haverá tempo ainda? o poeta pergunta
sempre no mesmo tom
sereno e compassado
que tempo? se o relógio do mundo
há muito está parado
cordas rompidas — respondo
enquanto dou corda
na velha caixa de música sem
bailarina
que roda vazia há tanto tempo
no ritmo da velha terra
enquanto meus olhos
olham estrelas que se movem
estando mortas
às vezes me pergunto se ainda estou
por aqui
30 de jul. de 2011
27 de jul. de 2011
estranha caixa
os ossos foram trancados na caixa pequena
(estanha caixa)
que guarda quase dois séculos
da minha história
(onde um dia mergulharei)
as chaves serão veladas por quatro olhos
que um dia serão trancados
na mesma caixa por outros olhos
que não sei quantos serão
até que os últimos olhos
a si mesmo se tranquem e a caixa se desfaça
e tudo será terra (antes do vento)
(estanha caixa)
que guarda quase dois séculos
da minha história
(onde um dia mergulharei)
as chaves serão veladas por quatro olhos
que um dia serão trancados
na mesma caixa por outros olhos
que não sei quantos serão
até que os últimos olhos
a si mesmo se tranquem e a caixa se desfaça
e tudo será terra (antes do vento)
desenhando céus
sangram os velhos muros:- bolores
e trincas
(feridas abertas pelo tempo)
nas descalçadas
me vejo
menina
desenhando céus
com risca
de giz
(na minha amarelinha sem infernos)
que a primeira chuva forte
apagaria
e trincas
(feridas abertas pelo tempo)
nas descalçadas
me vejo
menina
desenhando céus
com risca
de giz
(na minha amarelinha sem infernos)
que a primeira chuva forte
apagaria
25 de jul. de 2011
a flor
urbano pós-moderno o poeta devora
cimento e aço / pedra e areia
além de outros pós
finíssimos (aglutinantes)
bebe petróleo e outros líquidos
altamente inflamáveis
então cospe delírios
estradas que não chegam e edifícios
em chamas (sua casa)
enquanto a flor insiste e brota
desafiando insensatez
e cinzas
cimento e aço / pedra e areia
além de outros pós
finíssimos (aglutinantes)
bebe petróleo e outros líquidos
altamente inflamáveis
então cospe delírios
estradas que não chegam e edifícios
em chamas (sua casa)
enquanto a flor insiste e brota
desafiando insensatez
e cinzas
20 de jul. de 2011
marinho
um peixe negro e sem escamas, vindo do abismo do meio
(pois que no abismo profundo os seres transparecem)
de olhos brilhantes
amarelos
num galope certeiro (marinho que é)
cavalo
atravessou seu dia
desde então, seus olhos simples
transitam
entre claros e escuros tons do mesmo incerto azul
e a água doce (cristalino lago) virou mar salgado
que inunda
sua face de areia e pedra, sob este céu vermelho antigo
reflexo
dos seus cinqüenta e quatro sóis que rumam
em direção à Hidra
(pois que no abismo profundo os seres transparecem)
de olhos brilhantes
amarelos
num galope certeiro (marinho que é)
cavalo
atravessou seu dia
desde então, seus olhos simples
transitam
entre claros e escuros tons do mesmo incerto azul
e a água doce (cristalino lago) virou mar salgado
que inunda
sua face de areia e pedra, sob este céu vermelho antigo
reflexo
dos seus cinqüenta e quatro sóis que rumam
em direção à Hidra
Marcadores:
novo projeto
19 de jul. de 2011
lugar
esse lugar não é
onde eu queria estar
mas é meu
de posse
e de passagem
a propriedade
apenas um papel
embolorado
em alguma velha
gaveta
eu tenho o chão
abro janelas e vejo
montanha
e estrada
um pedaço de céu
me basta
onde eu queria estar
mas é meu
de posse
e de passagem
a propriedade
apenas um papel
embolorado
em alguma velha
gaveta
eu tenho o chão
abro janelas e vejo
montanha
e estrada
um pedaço de céu
me basta
16 de jul. de 2011
medo das águas
perto de mim flui
generoso
------.o rio
todos mergulham
ou
molham a ponta
dos pés
-------só os meus
sempre secos
generoso
------.o rio
todos mergulham
ou
molham a ponta
dos pés
-------só os meus
sempre secos
outros tempos
poeta engraçadinho
poeta professor
poeta top model
fotopoeta
poeta doutor
que saudade
do poeta poeta
papel e palavra - só
poeta professor
poeta top model
fotopoeta
poeta doutor
que saudade
do poeta poeta
papel e palavra - só
13 de jul. de 2011
CÓDIGO COLETIVO - UM BELO PROJETO
CODIGO COLETIVO: projeção de poemas em QR CODE, no Castelinho do Alto da Bronze, Centro Histórico de Porto Alegre. Instalação de Sandra Santos, parceria CIDADE POEMA, Laís Chaffe.
"Concebido, articulado e realizado pela poeta Sandra Santos, o Projeto CÓDIGO COLETIVO transforma nossos poemas em verdadeiras esfinges cybernéticas: enigmáticas, tecnológicas, interativas". Alexandre Brito
Mais informações, AQUI e AQUI e AQUI.
12 de jul. de 2011
6 de jul. de 2011
5 de jul. de 2011
3 de jul. de 2011
2 de jul. de 2011
30 de jun. de 2011
29 de jun. de 2011
27 de jun. de 2011
26 de jun. de 2011
24 de jun. de 2011
23 de jun. de 2011
22 de jun. de 2011
realengo - poetas pedem paz
há dores que quando chegam
nos fazem mais - ou menos - humanos
quem somos nós hoje?
quanto de nós
embruteceu ou ascendeu rumo ao céu
do humano sagrado sentir?
quantos de nós
mergulharam no inferno - onde ardem
as indiferenças?
GERMINA LITERATURA - ESPECIAL
POETAS PEDEM PAZ
nos fazem mais - ou menos - humanos
quem somos nós hoje?
quanto de nós
embruteceu ou ascendeu rumo ao céu
do humano sagrado sentir?
quantos de nós
mergulharam no inferno - onde ardem
as indiferenças?
GERMINA LITERATURA - ESPECIAL
POETAS PEDEM PAZ
21 de jun. de 2011
16 de jun. de 2011
14 de jun. de 2011
11 de jun. de 2011
o louco
.
corpo alma pensamento
o quanto:- multifacetados
somos
.
o corpo
de todos, o lado mais instável
o que mais sente
.
doente, a mente
nos transforma em quase
bichos
.
a alma, onde fica
enquanto:- o corpo se debate
e se deforma
.
no rosto do louco
a nossa frágil humana condição
se revela
corpo alma pensamento
o quanto:- multifacetados
somos
.
o corpo
de todos, o lado mais instável
o que mais sente
.
doente, a mente
nos transforma em quase
bichos
.
a alma, onde fica
enquanto:- o corpo se debate
e se deforma
.
no rosto do louco
a nossa frágil humana condição
se revela