ouvir e ver

- a luz

o som das águas
que correm nas planícies
no entanto, me chama

- e a voz do vale me seduz

desço depressa
outra vez sou gente
do mundo, humana

- tal como o Criador me fez

7 de jul. de 2009

saga

estrangeiro
quem sabe a dor
a força e o peso
de ser

caminhar por ruas
que não nos viram
quando crianças
ver crescerem árvores
que não plantamos
morar em casas
(sem galos e quintais)
que não edificamos
ouvir vozes estranhas
silêncios, sotaques, risos
rostos desconhecidos
falar a quem não sabe
do que falamos

mouros
meus ancestrais
andaram
em busca
de uma terra
que jamais
encontraram

meu bisavô
foi estrangeiro
o meu avô
foi tantas vezes
estrangeiro
meu pai
foi por três vezes
estrangeiro
e eu
por duas vezes fui
e sou

sina. Ser planta sem raiz
arrancada da terra
folha
soprada pelo vento

hoje, meu bisavô repousa
sob o sol da Toscana
(conseguiu retornar...)
o meu avô repousa
numa terra que não amou
(mas amou nesta terra...)
meu pai descansa agora
nesta mesma terra
que também não amou
(mas como foi amado...)

eu
legítima herdeira
deste mesmo sangue
aonde quer que vá
me sinto forasteira
(dos amores nem sei...)


quero ir para pátria!
quero ir para pátria!
mas eu não tenho Pátria

meu sangue mouro
no entanto acredita
que verá sua terra
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