12 de jan. de 2009

ARTE ANTIGA - II

A arte etrusca

Pouco se sabe da procedência, língua, religião e costumes dos etruscos, apesar de muitos documentos e estudos sobre eles.
Primeiras manifestações culturais: fim do século IX e início do século VIII a.C., englobando planície do pó e costa tirrena até a Campânia. Roma até o século I a.C. : sob influencia direta da cultura etrusca. O povo era hábil, trabalhador, desfrutava das jazidas de metais, da fertilidade do solo, com posição geográfica propícia ao tráfico marítimo, com todos os países mediterrâneos.

Essencialmente urbana, cidades protegidas por fortes muralhas, sociedade fechada, conservadora, profundo sentimento do sagrado, conservando por muito tempo os cultos antigos. Supõe-se que acreditavam numa entidade divina dominante. A força misteriosa (Fortuna) reinava através de práticas de adivinhação. A visão do além era aterrorizante. Por isso toda arte etrusca é destinada à tumba, pois por meio dela, podiam de algum modo, continuar a viver.

Muito influenciada pela cultura figurativa grega; influencia exterior, formalista, pois a arte grega era a expressão da vida e a etrusca, obcecada pela idéia e temor da morte. Uma arte mais supersticiosa que religiosa. A arte etrusca tem um caráter popularesco, nasce da vida cotidiana. É realista, pois mediante a arte, a realidade continua a existir. Por isso a arte etrusca não pode ser considerada clássica, sendo a primeira fonte da corrente “anticlássica”, que se tornará quase uma constante contrária, ao também constante “Idealismo Clássico”.

A arquitetura etrusca

O Templo não tem grande importância na arquitetura etrusca, que os fazia de madeira e de argila, apesar de ser um povo de construtores. Temos apenas dos templos, uma vaga imagem pelo tratado de Vitrúvio e pelas urnas de terracota em forma de templo.

Templo etrusco: colunas maciças, baixas, mais largo que longo, dividido em 2 partes. As colunas toscanas, não tinham caneluras, o capitel formado por um anel comprimido. Muita decoração de terracota, bem colorida, relevos em forma de figuras, protegendo os frontões de madeira. Teto inclinado, ornamentado com modelos simples, depois com grupos de estátuas.
Muros e portas urbanas (Fig.01) – Perugia e de Volterra - princípio do encaixe e da sustentação dos blocos, sistema de cobertura em arco e abóbada considerada o mais notável da arquitetura etrusca, e que se tornará também o tema base da arquitetura romana.

Principais necrópoles: em Orvieto, Tarquinia, Chiusi e Cerveteri. A maioria das tumbas subterrâneas (hipogeus), formato cônico de terra com anel de base de pedra. Existem também tumbas rupestres, em rochas (Sovana). Muitos vãos, teto plano ou inclinado, paredes com figuras pintadas. Quando necessário, utilizavam pilastras, como na tumba dos relevos pintados, (fig.02) com relevos com pinturas de animais, etc.


Arco etrusco, Volterra (a arquivolta foi reconstruída em época romana) - Fig. 01


Tumba dos relevos, câmara funerária decorada com terracota e estuques - Sécilo IV -III a.C. -Necrópole da Banditaccia, Cerveteri - Fig. 02

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