Tenho a urgência Dos que sabem Que vão partir Eu sempre soube Desde menina Que esta seria a sina Eu sempre soube Das noites escuras E dos dias breves Eu sempre soube Que era preciso Transformar o tempo Em areias Eu sempre soube Que era preciso Decifrar os códigos Interpretar os signos Decorar as senhas Eu sempre soube Que as teias de aranha Eram presságios Das tramas e dos nós Eu sempre soube... Que os gatos no porão Agonizavam Em suas sextas vidas Da casa em ruínas Dos olhos que pesam Das despedidas Eu sempre soube... O relógio da sala A coruja que pia O galo que canta Um raio de sol... Amanheceu.