4 de out. de 2010

franciscando


arteblog galeria

hahaha um Deus
hahaha um Deus que nos ama
hahaha

há um Deus?
há um Deus que nos ama?
há?

ah... um Deus
ah... um Deus que nos ame
ah...

há um Deus!
há um Deus que nos ama.
há!

Vocês sabem o que o EITA!? Todos convidados a conhecer. :)

2 de out. de 2010

Havana

na rota dos meus sonhos
ainda te encontro
con sus guitarras y cantos
sus poemas de arcilla y piedra
minerales y hojas
ojos de tabaco y doçura
manos de esperanza
fuegos de ternura
Habana
(reconheço-me ilha)
cenizas de lo que soñé

30 de set. de 2010

...


------------coisa mais bonita
------------gente ou passarinho
------------ver fazer ninho

28 de set. de 2010

um poema de Roseana Murray

A solidão passa pontual todas as tardes
Bonde azul sem passageiros
Rumo a lugar nenhum
E deixa na pele o desejo de outra pele...

Roseana Murray

+ - * X / ² = ? ! . . .

22 05 + 06 08 – 19 25 X 20 06
+ - * X / ² = ? ! . . .
que conta é esta que soma e diminui

eleva
multiplica e divide depois termina
e o resto
é um número de bronze
colado numa pedra

poesia?!

mata o mato
com mata

mato

tudo parece ter
seu lado

mata dor

erva daninha
flor

27 de set. de 2010

...

não força a vida, filho
absoluta
ela acontece
(ou não)
alheia aos nossos sonhos

angulares

no caminho de pedras
há muitas
pedras
nem todas são
roladas
angulares muitas
resistem
em arestas e pontas
[... meus pés descalços
as encontram

25 de set. de 2010

cinco poemas de Geraldo Barros

I.

sinto um rio
se despreguiçando
em meu peito
quando os meus olhos
abrem a manhã
nos seus

II.

é em mãos gentis
que o vento repousa
depois de um longo temporal

a poesia
escorre nos dedos

III.

quanto mais
esfrego a língua
num poema

mais ele mancha
minha alma

IV.

ando cheio
de tantos vazios
que uma hora
esse nada explode
e tudo vai acontecer

V.

tudo o que tocava umidecia
não sabia ela que dentro dela
corria um rio


O poeta Geraldo Barros percorre um caminho na poesia que me agrada muito. São poemas minimalistas, intimistas, quase epigramáticos, que possuem o que considero mais importantante na poesia - identidade. Sim - é possível reconhecê-los. Eu gosto demais... Especialmente destes, a mim presenteados. :) Obrigada Geraldo. São mesmo lindos. Beijos!

OBS: Pode haver melhor presente do que um poema?! Ganhei mais um :) E ele é azul... aqui:
uns cantares - no blog A ti, poesia do poeta Danilo de Abreu Lima, que acompanho e admiro desde os tempos do Overmundo. Obrigada, Danilo. Tua poesia me comove. Beijos!

24 de set. de 2010

na estrada

olho cada semblante
que encontro no caminho
sinto por todos
imensa compaixão
irmãos nas dores
companheiros de estrada
sonho comum:
a vida
[... e o fardo
da humana condição

.
.
.

os lírios brancos
sob a árvore imensa
apascentam-me

(n.t.) Revista Literária em Tradução



(n.t.) Revista Literária em Tradução nº 1

Belíssima estreia da (n.t.), Revista Literária em Tradução, um empreendimento de Gleiton Lentz (editor), Roger Sulis (coeditor), Aline Daka (curadora) e Fedra Hinosa (consultora). Brilhantes traduções de poemas de Marina Tsvetaeva, Halina Poświatowska, Nâzım Hikmet e muito, muito mais. Um ótimo programa para o final de semana, uma revista que veio para ficar. Parabéns Aline, a você e a todos que participam deste projeto. Sucesso!

22 de set. de 2010

depois, o canto

a cada dia que amanhece (dizem)
partem pássaros
dos infinitos ninhos dentro de nós
hoje, ainda de madrugada
um pássaro vermelho
atravessou meus olhos e foi
rumo ao dia de sol
(depois
... o canto)

21 de set. de 2010

um poema de Ledusha Spinardi

Cristal na Neblina

A mínima idéia da tua presença expõe minha alma às curvas,
como a desfrutar silenciosa o frescor de pérolas no pescoço.
Ouço um por um os pingos além dos pássaros
no rastro recente da chuva.
Tímidas ainda ontem,
as rosas no aparador ostentam contornos carnais e tudo pulsa - volúpia
- na lisa luz da folhagem.
A mínima idéia da tua presença afia a lâmina
dos meus sentidos, o faro para analogias.
Ouço risos no meu sonho,
recrio teus olhos no escuro, vejo cristais na neblina
quando secretamente tua alma me visita.
Os cheiros que a chuva desprende,
tua voz na minha nuca, alinham-me à beira da glória.
Esculpirei o verbo para o que procuras?
Às vezes arde um sol sombrio
no cerne desse ofício, amar.
Conto horas fora do tempo e outras que adivinho nesta, exatíssima.
Como uma vírgula tua presença me devolve o verso,
eco de pétala no precipício.

* Ledusha com Diamantes - by Celso Fonseca and Ronaldo Bastos.

Sem dúvida, Ledusha Spinardi é uma das mais talentosas poetas e intelectuais da atualidade, e saber de seu imenso carinho pelos animais e seu empenho em favor dos bichinhos, só fez crescer minha admiração por ela. Um pouco mais da poeta aqui e aqui. beijo, Ledusha!

20 de set. de 2010

rompantes

[... e de repente
a paz - das águas do lago
mergulha em mim

[inteira]

19 de set. de 2010

setembros

o tempo
corrói a vida pelas bordas
insaciável
já devorou
mais da metade do que sou
[...ou do que fui?
e nos setembros
ele arranca pedaços
inteiros

quando setembro vier será outono lá mas a primavera romperá aqui
as flores do renascer
a alegria tomará o espaço onde a vida nos ensinará a amar a beleza
que nos transcenderá
não
o insaciável tempo não nos sacia a sede da beleza que nos trará
setembro a cada ano que está por vir
Nydia
o teu setembro é poesia...

Obrigada, Flávio. Tua poesia me faz feliz - Uma beleza... Beijos!

Flavio Miragaia Perri

18 de set. de 2010

nanquin


sumi-ê-Rita Böhm

procuro no escuro – a palavra nova
tateio espaços
risco rasgo
não posso vê-las
tento tintas outras tons
texturas
na minha pele escrita
caneta tinteiro
mata borrão borracha
papel de arroz tão fino
requer cuidado.

O poeta Fouad Talal me dedicou um poema lindo no seu blog Verso de Cor, um espaço incrivelmente criativo, de um poeta que além de ser "todo coração" é puro talento. Todos convidadíssimos para o próximo vôo ao tempus fugit: utere! - que o tempo urge... e é preciso aproveitar o dia de sol. Obrigada Fouad, beijo!

17 de set. de 2010

...

que dia estranho
tudo parece pouco
distante e raso

improvável segundo sol

olhando a cidade
vislumbrando as trevas
Jane Jacobs


se acaso
a boreal aurora dos tempos
não chegar
tão improvável o segundo sol

[... ocaso dos tempos]

16 de set. de 2010

poliverso

1.
vai longe o tempo
dos poemas longos
versos conclusivos
começo
meio
fim

2.
busco por epigramas
o peso em gramas
de jardim
minimetrias assim
metrias  sim
não metrias

3.
o verso r a s g a d o
mutilad
         o
                      torto
completamente
a
  b
     s
         o
      r
  t
o

4.
o verso demente
o que diz sem dizer
nada
e o que não diz
tudo e nunca
é o lugar
deste meu poliverso
que um dia foi uni
agora já não
(até) mais ver

15 de set. de 2010

véspera

espero
ainda
ver
da tua
mão
brotar
a flor

14 de set. de 2010

primeiro azul

mantenho ainda
pendurada na parede
a lamparina azul

onde acendi (menina)
minha primeira fantasia

mimo



Recebi este prêmio do poeta Assis de Mello, o que me deixou muito feliz, admiradora que sou da sua exuberante e refinada poesia. Fazendo uso de uma linguagem absolutamente própria - e rara, o poeta se destaca e se impõe como uma das vozes mais brilhantes no cenário poético atual. Obrigada Chico!

Tenho sempre muita dificuldade em escolher meus indicados, então ofereço este prêmio (que costumo chamar de "mimo") a todos os poetas blogueiros que caminham juntos por este território admirável da poesia. Beijos!

13 de set. de 2010

congadas violas e estradas

som de viola
canto de pássaros
e o vento
[...o vento
espadas de madeira
que se tocam
no ar
o ritmo nos pés
e a cantoria
que ecoa
e faz sorrir
o São Benedito
na memória sonora
inteira
minha infância
diante
dos meus olhos
estrada de terra
[... batida e longa
se afunila
e muito além
das incontáveis
porteiras
quase
no infinito
tudo
desaparece

12 de set. de 2010

cenário


Drue Kataoka

pedaço de céu
entre nuvens cinzas

derrama

c-h-u-v-a---d-e---l-u-z

holofote de sol

que branco
brinca de lua cheia

obsidiana

estilhaços de noite
penetram nos meus olhos
já tão escuros

houvesse ao menos lua
[...lascas de prata

10 de set. de 2010

bando


mallard_moon

quem amordaça
o pássaro que canta
e aprisiona
o vôo?
o rubro tom
e o brilho dos rubis
quem pode ofuscar?
nossos vestígios
passos, cantos
pensamentos
haverá quem apague?
dispersará o bando
que de fênix a alma
do fogo herdou
a chama e o ímpeto
do eterno renascer?

9 de set. de 2010

urbanas heras

caligráfica ilusão - grafite
urbanas heras

território de aventura

onde o muro é apenas suporte
não fronteira do absurdo

8 de set. de 2010

palavra escrita

lembra
quando tudo
era começo
e o fim
palavra não dita
hoje
começo é lugar
distante
e o fim
palavra escrita
(tatuagem
catártica)
na pele
do instante

7 de set. de 2010

criatura

mas de mil vezes
te criei
não te fizeste

insistes em não ser
já nem te sopro

6 de set. de 2010

Coleção Orpheu


A coleção Orpheu da editora Multifoco é um selo voltado para a poesia brasileira, que se propõe através de um processo de pesquisa cuidadosa, buscar o poeta e sua poesia. Exatamente como Orpheu buscou Eurídice, sair à procura de poetas, inéditos ou não, que mereçam vir à luz, através do livro. E com esta multiplicidade de vozes, traçar uma linha harmônica audível, do panorama atual da nossa poesia. Aqui, os Lançamentos. Imperdíveis.

5 de set. de 2010

olhos de esperar ventania

nos meus olhos miúdos
onde um dia brotaram flores
in_contidas

onde pousaram pássaros
i_nesperados

urge outra vez ventania
a soprar gravetos

que restituem ninhos
ao primitivo estado de graça

4 de set. de 2010

do inevitável

na órbita
dos nossos sonhos
havia
um planeta vermelho

colisão inevitável

terra vazia
[...estrela cadente

chama azul

ausências são fogueiras
onde se atiram trapos
que se incendeiam

[... chama
azul
autocombustão

turbulenta e completa
solidão...]

2 de set. de 2010

... de primavera quase

moram peixes azuis
no fundo dos meus olhos
quando miram o céu

[... de primavera quase

1 de set. de 2010

movimento e não



garças brancas
sobre o lago

impassível

- movimento
e não

tudo

na natureza
se equilibra
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