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17 de mai. de 2009

INSONE

Tenho a urgência
Dos que sabem
Que vão partir
Eu sempre soube
Desde menina
Que esta seria a sina
Eu sempre soube
Das noites escuras
E dos dias breves
Eu sempre soube
Que era preciso
Transformar o tempo
Em areias
Eu sempre soube
Que era preciso
Decifrar os códigos
Interpretar os signos
Decorar as senhas
Eu sempre soube
Que as teias de aranha
Eram presságios
Das tramas e dos nós
Eu sempre soube...
Que os gatos no porão
Agonizavam
Em suas sextas vidas
Da casa em ruínas
Dos olhos que pesam
Das despedidas
Eu sempre soube...
O relógio da sala
A coruja que pia
O galo que canta
Um raio de sol...
Amanheceu.

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10 de fev. de 2009

IN_SONE



Di-
vago na noite
saio à janela e
grito:
silêncio!

na esperança
de que alguém
possa me ou-
vir
ou que meu grito
acorde
uma ave noturna
e eu possa ou-
vir
o som de suas asas

talvez
ainda que
agourento um pio

Quem sabe um cão
apareça
e eu possa olhar seus olhos
e ou-
vir
seus ui-
vos

Mas há
a minha frente
uma imensa montanha
que minha voz ecoa
e que meu grito
me devolve em salvas

Que aumenta
e perpe-
tua
o meu silêncio.

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